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17/07/2004 11:31
O ESTUPRO II - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA


Essa é a continuação do conto O estupro publicado em 08/05/2004 Esse conto gerou certa polêmica na época então achei que seria bacana mostrar os dois ângulos dessa tragédia, "divirtam-se".

O sorriso ainda estava em seus lábios quando atravessou a rua, esse fora o seu primeiro beijo, envergonhada que estava deixou transparecer isso ao menino, afinal, sua mão não parava de tremer. Mesmo assim não deixou de ser mágico, sentir a língua macia de um garoto junto à sua era sem dúvidas uma ótima experiência, ela tinha agora 13 anos e algumas de suas amigas de 14 ainda não possuíam tanta experiência nesses jogos de amor. Do primeiro olhar até aquele beijo foram-se três meses, falta-lhe coragem para tal atitude, mas tudo ocorrera da meneira que previu, ficaria lembrando desse beijo para o resto de sua vida. Perdida em seus devaneios amorosos, caminhou sozinha naquela noite de muito calor, o caminho para sua casa era longo e por isso resolveu passar pela estrada que atravessava o matagal, assim chegaria mais rápido e ligaria para suas amigas para contar o seu feito extraordinário. A estrava estava completamente vazia o que a amedrontou um pouco, só conseguia ouvir o barulho das folhagens ao vento e o ruído dos seus pés contra o cascalho, caminhou rapidamente, eram no máximo 200 metros. De súbito escutou um barulho atrás de si, deu uma breve olhada e viu um homem saíndo do matagal, ele a chamou, nesse instante o coração da menina parecia querer sair do peito, foi quando ela começou a correr, mas não foi possível ir muito longe, sentiu uma forte dor nas pernas e caiu no chão machucando suas mãos, em seguida levou um tapa na nuca e começou a ser puxada para dentro do mato. O homem cheirava à bebida e estava muito suado, forte que era, conseguiu segurá-la com muita facilidade, a menina gritava desesperada por socorro, seus olhos estavam injetados de pavor. Ele tirou sua roupa e ela sentiu um movimento forte em sua virilha, quase explodiu em dor, sentia como se uma faca fora cravada em seu ventre a qual deixava feridas enormes, aquele homem nojento não saía de cima dela e falava diversos palavrões em meio à muita saliva. Ela olhava para o céu e pedia para que algum milagre acontecesse naquele instante, que tudo aquilo fosse só um pesadelo, queria muito voltar para a vida normal, onde havia beijado um menino e sentia-se muito feliz, queria a vida onde a sua família a amava e estava segura nesse amor, ela queria ficar viva mas a dor que corroía seu corpo lutava contra isso. Foi agredida diversas vezes e em meio as lágrimas perdeu os sentidos, acordou alguns minutos depois e o homem não estava mais lá, sentiu um dor insuportável que parecia ir além de sua alma, havia muito sangue nas suas pernas, ficou de joelhos e procurou suas roupas, pela segunda vez naquele dia suas mãos tremiam, vestiu-se lentamente, tirou o capim que estava em seu cabelo e foi para sua casa, sentia-se suja. Não conseguiu olhar nos olhos de sua mãe naquela e noite e muitas outras madrugada insones que vieram, na verdade não conseguia olhar para ninguém, nem mesmo o menino que beijara, permanecia reclusa aos hábitos da sociedade e imaginou que seria assim pelo resto de sua vida, aquela dor em seu ventre não passaria nuca. Cerca de três meses após ser violentada, estava sentada em sua cama, muitas lágrimas escorriam pelo seu rosto e na sua mão estava um vidro de veneno para ratos, olhava para aquilo e lembrava-se daquela maldita noite, sua vida havia terminado depois de seu primeiro beijo, não fora somente sua inocência que havia sido roubada e sim sua essência como um todo. Tomou um longo gole do veneno e deitou-se na cama. Deus havia lhe ouvido naquela noite do estupro, pois se ela pediu um milagre naquele instante, de fato isso aconteceu, pois jogado no canto do quarto havia um teste de gravidez, o resultado era positivo.

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enviada por eder






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