Devaneios do cotidiano


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12/02/2005 12:11
(Adélia Prado)

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.


O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

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08/02/2005 14:24

21/01/2005 18:19:18

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!


Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Fernando Pessoa, 23-10-1931

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30/11/2004 17:55:46


ULTIMO POEMA


Assim eu quereria o meu último poema.

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

(Manuel Bandeira)


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06/11/2004 14:25:23
O QUADRO


O sol todos os dias é o mesmo
Onipotente, esconde a lua e esquenta corações
Minha vida todos os dias é a mesma
Monotonia e nada de emoções

O sol dita as regras, o mundo acontece com a luz
Que regras dito em minha vida não sei
Dia após dia nada nessa vida me seduz
Vivo no passado,
Nostalgia
Relembrar me traz paz e alegria
Quando o sol se esconde lá no alto daquelas montanhas
Perto da árvore onde demos o primeiro beijo
Iniciais dentro de um coração
O tom alaranjado do céu
Iluminava todo gramado, com um verde quase vivo
O vento espalhando seus cabelos dourados
E o sorriso. Ah Deus, nunca vou esquecer aquele sorriso
Uma pintura, para ser emoldurada e guardada em um local seguro
Lamento o sol ir embora e deixar tudo no escuro

Mas o sol dita as regras
E aquele beijo foi o último
A escuridão expandiu-se dentro de mim
Todos os lados o vazio, o nada a falta de sentido
O sol se escondeu no horizonte e te levou de mim
A vida dá calafrios
O breu invade a alma
Sinto arrepios, perdi a calma
Como pode tudo desmoronar,
A árvore ainda está lá,
O relevo dos nomes gravado em seu tronco
Nem a chuva irá apagar
Meus dias agora são todos de pura monotonia

Mas o sol dita as regras
O dia nasce e se prolonga
A flor nasce e floresce
O amor nasce e permanece ,
Ele está lá na moldura esperando você
A obra de arte que você me fez viver
Estarei esperando o sol aparecer
Para completar as cores que faltam
Na aquarela das nossas vidas


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17/10/2004 14:19:12
FOTOS DE CORUPA (SANTA CATARINA)

Esse provavelmente é o lugar mais lindo que fui em toda a minha vida. São 14 cachoeiras belíssimas, para chegar à todas é necessário encarar uma trilhar escorregadia por cerca de três a quatro horas com paisagens impagáveis.

Resumo: Levei um tombão e esfolei meu joelho e quase morri pois escorreguei por alguns metros e havia um precipício não muito longe rsrs Bendita pedra que eu consegui me segurar.
O rapaz de shorts vermelho levou um tombo ainda pior e ficou cheio de barro o caminho todo rs
Pão, presunto e alface - ótima refeição para quem está morto de tanto andar...
Água da geladeira é um pouco mais quente que as encontradas naquelas cachoeiras...

Aquele com a camiseta escrito Vódka (sugestivo não ?!) sou eu...
No meio meu amigo anormal e companheiro de todas as horas Herick, na direita o rapaz que finge ser musculoso chama-se Márcio. Também estão aí a Mônica e a Gislaine com o boné "mamãe não me perca na cachoeira"

No fim do mês estamos lá novamente se Deus quiser

*Desculpem mas fiquei um tempão tentando virar a última foto na posição correta e não consegui. Favor enclinar a cabeça para a esquerda rs







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11/09/2004 11:46:02

VAI,ESCREVE A SUA HISTÓRIA

Puxa a cadeira e senta, o cigarro continua no canto direito da boca (os lábios já estão amarelados nesse local), estica os braços, movimenta o pescoço para todos lados, um estalo feio soa pela cabana vazia. Dedos enrugados, pele áspera e uma mente brilhante, sem igual. Tudo o que os olhos azuis e cansados viram durante todas as estações torna-se poesia, histórias incríveis, contos fantásticos, pode até não haver importância em todos os atos e momentos, de fato, mas isso não importa agora, ele irá escrever a história de sua vida. Imaginação um pouco limitada, mas não há muito o que criar, apenas contar, pois os momentos estão ali, imóveis no infinito, na tarde em que à avistou pela primeira vez na estrada de chão – Ah como ventava naquele dia - no seu ipê brilhando como o sol, era só seu em meio a muitos, e de beleza incomparável. Tudo estava no seu baú de tesouros, suas lembranças. Toma um longo gole de cerveja, solta um pequeno arroto e ri de si mesmo, ainda não decidiu quem citará nos agradecimentos, mas não tem problema, o papel ainda está em branco. Tem convicção de que deve começar contando as peripécias de sua juventude, mas não encontra nada que irá prender o leitor, apenas estudo e algumas farras, mas nada significativo. Talvez seus questionamentos quanto a existência resultassem num bom prólogo, mas acabaria tornando-se um livro de lamentações ininteligíveis, tendo em vista que hoje, já com aroma senil na pele, ainda não possuí uma opinião concreta quanto ao assunto. Decidiu então escrever sobre a vida adulta, trabalho, casamento, filhos tudo como deve ser, pois foi assim que chegou até onde está.


- Tudo como deve ser ? Perguntou para o nada.


Talvez a imagem que possuí de uma vida feliz e de sucesso não é de toda verídica, oculta esse pensamento da mente e dos olhos, mas está tão presente quanto sua barba branca. Ele não é e nunca foi feliz. "Não possuí talento algum", são essas as palavras que doem, mas nesse instante a verdade se põe soberana à sua frente, as lágrimas que caem são o reflexo do fracasso. Buscar inspiração na sua vida cotidiana de nada bastava, os elogios nunca foram verdadeiros, tem isso nítido em sua mente já que não consegue escrever mais nada sobre sua própria vida – que vida ? – pois o que viveu dia após dia foi apenas uma peça de teatro na qual interpretava a si mesmo um personagem feliz, mas que guardava mágoas das pessoas à sua volta, que não amava ninguém a não ser a si mesmo, e que sentia prazer na dor, no choro do próximo. Sentia prazer ao defrontar-se com o sofrimento alheio à sua realidade inequívoca. Os pensamentos lhe vêem à mente de maneira perturbadora, uma explosão dentro de si que se propaga de maneira violenta, em apenas alguns segundos a máquina de escrever se faz em pedaços. Sai da cabana com os papéis em branco nas mãos – sua vida – o céu está azul e não há nuvens, "perfeito", pensa consigo, respira fundo e caminha pela trilha que leva até o lago, seus ossos fracos já não lhe permitem muito esforço, mas há algo a ser feito. Ajoelha-se próximo ao lago, evita o reflexo do velho cansado que o desafia, as lágrimas em seus olhos prejudicam ainda mais sua visão debilitada e com um grito fraco, quase inaudível, joga todos os papéis para o alto os quais caem um a um na água e afundam lentamente. Levanta-se com dificuldades, caminha alguns passos rumo à cabana, para por alguns instantes e observa as árvores ao redor, o vento. Ele acaba de jogar sua vida fora, tudo o que ele possuía estava naqueles papéis, voltou-se de súbito, o brilho do lago o cegava, fechou os olhos e limpou as lágrimas, precisava buscar o que era seu. Reuniu todas as suas forças e correu... o salto não foi longo, na queda conseguiu apanhar uma folha em branco que afundava tristemente na água gelada, mas ainda haviam várias espalhadas, diversas já haviam afundado, ele decidiu juntá-las todas, mas já não havia força para isso. Ele não saiu do lago e as folhas continuaram em branco por toda a eternidade.

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17/07/2004 11:31:29
O ESTUPRO II - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA


Essa é a continuação do conto O estupro publicado em 08/05/2004 Esse conto gerou certa polêmica na época então achei que seria bacana mostrar os dois ângulos dessa tragédia, "divirtam-se".

O sorriso ainda estava em seus lábios quando atravessou a rua, esse fora o seu primeiro beijo, envergonhada que estava deixou transparecer isso ao menino, afinal, sua mão não parava de tremer. Mesmo assim não deixou de ser mágico, sentir a língua macia de um garoto junto à sua era sem dúvidas uma ótima experiência, ela tinha agora 13 anos e algumas de suas amigas de 14 ainda não possuíam tanta experiência nesses jogos de amor. Do primeiro olhar até aquele beijo foram-se três meses, falta-lhe coragem para tal atitude, mas tudo ocorrera da meneira que previu, ficaria lembrando desse beijo para o resto de sua vida. Perdida em seus devaneios amorosos, caminhou sozinha naquela noite de muito calor, o caminho para sua casa era longo e por isso resolveu passar pela estrada que atravessava o matagal, assim chegaria mais rápido e ligaria para suas amigas para contar o seu feito extraordinário. A estrava estava completamente vazia o que a amedrontou um pouco, só conseguia ouvir o barulho das folhagens ao vento e o ruído dos seus pés contra o cascalho, caminhou rapidamente, eram no máximo 200 metros. De súbito escutou um barulho atrás de si, deu uma breve olhada e viu um homem saíndo do matagal, ele a chamou, nesse instante o coração da menina parecia querer sair do peito, foi quando ela começou a correr, mas não foi possível ir muito longe, sentiu uma forte dor nas pernas e caiu no chão machucando suas mãos, em seguida levou um tapa na nuca e começou a ser puxada para dentro do mato. O homem cheirava à bebida e estava muito suado, forte que era, conseguiu segurá-la com muita facilidade, a menina gritava desesperada por socorro, seus olhos estavam injetados de pavor. Ele tirou sua roupa e ela sentiu um movimento forte em sua virilha, quase explodiu em dor, sentia como se uma faca fora cravada em seu ventre a qual deixava feridas enormes, aquele homem nojento não saía de cima dela e falava diversos palavrões em meio à muita saliva. Ela olhava para o céu e pedia para que algum milagre acontecesse naquele instante, que tudo aquilo fosse só um pesadelo, queria muito voltar para a vida normal, onde havia beijado um menino e sentia-se muito feliz, queria a vida onde a sua família a amava e estava segura nesse amor, ela queria ficar viva mas a dor que corroía seu corpo lutava contra isso. Foi agredida diversas vezes e em meio as lágrimas perdeu os sentidos, acordou alguns minutos depois e o homem não estava mais lá, sentiu um dor insuportável que parecia ir além de sua alma, havia muito sangue nas suas pernas, ficou de joelhos e procurou suas roupas, pela segunda vez naquele dia suas mãos tremiam, vestiu-se lentamente, tirou o capim que estava em seu cabelo e foi para sua casa, sentia-se suja. Não conseguiu olhar nos olhos de sua mãe naquela e noite e muitas outras madrugada insones que vieram, na verdade não conseguia olhar para ninguém, nem mesmo o menino que beijara, permanecia reclusa aos hábitos da sociedade e imaginou que seria assim pelo resto de sua vida, aquela dor em seu ventre não passaria nuca. Cerca de três meses após ser violentada, estava sentada em sua cama, muitas lágrimas escorriam pelo seu rosto e na sua mão estava um vidro de veneno para ratos, olhava para aquilo e lembrava-se daquela maldita noite, sua vida havia terminado depois de seu primeiro beijo, não fora somente sua inocência que havia sido roubada e sim sua essência como um todo. Tomou um longo gole do veneno e deitou-se na cama. Deus havia lhe ouvido naquela noite do estupro, pois se ela pediu um milagre naquele instante, de fato isso aconteceu, pois jogado no canto do quarto havia um teste de gravidez, o resultado era positivo.

