Devaneios do cotidiano


Perfil




Blig Amigos

Arquivos

11/07/2004 09:53
UM POUCO DE COCAÍNA POR FAVOR !

Quando finalmente despertou sentiu uma forte dor na nuca, passou a mão no local e percebeu que havia algum líquido ali, era impossível saber se era sangue tal era a penumbra do local. Levou os dedos até a boca e houve a confirmação, de fato ela estava ferida, logo, percebeu também que estava toda suja e rasgada, só que havia um problema... ela não fazia idéia de como fora parar ali. Começou a entrar em pânico quando percebeu que o ambiente, que possuía um cheiro fétido, estava totalmente fechado, ficou tateando como cega desesperadamente e o que descobriu foram tijolos de uma parede muito úmida num pequeno espaço de um metro e meio no máximo. Sem dúvidas estava dentro de um poço, e buscava em vão algum tipo de saída, pois não conseguia entender o que estava acontecendo, se indagou se estava sendo seqüestrada, contudo, não havia motivos para tal tendo em vista que nunca possuiu muito dinheiro. Então começou a gritar com sua voz rouca em busca de ajuda mas não houve qualquer tipo de resposta, não havia na verdade som algum naquele lugar, talvez fosse o inferno, algum tipo de brincadeira ou até mesmo um sonho, mas a dor em sua nuca era um fragmento de realidade, tudo aquilo era muito insano. Não tinha noção de quanto tempo havia passado, já sentia uma cede insuportável quando, começou a passar a língua nas paredes tentando captar um pouco da umidade, mas sabia que logo sentiria fome e seria esse seu fim, passava a mão pelo seu corpo de maneira violenta puxando diversos fios de cabelo com muita força, aquela dor era um vestígio de vida. Não poderia morrer de fome e sede naquele lugar horrível, sem espaço, sem luz, o fato de não enxergar nada deixava seu desespero ainda maior, foi quando começou a jogar seu corpo contra a parede de forma muito agressiva, deu diversas cabeçadas contra os tijolos, enquanto se debatia e chorava, lembrava de sua família e amigos. Sua vida era sim medíocre, entretanto era o que possuía, não soube aproveitar tudo o que lhe foi proporcionado mas vagou por essa terra de dores e angústia com bravura, tudo o que era lúcido não à atraía pois as desesperanças eram deveras motivo para um suicídio, permaneceu como se entorpecida durante todos os seus dias para derrepente acordar em um poço, sem explicação alguma, era a primeira vez que gostaria de entender algo, de saber a verdade. O sangue escorria pelo seu ouvido quando perdeu a consciência Cerca de cinco horas depois começou a ouvir um barulho longínquo, balançou a cabeça e percebeu que estava toda machucada, seu nariz estava quebrado, o barulho aumentou. Eram diversas pessoas conversando, mas o som não era inteligível, ela começou a gritar pedindo socorro, foi então que o som extinguiu-se, ficando ela também em silêncio, seu coração batias descompassado. Havia uma pedra tapando o poço a qual foi retirada, a luz invadiu o local à cegando por alguns instantes, quando recuperou a visão viu um céu esverdeado e sem nuvens onde pássaros negros sobrevoavam calmamente, avistou algumas mãos acima do poço e clamou por ajuda, finalmente Deus havia ouvido alguma coisa, foi quando uma porção de terra caiu sobre seu rosto ferindo seus olhos, limpou com as costas das mãos e perguntou o que estava acontecendo, não houve resposta lá de cima, só percebia diversas pás que jogavam terra incessantemente. Ela começou a sorrir, seu sorriso logo se tornou uma gargalhada assustadora, deitou-se no chão gelado e a terra começou a cobrir seu corpo estava sendo enterrada viva.

www.devaneiosdocotidiano.zip.net
enviada por eder