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07/06/2004 17:38
13/06 TUDO TRAVADO
Não estou conseguindo postar o Blig está em manutenção.
Escrevi esse conto logo abaixo e a única maneira que encontrei para postá-lo foi editar o post anterior e apaga-lo. Que droga ! Espero que gostem do conto mesmo assim.
MEU PAI
Naquela madrugada fria e sem estrelas o menino jazia sentado em sua cama, abraçava as pernas com força e as lágrimas fluíam sem controle algum, contudo era um choro silencioso, ninguém poderia ouvir, somente seus olhos pequenos expressavam o medo que sentia. Não tinha medo do escuro, não teve pesadelo algum, mas quando ouviu o carro chegando seu coração disparou, as luzes na janela do seu quarto tornavam-se assustadoras.
Sob efeito do álcool seu pai encontrava dificuldades em abrir a porta e naquele dia resolveu quebrar o vidro da sala, resmungava diversos palavrões ao passo que sua mãe abria-lhe a porta. Cuspia palavras ininteligíveis misturadas ao um cheiro etílico e suor, esse cheiro marcaria a infância do menino para sempre, entrava acusando a esposa de adultério e negando a paternidade dos filhos, eram horas de muita tenção onde quase chegavam à um clímax de agressões. Dia após dia as cenas se repetiam, cada vez mais amargas, uma nuvem cinza manteve-se naquela casa durante toda a vida, tudo o que ocorresse dali por diante seriam conseqüência dessas madrugadas insones.
E o menino cresceu, cercado de incertezas e de dores que perduram nesses dias tristes, a certeza de que nunca recebeu nenhum tipo de carinho do pai nem reconhecimento de algo o magoa muito, é um passado que gosta de guardar em um baú empoeirado em cima do armário juntamente com os seus fracassos. Não teve um exemplo a ser seguido, mesmo assim caminhou com seus próprios pés na direção que julgou ser a melhor, mesmo achando que a vida poderia ter sido mais simples se a coisas não fossem postas desta maneira, mesmo achando ser injusto não ter um pai. Só que nem sempre a cabeça está erguida, e nesses outonos não são só as folhas que caem, nesses dias em que a garoa insiste em cair as dores e lembranças teimam em voltar, sendo impossível conter a tristeza. Não há ninguém na rua e ele chora, chora feito um garotinho sentado em sua cama, morrendo de medo, pois seu pai chegará alcoolizado em breve. A chuva cai levemente sobre seu rosto misturando-se às lágrimas.
enviada por eder
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