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11/07/2004 09:53:44
UM POUCO DE COCAÍNA POR FAVOR !

Quando finalmente despertou sentiu uma forte dor na nuca, passou a mão no local e percebeu que havia algum líquido ali, era impossível saber se era sangue tal era a penumbra do local. Levou os dedos até a boca e houve a confirmação, de fato ela estava ferida, logo, percebeu também que estava toda suja e rasgada, só que havia um problema... ela não fazia idéia de como fora parar ali. Começou a entrar em pânico quando percebeu que o ambiente, que possuía um cheiro fétido, estava totalmente fechado, ficou tateando como cega desesperadamente e o que descobriu foram tijolos de uma parede muito úmida num pequeno espaço de um metro e meio no máximo. Sem dúvidas estava dentro de um poço, e buscava em vão algum tipo de saída, pois não conseguia entender o que estava acontecendo, se indagou se estava sendo seqüestrada, contudo, não havia motivos para tal tendo em vista que nunca possuiu muito dinheiro. Então começou a gritar com sua voz rouca em busca de ajuda mas não houve qualquer tipo de resposta, não havia na verdade som algum naquele lugar, talvez fosse o inferno, algum tipo de brincadeira ou até mesmo um sonho, mas a dor em sua nuca era um fragmento de realidade, tudo aquilo era muito insano. Não tinha noção de quanto tempo havia passado, já sentia uma cede insuportável quando, começou a passar a língua nas paredes tentando captar um pouco da umidade, mas sabia que logo sentiria fome e seria esse seu fim, passava a mão pelo seu corpo de maneira violenta puxando diversos fios de cabelo com muita força, aquela dor era um vestígio de vida. Não poderia morrer de fome e sede naquele lugar horrível, sem espaço, sem luz, o fato de não enxergar nada deixava seu desespero ainda maior, foi quando começou a jogar seu corpo contra a parede de forma muito agressiva, deu diversas cabeçadas contra os tijolos, enquanto se debatia e chorava, lembrava de sua família e amigos. Sua vida era sim medíocre, entretanto era o que possuía, não soube aproveitar tudo o que lhe foi proporcionado mas vagou por essa terra de dores e angústia com bravura, tudo o que era lúcido não à atraía pois as desesperanças eram deveras motivo para um suicídio, permaneceu como se entorpecida durante todos os seus dias para derrepente acordar em um poço, sem explicação alguma, era a primeira vez que gostaria de entender algo, de saber a verdade. O sangue escorria pelo seu ouvido quando perdeu a consciência Cerca de cinco horas depois começou a ouvir um barulho longínquo, balançou a cabeça e percebeu que estava toda machucada, seu nariz estava quebrado, o barulho aumentou. Eram diversas pessoas conversando, mas o som não era inteligível, ela começou a gritar pedindo socorro, foi então que o som extinguiu-se, ficando ela também em silêncio, seu coração batias descompassado. Havia uma pedra tapando o poço a qual foi retirada, a luz invadiu o local à cegando por alguns instantes, quando recuperou a visão viu um céu esverdeado e sem nuvens onde pássaros negros sobrevoavam calmamente, avistou algumas mãos acima do poço e clamou por ajuda, finalmente Deus havia ouvido alguma coisa, foi quando uma porção de terra caiu sobre seu rosto ferindo seus olhos, limpou com as costas das mãos e perguntou o que estava acontecendo, não houve resposta lá de cima, só percebia diversas pás que jogavam terra incessantemente. Ela começou a sorrir, seu sorriso logo se tornou uma gargalhada assustadora, deitou-se no chão gelado e a terra começou a cobrir seu corpo estava sendo enterrada viva.

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27/06/2004 18:12:47

CARTA DE UM SUICIDA

Sabe, muitas vezes escrevi para passar o tempo, para contar coisas da minha vida, meus segredos de forma implícita, para divagar sobre ambientes estranhos, escrevi para falar do vento no meu rosto e sobre imenso céu cinza sobre a minha cabeça, porém, dessa vez escrevo para dizer que é a última vez que vocês leram frases minhas, é o ponto final dessa prosa que foi minha vida.
Queria impressionar assim como fez Kurt, no seu discurso final, com uma despedida poética, mas esse tipo de dom não me convém, somente a fraqueza é que se iguala. Acho que quando se está no berçário nos seus primeiros instantes, já existe uma cobrança e uma meta a ser traçada, já no meu caso eu estava ausente no momento e nada foi estipulado para mim, essa busca incessante por objetivos trilharam o meu caminho até essas palavras que estás lendo.
A vida já não flui em minhas veias, não consigo encontrar motivos para ver um horizonte além dessas quatro paredes, tendo a luz do sol nenhum poder sobre meus anseios, não há nada além desse cômodo que me faça crer que algo ainda vale a pena. Eu tentei ... juro que tentei buscar os caminhos corretos, tomar as decisões certas e ser uma boa pessoa, fiz tudo isso e olho para mim e não vejo nada, somente a falta de esperança, sentimento dos tolos. Sei do mal que existe nessas madrugadas frias, dos demônios que existem dentro da mente humana, explicação para as brutalidades que por ai se espalham, mas que não me comovem mais.
Gostaria de ter agregado algo à vida de alguém, contudo, isso não foi possível, não me deram essa chance. Não há alguém para sentir minha falta, sabe, estar em um lugar distante, algum lugar de rara beleza e desejar com todas as suas forças para que você pudesse dividir aquilo com alguém. Me sinto triste por essas coisas, meu rosto magro e cansado é o outdoor da minha destruição. Vi que nada disso valeu a pena, nenhum esforço foi recompensado e nenhum amor correspondido, sendo esses comprimidos de grande valor nessa hora.
Não sei se ao terminar de escrever a coragem será a mesma, mas acho que comecei meu suicídio à muito tempo, quando revi minha vida, desde quando perdi a coragem de viver, não fui forte o bastante para esta batalha, isso explica o porque escrevo tão lentamente, estou me distanciando de tudo. Mas não quero causar tédio no leitor, seria a última impressão e não é o que pretendo deixar de legado. Não vou agradecer por todas as coisas que fizeram por mim, só vou pedir desculpes pelo o que não fiz por vocês, peço perdão por ser quem eu sou, minha mente me venceu.

Lucas 15 anos

DPOR FAVOR,DEIXEM SEU COMENTÁRIO NO MEU NOVO BLOG: www.devaneiosdocotidiano.zip.net

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19/06/2004 12:17:56
ESTOU ME MUDANDO

O blig venceu, limite de três comentários por dias foi a gota d'água, já postei esse conto no meu novo endereço que está em fase de construção, quem gostou desse conto e quiser comentar passa lá no:

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O HOMEM E A MOSCA

Há tanta nobreza nas batalhas... a história da humanidade foi traçada por meio de conquistas, muita bravura e sangue. Não sei dizer com precisão até onde cercam as fronteiras da resistência do homem, pois já venci cidades inteiras, exércitos inteiros e hoje perdi a batalha para uma mosca, presencio a minha degradação e nada posso fazer. É certo que já fui mais valente, contudo a idade me tirou alguns pontos nessa disputa infundada, na qual os valores disputados me tornaram um derrotado seja qual for o final, ele sempre será infeliz, portanto deixo as falsas esperanças para o romantismo.
Penso à todo instante numa corda, sabem, aquelas grossas cujo nó seria dado com grande destreza, não sei se isso é lamentável, entretanto, me sentiria feliz se pudesse amarrá-la no alto de um árvore e prende-la fortemente ao meu pescoço. Covardia ou não, ainda haveria certa dignidade nisso, eu ainda teria controle dessa vida de “conquistas”. Refugiei-me dessa podridão em minha mente, onde ainda sou um general, onde posso lutar sem nunca esmorecer, vejo muito sangue ao passo que vejo a aliança nos dedos de minha futura mulher, ainda posso ver o beijo do filho, o sofrimento dos amigos, lealdade.
Aqui onde tudo é triste e sem cor, onde não há sorrisos nem se quer menções de felicidade, só vejo um copo com água ao meu lado e uma cartela de comprimidos, meu Deus como eu queria tomar uma centena deles e me ver livre desse corpo. Mas o que posso fazer é aguardar, dias infinitos virão eu sei disso, só vejo um amanhã obscuro, busco a “não-vida”, vejo alegria nisso, pois o fato de deixar de existir propaga a certeza de que não haverá dor.
Venderia minha alma para que houvesse uma janela nesse quarto, de onde estou só vejo essa parede branca, esses lençóis brancos e mais nada. Gostaria muito de rever o céu e as estrelas que a muito desapareceram mas que deixaram o brilho para ser apreciado, acho que não deixei brilho algum para as pessoas, afinal aqui estou eu sozinho em um leito de hospital
Uma mosca pousou em meu rosto, que animal cruel ela é, será que não percebe que eu sou um tetraplégico ? ela caminha lentamente pelo meu lábio, queria comê-la, arrancar suas frágeis asas, gostaria muito de expulsá-la dali, assim como eu fazia na segunda guerra com meus inimigos, expulsava-os, contudo agora não posso fazer nada, ela passeia com suas patas asquerosas sobre meu corpo e estou estagnado, a única reação que me cabe já está acontecendo, as lágrimas escorrem pela minha face, mas não expulsam ela, seus olhos parecem sorrir para mim, afinal, ela é a vencedora.



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07/06/2004 17:38:06
13/06 TUDO TRAVADO

Não estou conseguindo postar o Blig está em manutenção.
Escrevi esse conto logo abaixo e a única maneira que encontrei para postá-lo foi editar o post anterior e apaga-lo. Que droga ! Espero que gostem do conto mesmo assim.

