Devaneios do cotidiano


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23/03/2004 19:13

AS NUVENS

- É um leão, tenho certeza !
- Claro que não, parece mais um cachorro. Disse ele sorrindo.
Naquele final de tarde os dois jaziam deitados naquele gramado imenso, o sol que à pouco produzira um calor intenso agora fornecia uma leve brisa agradável, o cheiro de grama cortada era um tanto quanto nostálgico, trazia lembranças de verões inesquecíveis, quantos e quantos dias permaneceram ali, simplesmente olhando para as nuvens e decifrando navios, casas e flores, a paz reinava naquele local e em seus corações. Luan não conseguia conter o amor que tinha pela irmã, lágrimas escorriam pelo seu rosto até chegar ao ouvido, se sentia feliz, seu sorriso denunciava isso.
- Porque choras ? Perguntou Ana se levantando com um pouco de grama preso aos seus cabelos dourados.
- Porque tenho a melhor irmã do mundo.
Ela retribuiu o sorriso e lhe deu um beijo no rosto, naquele instante pensou no quanto era bom ter ela ao seu lado, fazia com que ele se sentisse mais vivo. Sempre se deram muito bem, as vezes Luan se perguntava como haviam irmãos que brigavam tanto, seus vizinho eram assim, certo dia viu um deles com uma grande cicatriz na testa, descobriu depois que fora uma pedrada do irmão mais velho. Com Ana e ele as coisas eram diferente, eram cúmplices em todos atos, sempre que um arrumava algum tipo de confusão o outro encobria. Saíam todas as tardes para andar de bicicleta, nadavam no riacho e tomavam sorvete de morango. Nos dias de chuva alugavam um bom filme e ficavam embaixo das cobertas com um grande pote de pipoca, gostavam principalmente de comédias, quando não assistiam filmes jogavam xadrez, havia sempre uma partida em continuidade, a cada dia um fazia um lance.
E assim levavam a vida em harmonia, era claro a necessidade que um tinha do outro, não haveria existência sem esse amor, pois era ele que movimentava tudo, as nuvens estavam lá por causa desse amor que um sentiam um pelo outro, caso contrário, o céu seria uma imensidão cinza, sem vida.
Ele se levantou e com ajuda de Ana limpou as costas cheia de grama, ele fitou aqueles olhos azuis tão cheios de vida e suspirou. Deram as mãos e caminharam pelo parque em direção a sua casa.
As pessoas que viam aquele rapaz falando sozinho, achavam muito estranho, eles não sabiam que Ana havia morrido dois meses antes em um acidente de carro, o mundo parecia ter desabado para toda a família em especial para Luan que a amava tanto. Ele sabia que a irmã não tomaria mais sorvete de morango em uma tarde de sol, mas as vezes ela parecia tão próxima... continuou caminhando.

enviada por eder






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