MEU PAI

Naquela madrugada fria e sem estrelas o menino jazia sentado em sua cama, abraçava as pernas com força e as lágrimas fluíam sem controle algum, contudo era um choro silencioso, ninguém poderia ouvir, somente seus olhos pequenos expressavam o medo que sentia. Não tinha medo do escuro, não teve pesadelo algum, mas quando ouviu o carro chegando seu coração disparou, as luzes na janela do seu quarto tornavam-se assustadoras.
Sob efeito do álcool seu pai encontrava dificuldades em abrir a porta e naquele dia resolveu quebrar o vidro da sala, resmungava diversos palavrões ao passo que sua mãe abria-lhe a porta. Cuspia palavras ininteligíveis misturadas ao um cheiro etílico e suor, esse cheiro marcaria a infância do menino para sempre, entrava acusando a esposa de adultério e negando a paternidade dos filhos, eram horas de muita tenção onde quase chegavam à um clímax de agressões. Dia após dia as cenas se repetiam, cada vez mais amargas, uma nuvem cinza manteve-se naquela casa durante toda a vida, tudo o que ocorresse dali por diante seriam conseqüência dessas madrugadas insones.
E o menino cresceu, cercado de incertezas e de dores que perduram nesses dias tristes, a certeza de que nunca recebeu nenhum tipo de carinho do pai nem reconhecimento de algo o magoa muito, é um passado que gosta de guardar em um baú empoeirado em cima do armário juntamente com os seus fracassos. Não teve um exemplo a ser seguido, mesmo assim caminhou com seus próprios pés na direção que julgou ser a melhor, mesmo achando que a vida poderia ter sido mais simples se a coisas não fossem postas desta maneira, mesmo achando ser injusto não ter um pai. Só que nem sempre a cabeça está erguida, e nesses outonos não são só as folhas que caem, nesses dias em que a garoa insiste em cair as dores e lembranças teimam em voltar, sendo impossível conter a tristeza. Não há ninguém na rua e ele chora, chora feito um garotinho sentado em sua cama, morrendo de medo, pois seu pai chegará alcoolizado em breve. A chuva cai levemente sobre seu rosto misturando-se às lágrimas.

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29/05/2004 15:33:22
AS SENHORAS DE CURITIBA

Todos estavam equivocados quando julgaram ser um assalto o fato de um menino todo sujo estar próximo àquela senhora. Dona Eleonor, no auge de seus 68 anos, adorava passear no centro da cidade, estava elegante como sempre com seu casaco marrom e seus óculos grandes, sempre observando as lojas mais caras. O menino ao seu lado se chamava Luiz, morou na rua durante praticamente todos os seus 13 anos de vida, naquele inverno ele não negaria qualquer proposta que lhe fosse imposta, desde que ficasse longe do frio e das madrugadas intermináveis. Quando aquela senhora grisalha apareceu ele concluiu que não desperdiçaria a chance, dialogaram por alguns instantes e saíram andando em meio ao calçadão um ao lado do outro.
Quando chegaram no apartamento, Luiz percebeu que naquele lugar estava mais frio do que na rua, não entrava vento algum, contudo era de fato muito triste e vazio. Os móveis todos muito antigos e na sua maioria apodrecidos foram talhados de maneira meticulosa em mogno, haviam vários lustres e peças de prata. Enquanto ela fechava a porta atrás de si, ele foi logo ao banheiro na terceira porta, trancou e ficou encostado por alguns instantes, era um banheiro muito bonito que possuía até banheira. Não havia espelhos, assim como na casa inteira, outrora Dona Eleonor fora uma grande modelo fotográfica e passou a vida inteira fazendo uso de sua imagem, agora, diversos outonos depois ela se recusava a enfrentá-la, pois havia percebido que assim como a beleza o seu talento se fora, se é que realmente existiu algum dia. Para Luiz nada importava na personalidade da velha, o que ele não podia era passar mais uma noite com os ossos congelados, no dia em que perdeu três dedos do pé percebeu que não suportaria por muito tempo essa situação, precisava do dinheiro que ganharia – elas sempre pagam bem – pensou consigo, assim poderia comprar algo para entorpecer os sentidos e ficar longe desse mundo inóspito.
Eloisa estava sentada no sofá contemplando o vazio de sua casa, já havia perdido a conta de quantos anos ficara ali fazendo a mesma coisa, dia após dia, envelhecendo lentamente ao passo que a solidão corroía sua vida. Quando o glamúr se foi, levou consigo a felicidade superficial, porém constante, que invadia os seus dias, acabaram-se as festas, foram-se as amizades, termiram-se os amores ocasionais. Sentia-se desprezível, vasculhava dentro de si algum tipo de valor, contudo a busca era vã, nada sobrou, somente os dias intermináveis e cansativos de ócio e infelicidade que à fazia recorrer à esse tipo de atitude a amargura agora era sua grande parceira.
Luiz saiu do banheiro e se aproximou do sofá, ela o fitava com um olhar falso de felicidade, ele lhe deu um beijo longo, sentiu um pouco de ânsia de vômito, se afastou passou a mão nos lábios então, calmamente, começou a se despir.

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25/05/2004 18:33:53
FELICIDADE SUPERFICIAL, POST SUPERFICIAL, NOVIDADES E FRASES DE EFEITO, NÃO EU NÃO ME VENDI AO SISTEMA,SÓ ESTOU UM POUCO CANSADO

Desculpem a ausência, não estou com nenhum tipo de bloqueio para escrever, só não estou muito afim mesmo, já estou com um conto existencialista em mente contudo não vou colocá-lo aqui por enquanto. Obrigado pelos comentário no último post, eu sei que ficou do tipo “gigante” mas foi algo que escrevi com certa dificuldade e exigiu bastante de mim, sendo que não é um gênero que escrevo com frequência, mas quem leu gostou e isso me deixou bastante feliz pois é um dos contos que tenho mais orgulho de ter escrito.
Nessa semana fui à uma daquelas palestras motivacionais (lavagem cerebral), apesar disso não funcionar muito comigo achei algumas coisas relevantes. O cara (um senhor do Rio de Janeiro grisalho e muito bem humorado) falou por cerca de hora e meia sobre a felicidade e as maneiras de alcança-la (para quem almeja é claro). Disse que muitas vezes deixamos que um fato isolado (geralmente alguém petulante)estrague nosso dia por alguma bobagem, algo que falou, alguma ofença enfim, coisas assim, e não paramos para refletir as outras coisas boas que aconteceram em nosso dia, que geralmente são a maioria e podem tornar um dia muito feliz, sem complicações, é só uma questão de calma e percepção, é necessário colocar tudo numa balança e avaliar se vale a pena estragar o seu dia por pouca coisa. Devemos sempre comemorar as pequenas conquistas do dia a dia.
Portanto estou comemorando o fato de que finalmente passei na porr... do teste do DETRAN, não errei nada e logo estarei com o porte da arma em mãos !! Quer dizer a carteira de motorista, o melhor é que nem precisei subornar ninguém. Fiquei com pena de uma senhora que estava comigo, reprovou pela quarta vez (ou terceira, sei lá), dessa vez ela deixou o carro morrer quatro vezes na baliza, mesmo assim ela saiu sorrindo e dizendo que iria tentar novamente.

Comemorem suas conquistas, suas alegrias, valorizem as pequenas coisas.

Achei isso bem bacana, ele também disse uma frase interessante:

“Se você quer ser feliz, não se case. Se você quer fazer alguém feliz se case”
(esqueci o nome do cara)

Achei profundo, tirem suas conclusões.
Visito à todos em breve.
Escreverei mais contos nessa semana ainda

MOMENTO ESQUISITO:
Eu não credito em tudo que escuto ... mas pode fazer bem à alguém ... só relato coisas ... não posso me tornar alguém negativista ... mas não posso me vender ao popular ... sou realista ... me tolerem ... assisti Troy e não gostei, isso faz de mim uma pessoa anormal ? ... estou trabalhando muito e não posso assitir o Bob esponja ... o salário mínimo é mais engraçado que piada de português ... vi as fotos das toturas no Iraque ... e ainda falam dos meus contos ... eu já falei que não sou um estuprador né ...

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15/05/2004 19:03:07

UMA HISTÓRIA SOBRE NIGUÉM

Girava o copo de whisky lentamente, os cubos de gelo refletiam diversas imagens destorcidas, que logo derreteriam e sumiriam dali, sempre achei esses copos um sinônimo de melancolia, pois o gosto amargo que rasga a garganta só é aceito pelo alívio psicológico gerado, mais uma fuga da realidade, tapando com um pano escuro toda uma existência sem significados. Meus dois colegas discutiam alguma coisa supérflua, enquanto fumavam seus cigarros baratos, soltavam várias gargalhadas e deixavam seus dentes amarelados à mostra ao passo que eu me limitava a lhes oferecer leves sorrisos e a falsa sensação de que demonstrava algum interesse no que diziam. Haviam diversas pessoas no estabelecimentos, as mesas estavam repletas de pessoas bem vestidas com seus diálogos descontraídos, a sua maioria era formada por advogados, os mesmos pseudo intelectuais, introspectivos cientes do vazio que os preenchem, das amarguras e tristezas que tomam conta de suas vidas, assim como eu, todos são iguais, criando assim uma imagem externa de aparências superficiais, são tantas gargalhadas que quando demasiadas demonstram o desespero que age por trás de tudo.
Quando admiti pra mim mesmo que minha vida foi um fracasso, que eu não soube utilizar das ferramentas que foram-me proporcionadas, ficou mais claro enxergar a vida, a aceitação foi deveras angustiante, contudo libertadora. Agora não espero nada ilusório, me cansei da obrigação de possuir um sonho, de almejar coisas que só nos fazem cair e perceber que somos incapazes, não quero mais isso para mim, não quero nada além da fronteiras seguras da minha capacidade. Quando me sento nessa mesa todas as sextas-feiras, percebo o quão grande são meus anseios e como é tão difícil me sentir sozinho entre tantos, a certeza de que mais pessoas sentem os mesmo de certa forma me abala.
Pedi licença e levantei-me, um deles falava sobre a política econômica de um país qualquer, mal perceberiam minha ausência, todo aquele ambiente estava me causando náuseas, resolvi me refugiar no banheiro. Aquele homem de terno preto e gravata torta refletido no espelho não se parecia comigo, com o que eu era, não conseguia me reconhecer em nada, se é que isso já aconteceu alguma vez. Estava em meio a esses devaneios quando meu sangue congelou de súbito, havia uma garota sentada no canto do banheiro, coloquei a mão na boca para não gritar e ela deu um sorriso quando viu minha cômica reação.
- Você costuma usar o banheiro masculino sempre ? Perguntei abrindo um sorriso amigável, meu coração estava disparado.
- Pra falar a verdade, procuro não ser previsível em minhas atitudes, convenhamos que estar aqui nesse instante não é algo que você esperava. Disse ela ajeitando seus cabelos negros. Na verdade costumo me esconder de mim mesma aqui, tenho tantos problemas em minha vida que preciso de refúgio para pensar, muitas vezes escolho lugares inusitados como esse.
- Refúgio...estranho, mas não há como não sentir empatia, também me escondo para me massacrar com auto questionamentos. Disse eu com certa tristeza no olhar.
- Prefiro não buscar respostas, assim sofro menos, o que faço é contar as mesmas histórias, conto somente para mim para rever tudo e deixar as coisas mais claras, mas não tenho o poder de mudar nada, deixo-as como estão, nada de questionamentos, se eu refletir sobre algumas coisas por cerca de dois minutos, terei motivos para chorar por uma existência, sendo assim desligo essa parte do meu cérebro.
- As vezes busco esse interruptor mas não encontro.
- E com certeza muita gente também não, bem... agora eu vou andando, chega de perturbar o banheiro dos homens, já deixei muitas lágrimas por aqui, até mais.
Me deu um beijo na boca e saiu sem dizer mais nada, fiquei imóvel por alguns instantes passando a mão nos lábios, sem dúvidas tudo aquilo foi muito estranho, me senti cansado, por um instante me senti morto, mas só quem vive realmente pode se dar esse luxo.
Saí do banheiro e questionei um homem que estava próximo a porta se havia visto a garota, ele afirmou que não viu ninguém sair por aquela porta, olhei para mesa em que meus amigos estavam e não havia mais ninguém, já haviam se retirado. Me senti mais sozinho do que nunca e saí do estabelecimento, andei pelas ruas escuras sem rumo aparente, percebi que tudo o que eu sentia era muito mais do que a solidão, que talvez a garota nunca tivesse existido contudo eu queria encontrá-la, mas quem iria me procurar ? quem sentiria minha falta ? a certeza de não existir me corroía, mas naquela noite aprendi a deixar as indagações de lado.

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11/05/2004 18:52:58

CALMA LÁ !!!

Aviso à quem for ler o conto "O estupro": Não, eu não sou um estuprador nem um psicopata, é apenas um conto em primeira pessoa que eu não imaginei que causaria essas reações, tem gente até achando que eu estuprei alguém Eu sei que é chocante, mas eu queria mostrar um crime visto por outro ângulo que não o da vítima, queria desvendar a mente doentia de um pessoa, aparentemente, comum. Só isso. Geralmente escrevo sob influência do que leio, sendo assim esse conto tem muito do livro "O diário do Farol" do Ubaldo Ribeiro, recomendo à quem gosta do gênero. Não quero transformar esse blog em algo desagradável de ler (acho que foi isso que aconteceu, pois está muito chocante) só quero que compartilhem da minha imaginação e no momento é que me cabe escrever, mas não descarto a possibilidade de caminhar por outros estilos ok !
Obs: Se até acharam que era tudo real, é um sinal de que eu não sou uma pessoa normal ? e se eu já matei alguém e agora não lembro ? Será que já desmembrei alguém na mesa da cozinha ? Acho que tem sangue de outra pessoa na minha roupa ! Vou mudar o nome do meu blog para "Devaneios de um Psicopata" heheh
Não me abandonem, eu sou normal

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08/05/2004 17:13:35

O ESTUPRO

Ser visto como um "monstro" pela sociedade não me causa mal algum, sou rotulado de diversas formas, entretanto as pessoas não fazem idéia de quem eu sou e o que se passa comigo. Não tenho o mínimo interesse de saber quem irá ler esse relato, sendo assim se me julgarem de qualquer modo, saibam: vocês não são os primeiros e nem serão os últimos a me odiarem, as opiniões adversas causam pouco ou nenhum impacto sobre minha atitudes e o meu modo de agir, sou autêntico ? claro que não, tem milhares de bêbados e vagabundos que fazem o mesmo por aí, qualquer mulher passando sozinha por alguma rua pouco movimentada vira matéria prima de barbáries, meu diferencial é que tenho consciência do que faço. As pessoas perdem o seu tempo querendo buscar na mente de um psicótico como eu, o porquê de tais atitudes, reviram o passado da pessoa ou "animal" como queiram e descobrem que o cara foi abusado na infância, foi agredido e agora se rebela contra o sistema de maneira agressiva. Confesso, não tive uma infância invejável, o porco do meu pai fazia o que queria comigo e com minha a mãe, a qual morreu a pedradas na frente de casa (ela estava de olho no vizinho, segundo meu pai), vendo por esse ângulo, os percalços de minha infância podem ter gerado o "ser" que hoje sou, mas quem não tem problemas na família ? os estupros que cometo não são um cano de escape e sim a essência da minha existência, eu gosto do que faço e não culpo ninguém por isso.
Ontem foi um dia bem comum, por volta da 1 hora fui até o matagal próximo à estrada de chão, prefiro esse local pois não há iluminação, o lugar tem fama de ser perigoso mas as pessoas insistem e passar por ali para "cortar caminho". Levei uma garrafa de whisky barato, quando a mesma estava quase na metade vi a menina se aproximando, acho que ela deveria ter uns 14 anos, eu adoro as mais novinhas pois são mais fracas e exigem pouco esforço. Descuidada que é, estava caminhando sozinha, estava calor e uma leve brisa pairava no ar, as folhas do matagal se sacudiam lentamente, me abaixei e aguardei, ela olhava a todo instante para os lados, parecia um pouco apreensiva "elas parecem pressentir" pensei comigo. Assim que ela passou, atravessei a rua bruscamente ao passo que ela levou um susto e começou a caminhar mais rápido, comecei a chamá-la e ela correu, rapidamente alcancei-a e chutei suas pernas, ela caiu de bruço esfolando as mãos no cascalho, dei um tapa na sua nuca e a puxei para dentro do mato por cerca de oito metros, até fugir de vista de qualquer moribundo que estivesse passando pelo local. Quando comecei a tirar sua roupa ela já não agüentava mais gritar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto e aquilo me deixava eufórico, beijei ela diversas vezes e disse que a amava e que seria muito bom, ela era um vadia e iria gostar. Penetrei-a de maneira brusca e ela gritou de dor, logo pude ver o sangue em suas coxas, continuei com movimentos mais suaves enquanto seu corpo se debatia freneticamente, aquilo estava me irritando então lhe dei vários socos na face até acalmá-la, tirei sua camisa e belisquei seus mamilos com violência, sua expressão de pavor me alimentava, e assim foi por longos 20 minutos, ela olhava para o céu como se estivesse pedindo socorro, mas agora era tarde eu já tinha terminado, tinha sido muito bom. Geralmente esfaqueio ou sufoco as garotas para que eu seja o último homem delas, mas os olhos apavorados daquele menina me fizeram lembrar minha filha de mesma idade, portanto a deixei ali, com seu pavor, sua dor física e moral, todo aquele sangue nas pernas nuas, não sei de que maneira ela irá encarar a vida daqui para frente, se isso terá algum significado, talvez ela vire um pessoa desequilibrada, afinal, agora tem seus motivo. Quanto a mim posso afirmar que continuo levando minha vida pacata, quando sentir vontade farei tudo novamente, é muito bom sentir toda aquela adrenalina, toda a dor do mundo, minha vida seria um vazio sem isso, é a minha essência.

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02/05/2004 09:08:40

DOMINGO, DIA DE CHURRASCO NA CASA DO JOÃO


Faltava pouco para o meio-dia quando João saiu de casa em um bairro nobre de Curitiba, rumo ao açougue mais próximo, acendeu o Camel amassado que estava em seu bolso, pigarreou por um instante e continuou à fumar. Fazia um calor agradável naquele domingo, a ausência de nuvens no céu indicavam que haveria mais calor durante o dia, João adorava caminhar em dias assim, fazia questão de deixar seu Audi na garagem e "esticar um pouco as pernas", como costumava dizer. Cumprimentava à todos que via pela rua, sempre foi visto como um bom vizinho durante os trinta anos que morou no local, e possuía grande afinidade com os moradores mais antigos, sempre almoçava na casa de amigos e participava das diversas comemorações da chamada "Alta sociedade".
Trabalhou como Advogado durante praticamente toda sua vida, adquirindo um status invejado por muitos, nunca casou pois sempre teve que dedicar seu tempo à sua mãe doente, as pessoas o admiravam por isso, ele era forte e não demonstrava problema algum com relação à solidão.
Chegou no açougue, apagou o cigarro e cumprimentou o balconista, trocaram algumas palavras sobre o jogo do dia anterior, em seguida João comprou dois sacos de carvão e dirigiu-se para sua casa, fez o caminho de volta lentamente cantando algumas canções antigas, quando chegou, deu uma breve olhada para fora antes de fechar a porta, sem dúvidas seria um dia lindo. Colocou o carvão na churrasqueira e acendeu o fogo, ainda demoraria certo tempo para ficar no ponto ideal, sendo assim poderia terminar o serviço.
O corpo de sua mãe, uma senhora de 78 anos estava em cima da mesa da cozinha, completamente nu e ensangüentado, João havia utilizado um martelo no crânio da senhora para começar a preparar o almoço, foi até a pia cantando uma música animada, lavou as mãos, abaixou-se para pegar a faca na última gaveta, analisou o objeto e devolveu no local, foi até o armário do outro lado da cozinha e apanhou um cutelo, agora sim ficaria mais fácil. Se arrependeu de ter matado sua mãe na quarta-feira, afinal, o cheiro que o corpo exalava já poderia ser sentido na vizinhança toda e eles poderiam ficar intrigados com algo, contudo hoje seria dia de churrasco e tudo estaria terminado, empunhou o cutelo e começou a desmembrá-la.

Falando de outra coisa...

Eu não poderia deixar de agradecer à todos que visitam meu blog e deixam comentários magníficos, fico muito feliz de poder escrever para pessoas tão inteligentes e com opiniões tão legais (tá puxando o saco dos leitores né !) não, é só lerem os diversos comentários do ultimo post e verão que estou certo, são opiniões muito interessantes, sobre a realidade humana, pobreza e coisas do gênero. Gosto muito de provocar isso nas pessoas, por mais que não concordem com o que escrevo deixam sua opnião sobre o que eu escrevi e sobre seus pontos de vista, o que é muito bacana. Obrigado pelos 41 comentários, bati meu recorde com um post que ficou tão grande que eu pensei que ninguém iria ler, acho que subestimei à todos e você me surpreenderam. Valeu mesmo !



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24/04/2004 10:26:00

PASSEIO NO SHOPPING

Parou para descansar um pouco, enxugou o rosto com a manga da blusa rasgada, o suor já havia alcançado seus olhos que agora ardiam muito, o sol do meio dia já tinha se tornado algo insuportável, teria que ir para uma sombra. Olhando para o outro lado da rua viu um shopping center, várias senhoras bem vestidas saíam de lá com inúmeras sacolas nas mãos, jovens tomando sorvete e alguns seguranças na entrada.
Deixou seu carrinho próximo ao meio fio, naquele dia ela havia acordado as 4:30 h da madrugada, sempre acordava nesse horário para conseguir mais papel e quem sabe alguma coisinha para comer, segundo ela, os lixos dos grandes edifícios escondiam maravilhas para sua degustação. Certo dia encontrou até um pote de camarão ao molho que ainda nem estava apodrecido e jogaram fora, estava escuro e não podia ver nada direito, mesmo assim estava uma delícia, ficava espantada com quanta comida era desperdiçada, o mesmo acontecia nas feiras de frutas e verduras, sempre passava por lá quando todos já tinham ido e pegava alguns alimentos "bons" do chão.
Atravessou a rua e entrou no shopping sob o olhar desconfiado dos seguranças, haviam inúmeras pessoas lá dentro que, quando passavam próximo à ela, desviavam com certa aversão - na certa veio roubar alguma coisa ou pedir comida - comentavam alguns, contudo, ela não percebia tal aspereza, pois achava isso normal no ser humano, afinal ela sem dúvidas era inferior e se colocava no seu lugar, não contribuía de forma alguma para que o mundo fosse um lugar correto. As pessoas que nasceram nas famílias certas, conviveram com as pessoas certas, essas sim eram importantes para humanidade, e o que elas tinham de melhor ? oras, tinham nascido na família certa, e só, sem mais perguntas por favor.
Com o tempo se acostumou a ser vista como um animal sujo que rasteja pelas ruas em busca de sobrevivência, afinal era isso que ela era, não havia propósitos para sua existência, somente a sobrevivência. Viu um loja de cosméticos, algumas mulheres se maquiavam lá dentro, aqueles potes de cremes lhe davam água na boca. Percebeu que a maioria das lojas eram de coisas supérfluas, como podiam gastar dinheiro com tantas baboseiras sendo que havia tanta fome ?, no shopping só deveria ter comida, pensou consigo. Parou em frente a uma loja de vestidos, ficou durante dez minutos admirando um longo vestido prata, não tinha sonhos concretos na sua vida, mas gostaria muito de ser uma princesa, isso significava conforto e bajulações, entrou e pediu para provar o vestido. As vendedoras acharam aquilo uma ofensa, afinal, aquela mulher nunca teria dinheiro para pagar tal vestido, de fato ela não possuía o valor necessário, mas seu objetivo era somente provar, para que durante um minuto de sua vida se sentisse menos oprimida e um pouco feliz, daria até um sorriso, naquele minuto ela seria um princesa. Mesmo com grande insistência não atingiu seu objetivo e foi expulsa sem mais explicações, ela estava imunda e sujaria o vestido.
Logo as lágrimas vieram e sentiu grande tristeza, mas ela sabia que aquele era um sonho inatingível, continuou a caminha cabisbaixa, lembrou que deveria voltar para casa, as crianças já deveriam estar com fome, resolveu pegar um pouco de papel e latinhas das lixeiras do shopping, sentou no piso gelado, virou o lixo no chão e começou a separar o que era de seu interesse, as pessoas que circulavam pelo local ficaram horrorizadas e logo os seguranças foram acionados, ela tentou explicar que colocaria tudo no lugar mas já estava sendo arrastada para fora, todos achavam que ela havia roubado alguma coisa. Deixaram ela na rua e lhe disseram para não voltar mais. Eles estavam certos, afinal, aquele não era seu lugar, ela não pertencia aos "necessários para existência", se sentiu triste pois as pessoas que lhe olhavam com tanta repugnância eram tão vazias que mal poderiam refletir sobre seus próprios defeitos, os quais às tornariam realmente repugnantes.
Quando a chuva começou ela já estava quase chegando em casa, um barraco de dois cômodos feito de lona, estava muito cansada , os bebês já haviam dormido, sua filha mais velha de 10 anos veio lhe abraçar, ela soltou um suspiro e perguntou como havia sido o seu dia:
- Hoje eu fui passear no shopping minha filha.

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18/04/2004 18:44:12
CONTROLE REMOTO

Liga - Estamos sobrevoando o desabamento aqui na zona norte e...Bzzz...Olha aqui seu Ratinho ! a Marineusa não tinha nada com Joseclécio, o filho não é dele eu quero o exame de DN...Bzz... Quer pagar quanto ? aqui nas...Bzz...O presidente www.George Bush.com afirma que o objetivo é verificar a existência de armas químicas no Ir...Bzz...parte do corpo humano com duas letras, valendo mil reais...Bzz... ligue para 0800-8888 e doe a sua parte, ou você não se importa com o mundo ?...Bzz... assista Lágrimas da emoção, sua nova novela mexi...Bzzz...segundo Bush a existência de petróleo no local foi simples coincidência e...Bzz... as imagens mostram os traficantes atirando contra os polici...Bzz..

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21/01/2005 18:19:18

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!


Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Fernando Pessoa, 23-10-1931

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30/11/2004 17:55:46


ULTIMO POEMA


Assim eu quereria o meu último poema.

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

(Manuel Bandeira)


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06/11/2004 14:25:23
O QUADRO


O sol todos os dias é o mesmo
Onipotente, esconde a lua e esquenta corações
Minha vida todos os dias é a mesma
Monotonia e nada de emoções

O sol dita as regras, o mundo acontece com a luz
Que regras dito em minha vida não sei
Dia após dia nada nessa vida me seduz
Vivo no passado,
Nostalgia
Relembrar me traz paz e alegria
Quando o sol se esconde lá no alto daquelas montanhas
Perto da árvore onde demos o primeiro beijo
Iniciais dentro de um coração
O tom alaranjado do céu
Iluminava todo gramado, com um verde quase vivo
O vento espalhando seus cabelos dourados
E o sorriso. Ah Deus, nunca vou esquecer aquele sorriso
Uma pintura, para ser emoldurada e guardada em um local seguro
Lamento o sol ir embora e deixar tudo no escuro

Mas o sol dita as regras
E aquele beijo foi o último
A escuridão expandiu-se dentro de mim
Todos os lados o vazio, o nada a falta de sentido
O sol se escondeu no horizonte e te levou de mim
A vida dá calafrios
O breu invade a alma
Sinto arrepios, perdi a calma
Como pode tudo desmoronar,
A árvore ainda está lá,
O relevo dos nomes gravado em seu tronco
Nem a chuva irá apagar
Meus dias agora são todos de pura monotonia

Mas o sol dita as regras
O dia nasce e se prolonga
A flor nasce e floresce
O amor nasce e permanece ,
Ele está lá na moldura esperando você
A obra de arte que você me fez viver
Estarei esperando o sol aparecer
Para completar as cores que faltam
Na aquarela das nossas vidas


Leia mais em: www.devaneiosdocotidiano.zip.net

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17/10/2004 14:19:12
FOTOS DE CORUPA (SANTA CATARINA)

Esse provavelmente é o lugar mais lindo que fui em toda a minha vida. São 14 cachoeiras belíssimas, para chegar à todas é necessário encarar uma trilhar escorregadia por cerca de três a quatro horas com paisagens impagáveis.

Resumo: Levei um tombão e esfolei meu joelho e quase morri pois escorreguei por alguns metros e havia um precipício não muito longe rsrs Bendita pedra que eu consegui me segurar.
O rapaz de shorts vermelho levou um tombo ainda pior e ficou cheio de barro o caminho todo rs
Pão, presunto e alface - ótima refeição para quem está morto de tanto andar...
Água da geladeira é um pouco mais quente que as encontradas naquelas cachoeiras...

Aquele com a camiseta escrito Vódka (sugestivo não ?!) sou eu...
No meio meu amigo anormal e companheiro de todas as horas Herick, na direita o rapaz que finge ser musculoso chama-se Márcio. Também estão aí a Mônica e a Gislaine com o boné "mamãe não me perca na cachoeira"

No fim do mês estamos lá novamente se Deus quiser

*Desculpem mas fiquei um tempão tentando virar a última foto na posição correta e não consegui. Favor enclinar a cabeça para a esquerda rs







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11/09/2004 11:46:02

VAI,ESCREVE A SUA HISTÓRIA

Puxa a cadeira e senta, o cigarro continua no canto direito da boca (os lábios já estão amarelados nesse local), estica os braços, movimenta o pescoço para todos lados, um estalo feio soa pela cabana vazia. Dedos enrugados, pele áspera e uma mente brilhante, sem igual. Tudo o que os olhos azuis e cansados viram durante todas as estações torna-se poesia, histórias incríveis, contos fantásticos, pode até não haver importância em todos os atos e momentos, de fato, mas isso não importa agora, ele irá escrever a história de sua vida. Imaginação um pouco limitada, mas não há muito o que criar, apenas contar, pois os momentos estão ali, imóveis no infinito, na tarde em que à avistou pela primeira vez na estrada de chão – Ah como ventava naquele dia - no seu ipê brilhando como o sol, era só seu em meio a muitos, e de beleza incomparável. Tudo estava no seu baú de tesouros, suas lembranças. Toma um longo gole de cerveja, solta um pequeno arroto e ri de si mesmo, ainda não decidiu quem citará nos agradecimentos, mas não tem problema, o papel ainda está em branco. Tem convicção de que deve começar contando as peripécias de sua juventude, mas não encontra nada que irá prender o leitor, apenas estudo e algumas farras, mas nada significativo. Talvez seus questionamentos quanto a existência resultassem num bom prólogo, mas acabaria tornando-se um livro de lamentações ininteligíveis, tendo em vista que hoje, já com aroma senil na pele, ainda não possuí uma opinião concreta quanto ao assunto. Decidiu então escrever sobre a vida adulta, trabalho, casamento, filhos tudo como deve ser, pois foi assim que chegou até onde está.


- Tudo como deve ser ? Perguntou para o nada.


Talvez a imagem que possuí de uma vida feliz e de sucesso não é de toda verídica, oculta esse pensamento da mente e dos olhos, mas está tão presente quanto sua barba branca. Ele não é e nunca foi feliz. "Não possuí talento algum", são essas as palavras que doem, mas nesse instante a verdade se põe soberana à sua frente, as lágrimas que caem são o reflexo do fracasso. Buscar inspiração na sua vida cotidiana de nada bastava, os elogios nunca foram verdadeiros, tem isso nítido em sua mente já que não consegue escrever mais nada sobre sua própria vida – que vida ? – pois o que viveu dia após dia foi apenas uma peça de teatro na qual interpretava a si mesmo um personagem feliz, mas que guardava mágoas das pessoas à sua volta, que não amava ninguém a não ser a si mesmo, e que sentia prazer na dor, no choro do próximo. Sentia prazer ao defrontar-se com o sofrimento alheio à sua realidade inequívoca. Os pensamentos lhe vêem à mente de maneira perturbadora, uma explosão dentro de si que se propaga de maneira violenta, em apenas alguns segundos a máquina de escrever se faz em pedaços. Sai da cabana com os papéis em branco nas mãos – sua vida – o céu está azul e não há nuvens, "perfeito", pensa consigo, respira fundo e caminha pela trilha que leva até o lago, seus ossos fracos já não lhe permitem muito esforço, mas há algo a ser feito. Ajoelha-se próximo ao lago, evita o reflexo do velho cansado que o desafia, as lágrimas em seus olhos prejudicam ainda mais sua visão debilitada e com um grito fraco, quase inaudível, joga todos os papéis para o alto os quais caem um a um na água e afundam lentamente. Levanta-se com dificuldades, caminha alguns passos rumo à cabana, para por alguns instantes e observa as árvores ao redor, o vento. Ele acaba de jogar sua vida fora, tudo o que ele possuía estava naqueles papéis, voltou-se de súbito, o brilho do lago o cegava, fechou os olhos e limpou as lágrimas, precisava buscar o que era seu. Reuniu todas as suas forças e correu... o salto não foi longo, na queda conseguiu apanhar uma folha em branco que afundava tristemente na água gelada, mas ainda haviam várias espalhadas, diversas já haviam afundado, ele decidiu juntá-las todas, mas já não havia força para isso. Ele não saiu do lago e as folhas continuaram em branco por toda a eternidade.

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21/01/2005 18:19:18

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!


Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Fernando Pessoa, 23-10-1931

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17/07/2004 11:31
O ESTUPRO II - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA


Essa é a continuação do conto O estupro publicado em 08/05/2004 Esse conto gerou certa polêmica na época então achei que seria bacana mostrar os dois ângulos dessa tragédia, "divirtam-se".

O sorriso ainda estava em seus lábios quando atravessou a rua, esse fora o seu primeiro beijo, envergonhada que estava deixou transparecer isso ao menino, afinal, sua mão não parava de tremer. Mesmo assim não deixou de ser mágico, sentir a língua macia de um garoto junto à sua era sem dúvidas uma ótima experiência, ela tinha agora 13 anos e algumas de suas amigas de 14 ainda não possuíam tanta experiência nesses jogos de amor. Do primeiro olhar até aquele beijo foram-se três meses, falta-lhe coragem para tal atitude, mas tudo ocorrera da meneira que previu, ficaria lembrando desse beijo para o resto de sua vida. Perdida em seus devaneios amorosos, caminhou sozinha naquela noite de muito calor, o caminho para sua casa era longo e por isso resolveu passar pela estrada que atravessava o matagal, assim chegaria mais rápido e ligaria para suas amigas para contar o seu feito extraordinário. A estrava estava completamente vazia o que a amedrontou um pouco, só conseguia ouvir o barulho das folhagens ao vento e o ruído dos seus pés contra o cascalho, caminhou rapidamente, eram no máximo 200 metros. De súbito escutou um barulho atrás de si, deu uma breve olhada e viu um homem saíndo do matagal, ele a chamou, nesse instante o coração da menina parecia querer sair do peito, foi quando ela começou a correr, mas não foi possível ir muito longe, sentiu uma forte dor nas pernas e caiu no chão machucando suas mãos, em seguida levou um tapa na nuca e começou a ser puxada para dentro do mato. O homem cheirava à bebida e estava muito suado, forte que era, conseguiu segurá-la com muita facilidade, a menina gritava desesperada por socorro, seus olhos estavam injetados de pavor. Ele tirou sua roupa e ela sentiu um movimento forte em sua virilha, quase explodiu em dor, sentia como se uma faca fora cravada em seu ventre a qual deixava feridas enormes, aquele homem nojento não saía de cima dela e falava diversos palavrões em meio à muita saliva. Ela olhava para o céu e pedia para que algum milagre acontecesse naquele instante, que tudo aquilo fosse só um pesadelo, queria muito voltar para a vida normal, onde havia beijado um menino e sentia-se muito feliz, queria a vida onde a sua família a amava e estava segura nesse amor, ela queria ficar viva mas a dor que corroía seu corpo lutava contra isso. Foi agredida diversas vezes e em meio as lágrimas perdeu os sentidos, acordou alguns minutos depois e o homem não estava mais lá, sentiu um dor insuportável que parecia ir além de sua alma, havia muito sangue nas suas pernas, ficou de joelhos e procurou suas roupas, pela segunda vez naquele dia suas mãos tremiam, vestiu-se lentamente, tirou o capim que estava em seu cabelo e foi para sua casa, sentia-se suja. Não conseguiu olhar nos olhos de sua mãe naquela e noite e muitas outras madrugada insones que vieram, na verdade não conseguia olhar para ninguém, nem mesmo o menino que beijara, permanecia reclusa aos hábitos da sociedade e imaginou que seria assim pelo resto de sua vida, aquela dor em seu ventre não passaria nuca. Cerca de três meses após ser violentada, estava sentada em sua cama, muitas lágrimas escorriam pelo seu rosto e na sua mão estava um vidro de veneno para ratos, olhava para aquilo e lembrava-se daquela maldita noite, sua vida havia terminado depois de seu primeiro beijo, não fora somente sua inocência que havia sido roubada e sim sua essência como um todo. Tomou um longo gole do veneno e deitou-se na cama. Deus havia lhe ouvido naquela noite do estupro, pois se ela pediu um milagre naquele instante, de fato isso aconteceu, pois jogado no canto do quarto havia um teste de gravidez, o resultado era positivo.

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11/07/2004 09:53
UM POUCO DE COCAÍNA POR FAVOR !

Quando finalmente despertou sentiu uma forte dor na nuca, passou a mão no local e percebeu que havia algum líquido ali, era impossível saber se era sangue tal era a penumbra do local. Levou os dedos até a boca e houve a confirmação, de fato ela estava ferida, logo, percebeu também que estava toda suja e rasgada, só que havia um problema... ela não fazia idéia de como fora parar ali. Começou a entrar em pânico quando percebeu que o ambiente, que possuía um cheiro fétido, estava totalmente fechado, ficou tateando como cega desesperadamente e o que descobriu foram tijolos de uma parede muito úmida num pequeno espaço de um metro e meio no máximo. Sem dúvidas estava dentro de um poço, e buscava em vão algum tipo de saída, pois não conseguia entender o que estava acontecendo, se indagou se estava sendo seqüestrada, contudo, não havia motivos para tal tendo em vista que nunca possuiu muito dinheiro. Então começou a gritar com sua voz rouca em busca de ajuda mas não houve qualquer tipo de resposta, não havia na verdade som algum naquele lugar, talvez fosse o inferno, algum tipo de brincadeira ou até mesmo um sonho, mas a dor em sua nuca era um fragmento de realidade, tudo aquilo era muito insano. Não tinha noção de quanto tempo havia passado, já sentia uma cede insuportável quando, começou a passar a língua nas paredes tentando captar um pouco da umidade, mas sabia que logo sentiria fome e seria esse seu fim, passava a mão pelo seu corpo de maneira violenta puxando diversos fios de cabelo com muita força, aquela dor era um vestígio de vida. Não poderia morrer de fome e sede naquele lugar horrível, sem espaço, sem luz, o fato de não enxergar nada deixava seu desespero ainda maior, foi quando começou a jogar seu corpo contra a parede de forma muito agressiva, deu diversas cabeçadas contra os tijolos, enquanto se debatia e chorava, lembrava de sua família e amigos. Sua vida era sim medíocre, entretanto era o que possuía, não soube aproveitar tudo o que lhe foi proporcionado mas vagou por essa terra de dores e angústia com bravura, tudo o que era lúcido não à atraía pois as desesperanças eram deveras motivo para um suicídio, permaneceu como se entorpecida durante todos os seus dias para derrepente acordar em um poço, sem explicação alguma, era a primeira vez que gostaria de entender algo, de saber a verdade. O sangue escorria pelo seu ouvido quando perdeu a consciência Cerca de cinco horas depois começou a ouvir um barulho longínquo, balançou a cabeça e percebeu que estava toda machucada, seu nariz estava quebrado, o barulho aumentou. Eram diversas pessoas conversando, mas o som não era inteligível, ela começou a gritar pedindo socorro, foi então que o som extinguiu-se, ficando ela também em silêncio, seu coração batias descompassado. Havia uma pedra tapando o poço a qual foi retirada, a luz invadiu o local à cegando por alguns instantes, quando recuperou a visão viu um céu esverdeado e sem nuvens onde pássaros negros sobrevoavam calmamente, avistou algumas mãos acima do poço e clamou por ajuda, finalmente Deus havia ouvido alguma coisa, foi quando uma porção de terra caiu sobre seu rosto ferindo seus olhos, limpou com as costas das mãos e perguntou o que estava acontecendo, não houve resposta lá de cima, só percebia diversas pás que jogavam terra incessantemente. Ela começou a sorrir, seu sorriso logo se tornou uma gargalhada assustadora, deitou-se no chão gelado e a terra começou a cobrir seu corpo estava sendo enterrada viva.

www.devaneiosdocotidiano.zip.net
enviada por eder



27/06/2004 18:12

CARTA DE UM SUICIDA

Sabe, muitas vezes escrevi para passar o tempo, para contar coisas da minha vida, meus segredos de forma implícita, para divagar sobre ambientes estranhos, escrevi para falar do vento no meu rosto e sobre imenso céu cinza sobre a minha cabeça, porém, dessa vez escrevo para dizer que é a última vez que vocês leram frases minhas, é o ponto final dessa prosa que foi minha vida.
Queria impressionar assim como fez Kurt, no seu discurso final, com uma despedida poética, mas esse tipo de dom não me convém, somente a fraqueza é que se iguala. Acho que quando se está no berçário nos seus primeiros instantes, já existe uma cobrança e uma meta a ser traçada, já no meu caso eu estava ausente no momento e nada foi estipulado para mim, essa busca incessante por objetivos trilharam o meu caminho até essas palavras que estás lendo.
A vida já não flui em minhas veias, não consigo encontrar motivos para ver um horizonte além dessas quatro paredes, tendo a luz do sol nenhum poder sobre meus anseios, não há nada além desse cômodo que me faça crer que algo ainda vale a pena. Eu tentei ... juro que tentei buscar os caminhos corretos, tomar as decisões certas e ser uma boa pessoa, fiz tudo isso e olho para mim e não vejo nada, somente a falta de esperança, sentimento dos tolos. Sei do mal que existe nessas madrugadas frias, dos demônios que existem dentro da mente humana, explicação para as brutalidades que por ai se espalham, mas que não me comovem mais.
Gostaria de ter agregado algo à vida de alguém, contudo, isso não foi possível, não me deram essa chance. Não há alguém para sentir minha falta, sabe, estar em um lugar distante, algum lugar de rara beleza e desejar com todas as suas forças para que você pudesse dividir aquilo com alguém. Me sinto triste por essas coisas, meu rosto magro e cansado é o outdoor da minha destruição. Vi que nada disso valeu a pena, nenhum esforço foi recompensado e nenhum amor correspondido, sendo esses comprimidos de grande valor nessa hora.
Não sei se ao terminar de escrever a coragem será a mesma, mas acho que comecei meu suicídio à muito tempo, quando revi minha vida, desde quando perdi a coragem de viver, não fui forte o bastante para esta batalha, isso explica o porque escrevo tão lentamente, estou me distanciando de tudo. Mas não quero causar tédio no leitor, seria a última impressão e não é o que pretendo deixar de legado. Não vou agradecer por todas as coisas que fizeram por mim, só vou pedir desculpes pelo o que não fiz por vocês, peço perdão por ser quem eu sou, minha mente me venceu.

Lucas 15 anos

DPOR FAVOR,DEIXEM SEU COMENTÁRIO NO MEU NOVO BLOG: www.devaneiosdocotidiano.zip.net
enviada por eder



07/06/2004 17:38
13/06 TUDO TRAVADO

Não estou conseguindo postar o Blig está em manutenção.
Escrevi esse conto logo abaixo e a única maneira que encontrei para postá-lo foi editar o post anterior e apaga-lo. Que droga ! Espero que gostem do conto mesmo assim.

MEU PAI

Naquela madrugada fria e sem estrelas o menino jazia sentado em sua cama, abraçava as pernas com força e as lágrimas fluíam sem controle algum, contudo era um choro silencioso, ninguém poderia ouvir, somente seus olhos pequenos expressavam o medo que sentia. Não tinha medo do escuro, não teve pesadelo algum, mas quando ouviu o carro chegando seu coração disparou, as luzes na janela do seu quarto tornavam-se assustadoras.
Sob efeito do álcool seu pai encontrava dificuldades em abrir a porta e naquele dia resolveu quebrar o vidro da sala, resmungava diversos palavrões ao passo que sua mãe abria-lhe a porta. Cuspia palavras ininteligíveis misturadas ao um cheiro etílico e suor, esse cheiro marcaria a infância do menino para sempre, entrava acusando a esposa de adultério e negando a paternidade dos filhos, eram horas de muita tenção onde quase chegavam à um clímax de agressões. Dia após dia as cenas se repetiam, cada vez mais amargas, uma nuvem cinza manteve-se naquela casa durante toda a vida, tudo o que ocorresse dali por diante seriam conseqüência dessas madrugadas insones.
E o menino cresceu, cercado de incertezas e de dores que perduram nesses dias tristes, a certeza de que nunca recebeu nenhum tipo de carinho do pai nem reconhecimento de algo o magoa muito, é um passado que gosta de guardar em um baú empoeirado em cima do armário juntamente com os seus fracassos. Não teve um exemplo a ser seguido, mesmo assim caminhou com seus próprios pés na direção que julgou ser a melhor, mesmo achando que a vida poderia ter sido mais simples se a coisas não fossem postas desta maneira, mesmo achando ser injusto não ter um pai. Só que nem sempre a cabeça está erguida, e nesses outonos não são só as folhas que caem, nesses dias em que a garoa insiste em cair as dores e lembranças teimam em voltar, sendo impossível conter a tristeza. Não há ninguém na rua e ele chora, chora feito um garotinho sentado em sua cama, morrendo de medo, pois seu pai chegará alcoolizado em breve. A chuva cai levemente sobre seu rosto misturando-se às lágrimas.

enviada por eder



29/05/2004 15:33
AS SENHORAS DE CURITIBA

Todos estavam equivocados quando julgaram ser um assalto o fato de um menino todo sujo estar próximo àquela senhora. Dona Eleonor, no auge de seus 68 anos, adorava passear no centro da cidade, estava elegante como sempre com seu casaco marrom e seus óculos grandes, sempre observando as lojas mais caras. O menino ao seu lado se chamava Luiz, morou na rua durante praticamente todos os seus 13 anos de vida, naquele inverno ele não negaria qualquer proposta que lhe fosse imposta, desde que ficasse longe do frio e das madrugadas intermináveis. Quando aquela senhora grisalha apareceu ele concluiu que não desperdiçaria a chance, dialogaram por alguns instantes e saíram andando em meio ao calçadão um ao lado do outro.
Quando chegaram no apartamento, Luiz percebeu que naquele lugar estava mais frio do que na rua, não entrava vento algum, contudo era de fato muito triste e vazio. Os móveis todos muito antigos e na sua maioria apodrecidos foram talhados de maneira meticulosa em mogno, haviam vários lustres e peças de prata. Enquanto ela fechava a porta atrás de si, ele foi logo ao banheiro na terceira porta, trancou e ficou encostado por alguns instantes, era um banheiro muito bonito que possuía até banheira. Não havia espelhos, assim como na casa inteira, outrora Dona Eleonor fora uma grande modelo fotográfica e passou a vida inteira fazendo uso de sua imagem, agora, diversos outonos depois ela se recusava a enfrentá-la, pois havia percebido que assim como a beleza o seu talento se fora, se é que realmente existiu algum dia. Para Luiz nada importava na personalidade da velha, o que ele não podia era passar mais uma noite com os ossos congelados, no dia em que perdeu três dedos do pé percebeu que não suportaria por muito tempo essa situação, precisava do dinheiro que ganharia – elas sempre pagam bem – pensou consigo, assim poderia comprar algo para entorpecer os sentidos e ficar longe desse mundo inóspito.
Eloisa estava sentada no sofá contemplando o vazio de sua casa, já havia perdido a conta de quantos anos ficara ali fazendo a mesma coisa, dia após dia, envelhecendo lentamente ao passo que a solidão corroía sua vida. Quando o glamúr se foi, levou consigo a felicidade superficial, porém constante, que invadia os seus dias, acabaram-se as festas, foram-se as amizades, termiram-se os amores ocasionais. Sentia-se desprezível, vasculhava dentro de si algum tipo de valor, contudo a busca era vã, nada sobrou, somente os dias intermináveis e cansativos de ócio e infelicidade que à fazia recorrer à esse tipo de atitude a amargura agora era sua grande parceira.
Luiz saiu do banheiro e se aproximou do sofá, ela o fitava com um olhar falso de felicidade, ele lhe deu um beijo longo, sentiu um pouco de ânsia de vômito, se afastou passou a mão nos lábios então, calmamente, começou a se despir.

enviada por eder



25/05/2004 18:33
FELICIDADE SUPERFICIAL, POST SUPERFICIAL, NOVIDADES E FRASES DE EFEITO, NÃO EU NÃO ME VENDI AO SISTEMA,SÓ ESTOU UM POUCO CANSADO

Desculpem a ausência, não estou com nenhum tipo de bloqueio para escrever, só não estou muito afim mesmo, já estou com um conto existencialista em mente contudo não vou colocá-lo aqui por enquanto. Obrigado pelos comentário no último post, eu sei que ficou do tipo “gigante” mas foi algo que escrevi com certa dificuldade e exigiu bastante de mim, sendo que não é um gênero que escrevo com frequência, mas quem leu gostou e isso me deixou bastante feliz pois é um dos contos que tenho mais orgulho de ter escrito.
Nessa semana fui à uma daquelas palestras motivacionais (lavagem cerebral), apesar disso não funcionar muito comigo achei algumas coisas relevantes. O cara (um senhor do Rio de Janeiro grisalho e muito bem humorado) falou por cerca de hora e meia sobre a felicidade e as maneiras de alcança-la (para quem almeja é claro). Disse que muitas vezes deixamos que um fato isolado (geralmente alguém petulante)estrague nosso dia por alguma bobagem, algo que falou, alguma ofença enfim, coisas assim, e não paramos para refletir as outras coisas boas que aconteceram em nosso dia, que geralmente são a maioria e podem tornar um dia muito feliz, sem complicações, é só uma questão de calma e percepção, é necessário colocar tudo numa balança e avaliar se vale a pena estragar o seu dia por pouca coisa. Devemos sempre comemorar as pequenas conquistas do dia a dia.
Portanto estou comemorando o fato de que finalmente passei na porr... do teste do DETRAN, não errei nada e logo estarei com o porte da arma em mãos !! Quer dizer a carteira de motorista, o melhor é que nem precisei subornar ninguém. Fiquei com pena de uma senhora que estava comigo, reprovou pela quarta vez (ou terceira, sei lá), dessa vez ela deixou o carro morrer quatro vezes na baliza, mesmo assim ela saiu sorrindo e dizendo que iria tentar novamente.

Comemorem suas conquistas, suas alegrias, valorizem as pequenas coisas.

Achei isso bem bacana, ele também disse uma frase interessante:

“Se você quer ser feliz, não se case. Se você quer fazer alguém feliz se case”
(esqueci o nome do cara)

Achei profundo, tirem suas conclusões.
Visito à todos em breve.
Escreverei mais contos nessa semana ainda

MOMENTO ESQUISITO:
Eu não credito em tudo que escuto ... mas pode fazer bem à alguém ... só relato coisas ... não posso me tornar alguém negativista ... mas não posso me vender ao popular ... sou realista ... me tolerem ... assisti Troy e não gostei, isso faz de mim uma pessoa anormal ? ... estou trabalhando muito e não posso assitir o Bob esponja ... o salário mínimo é mais engraçado que piada de português ... vi as fotos das toturas no Iraque ... e ainda falam dos meus contos ... eu já falei que não sou um estuprador né ...

enviada por eder



15/05/2004 19:03

UMA HISTÓRIA SOBRE NIGUÉM

Girava o copo de whisky lentamente, os cubos de gelo refletiam diversas imagens destorcidas, que logo derreteriam e sumiriam dali, sempre achei esses copos um sinônimo de melancolia, pois o gosto amargo que rasga a garganta só é aceito pelo alívio psicológico gerado, mais uma fuga da realidade, tapando com um pano escuro toda uma existência sem significados. Meus dois colegas discutiam alguma coisa supérflua, enquanto fumavam seus cigarros baratos, soltavam várias gargalhadas e deixavam seus dentes amarelados à mostra ao passo que eu me limitava a lhes oferecer leves sorrisos e a falsa sensação de que demonstrava algum interesse no que diziam. Haviam diversas pessoas no estabelecimentos, as mesas estavam repletas de pessoas bem vestidas com seus diálogos descontraídos, a sua maioria era formada por advogados, os mesmos pseudo intelectuais, introspectivos cientes do vazio que os preenchem, das amarguras e tristezas que tomam conta de suas vidas, assim como eu, todos são iguais, criando assim uma imagem externa de aparências superficiais, são tantas gargalhadas que quando demasiadas demonstram o desespero que age por trás de tudo.
Quando admiti pra mim mesmo que minha vida foi um fracasso, que eu não soube utilizar das ferramentas que foram-me proporcionadas, ficou mais claro enxergar a vida, a aceitação foi deveras angustiante, contudo libertadora. Agora não espero nada ilusório, me cansei da obrigação de possuir um sonho, de almejar coisas que só nos fazem cair e perceber que somos incapazes, não quero mais isso para mim, não quero nada além da fronteiras seguras da minha capacidade. Quando me sento nessa mesa todas as sextas-feiras, percebo o quão grande são meus anseios e como é tão difícil me sentir sozinho entre tantos, a certeza de que mais pessoas sentem os mesmo de certa forma me abala.
Pedi licença e levantei-me, um deles falava sobre a política econômica de um país qualquer, mal perceberiam minha ausência, todo aquele ambiente estava me causando náuseas, resolvi me refugiar no banheiro. Aquele homem de terno preto e gravata torta refletido no espelho não se parecia comigo, com o que eu era, não conseguia me reconhecer em nada, se é que isso já aconteceu alguma vez. Estava em meio a esses devaneios quando meu sangue congelou de súbito, havia uma garota sentada no canto do banheiro, coloquei a mão na boca para não gritar e ela deu um sorriso quando viu minha cômica reação.
- Você costuma usar o banheiro masculino sempre ? Perguntei abrindo um sorriso amigável, meu coração estava disparado.
- Pra falar a verdade, procuro não ser previsível em minhas atitudes, convenhamos que estar aqui nesse instante não é algo que você esperava. Disse ela ajeitando seus cabelos negros. Na verdade costumo me esconder de mim mesma aqui, tenho tantos problemas em minha vida que preciso de refúgio para pensar, muitas vezes escolho lugares inusitados como esse.
- Refúgio...estranho, mas não há como não sentir empatia, também me escondo para me massacrar com auto questionamentos. Disse eu com certa tristeza no olhar.
- Prefiro não buscar respostas, assim sofro menos, o que faço é contar as mesmas histórias, conto somente para mim para rever tudo e deixar as coisas mais claras, mas não tenho o poder de mudar nada, deixo-as como estão, nada de questionamentos, se eu refletir sobre algumas coisas por cerca de dois minutos, terei motivos para chorar por uma existência, sendo assim desligo essa parte do meu cérebro.
- As vezes busco esse interruptor mas não encontro.
- E com certeza muita gente também não, bem... agora eu vou andando, chega de perturbar o banheiro dos homens, já deixei muitas lágrimas por aqui, até mais.
Me deu um beijo na boca e saiu sem dizer mais nada, fiquei imóvel por alguns instantes passando a mão nos lábios, sem dúvidas tudo aquilo foi muito estranho, me senti cansado, por um instante me senti morto, mas só quem vive realmente pode se dar esse luxo.
Saí do banheiro e questionei um homem que estava próximo a porta se havia visto a garota, ele afirmou que não viu ninguém sair por aquela porta, olhei para mesa em que meus amigos estavam e não havia mais ninguém, já haviam se retirado. Me senti mais sozinho do que nunca e saí do estabelecimento, andei pelas ruas escuras sem rumo aparente, percebi que tudo o que eu sentia era muito mais do que a solidão, que talvez a garota nunca tivesse existido contudo eu queria encontrá-la, mas quem iria me procurar ? quem sentiria minha falta ? a certeza de não existir me corroía, mas naquela noite aprendi a deixar as indagações de lado.

enviada por eder



11/05/2004 18:52

CALMA LÁ !!!

Aviso à quem for ler o conto "O estupro": Não, eu não sou um estuprador nem um psicopata, é apenas um conto em primeira pessoa que eu não imaginei que causaria essas reações, tem gente até achando que eu estuprei alguém Eu sei que é chocante, mas eu queria mostrar um crime visto por outro ângulo que não o da vítima, queria desvendar a mente doentia de um pessoa, aparentemente, comum. Só isso. Geralmente escrevo sob influência do que leio, sendo assim esse conto tem muito do livro "O diário do Farol" do Ubaldo Ribeiro, recomendo à quem gosta do gênero. Não quero transformar esse blog em algo desagradável de ler (acho que foi isso que aconteceu, pois está muito chocante) só quero que compartilhem da minha imaginação e no momento é que me cabe escrever, mas não descarto a possibilidade de caminhar por outros estilos ok !
Obs: Se até acharam que era tudo real, é um sinal de que eu não sou uma pessoa normal ? e se eu já matei alguém e agora não lembro ? Será que já desmembrei alguém na mesa da cozinha ? Acho que tem sangue de outra pessoa na minha roupa ! Vou mudar o nome do meu blog para "Devaneios de um Psicopata" heheh
Não me abandonem, eu sou normal

enviada por eder



08/05/2004 17:13

O ESTUPRO

Ser visto como um "monstro" pela sociedade não me causa mal algum, sou rotulado de diversas formas, entretanto as pessoas não fazem idéia de quem eu sou e o que se passa comigo. Não tenho o mínimo interesse de saber quem irá ler esse relato, sendo assim se me julgarem de qualquer modo, saibam: vocês não são os primeiros e nem serão os últimos a me odiarem, as opiniões adversas causam pouco ou nenhum impacto sobre minha atitudes e o meu modo de agir, sou autêntico ? claro que não, tem milhares de bêbados e vagabundos que fazem o mesmo por aí, qualquer mulher passando sozinha por alguma rua pouco movimentada vira matéria prima de barbáries, meu diferencial é que tenho consciência do que faço. As pessoas perdem o seu tempo querendo buscar na mente de um psicótico como eu, o porquê de tais atitudes, reviram o passado da pessoa ou "animal" como queiram e descobrem que o cara foi abusado na infância, foi agredido e agora se rebela contra o sistema de maneira agressiva. Confesso, não tive uma infância invejável, o porco do meu pai fazia o que queria comigo e com minha a mãe, a qual morreu a pedradas na frente de casa (ela estava de olho no vizinho, segundo meu pai), vendo por esse ângulo, os percalços de minha infância podem ter gerado o "ser" que hoje sou, mas quem não tem problemas na família ? os estupros que cometo não são um cano de escape e sim a essência da minha existência, eu gosto do que faço e não culpo ninguém por isso.
Ontem foi um dia bem comum, por volta da 1 hora fui até o matagal próximo à estrada de chão, prefiro esse local pois não há iluminação, o lugar tem fama de ser perigoso mas as pessoas insistem e passar por ali para "cortar caminho". Levei uma garrafa de whisky barato, quando a mesma estava quase na metade vi a menina se aproximando, acho que ela deveria ter uns 14 anos, eu adoro as mais novinhas pois são mais fracas e exigem pouco esforço. Descuidada que é, estava caminhando sozinha, estava calor e uma leve brisa pairava no ar, as folhas do matagal se sacudiam lentamente, me abaixei e aguardei, ela olhava a todo instante para os lados, parecia um pouco apreensiva "elas parecem pressentir" pensei comigo. Assim que ela passou, atravessei a rua bruscamente ao passo que ela levou um susto e começou a caminhar mais rápido, comecei a chamá-la e ela correu, rapidamente alcancei-a e chutei suas pernas, ela caiu de bruço esfolando as mãos no cascalho, dei um tapa na sua nuca e a puxei para dentro do mato por cerca de oito metros, até fugir de vista de qualquer moribundo que estivesse passando pelo local. Quando comecei a tirar sua roupa ela já não agüentava mais gritar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto e aquilo me deixava eufórico, beijei ela diversas vezes e disse que a amava e que seria muito bom, ela era um vadia e iria gostar. Penetrei-a de maneira brusca e ela gritou de dor, logo pude ver o sangue em suas coxas, continuei com movimentos mais suaves enquanto seu corpo se debatia freneticamente, aquilo estava me irritando então lhe dei vários socos na face até acalmá-la, tirei sua camisa e belisquei seus mamilos com violência, sua expressão de pavor me alimentava, e assim foi por longos 20 minutos, ela olhava para o céu como se estivesse pedindo socorro, mas agora era tarde eu já tinha terminado, tinha sido muito bom. Geralmente esfaqueio ou sufoco as garotas para que eu seja o último homem delas, mas os olhos apavorados daquele menina me fizeram lembrar minha filha de mesma idade, portanto a deixei ali, com seu pavor, sua dor física e moral, todo aquele sangue nas pernas nuas, não sei de que maneira ela irá encarar a vida daqui para frente, se isso terá algum significado, talvez ela vire um pessoa desequilibrada, afinal, agora tem seus motivo. Quanto a mim posso afirmar que continuo levando minha vida pacata, quando sentir vontade farei tudo novamente, é