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12/02/2005 12:11
(Adélia Prado)
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
enviada por eder
08/02/2005 14:24
21/01/2005 18:19:18
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Fernando Pessoa, 23-10-1931
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30/11/2004 17:55:46
ULTIMO POEMA
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(Manuel Bandeira)
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06/11/2004 14:25:23
O QUADRO
O sol todos os dias é o mesmo
Onipotente, esconde a lua e esquenta corações
Minha vida todos os dias é a mesma
Monotonia e nada de emoções
O sol dita as regras, o mundo acontece com a luz
Que regras dito em minha vida não sei
Dia após dia nada nessa vida me seduz
Vivo no passado,
Nostalgia
Relembrar me traz paz e alegria
Quando o sol se esconde lá no alto daquelas montanhas
Perto da árvore onde demos o primeiro beijo
Iniciais dentro de um coração
O tom alaranjado do céu
Iluminava todo gramado, com um verde quase vivo
O vento espalhando seus cabelos dourados
E o sorriso. Ah Deus, nunca vou esquecer aquele sorriso
Uma pintura, para ser emoldurada e guardada em um local seguro
Lamento o sol ir embora e deixar tudo no escuro
Mas o sol dita as regras
E aquele beijo foi o último
A escuridão expandiu-se dentro de mim
Todos os lados o vazio, o nada a falta de sentido
O sol se escondeu no horizonte e te levou de mim
A vida dá calafrios
O breu invade a alma
Sinto arrepios, perdi a calma
Como pode tudo desmoronar,
A árvore ainda está lá,
O relevo dos nomes gravado em seu tronco
Nem a chuva irá apagar
Meus dias agora são todos de pura monotonia
Mas o sol dita as regras
O dia nasce e se prolonga
A flor nasce e floresce
O amor nasce e permanece ,
Ele está lá na moldura esperando você
A obra de arte que você me fez viver
Estarei esperando o sol aparecer
Para completar as cores que faltam
Na aquarela das nossas vidas
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17/10/2004 14:19:12
FOTOS DE CORUPA (SANTA CATARINA)
Esse provavelmente é o lugar mais lindo que fui em toda a minha vida. São 14 cachoeiras belíssimas, para chegar à todas é necessário encarar uma trilhar escorregadia por cerca de três a quatro horas com paisagens impagáveis.
Resumo: Levei um tombão e esfolei meu joelho e quase morri pois escorreguei por alguns metros e havia um precipício não muito longe rsrs Bendita pedra que eu consegui me segurar.
O rapaz de shorts vermelho levou um tombo ainda pior e ficou cheio de barro o caminho todo rs
Pão, presunto e alface - ótima refeição para quem está morto de tanto andar...
Água da geladeira é um pouco mais quente que as encontradas naquelas cachoeiras...
Aquele com a camiseta escrito Vódka (sugestivo não ?!) sou eu...
No meio meu amigo anormal e companheiro de todas as horas Herick, na direita o rapaz que finge ser musculoso chama-se Márcio. Também estão aí a Mônica e a Gislaine com o boné "mamãe não me perca na cachoeira"
No fim do mês estamos lá novamente se Deus quiser
*Desculpem mas fiquei um tempão tentando virar a última foto na posição correta e não consegui. Favor enclinar a cabeça para a esquerda rs
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11/09/2004 11:46:02
VAI,ESCREVE A SUA HISTÓRIA
Puxa a cadeira e senta, o cigarro continua no canto direito da boca (os lábios já estão amarelados nesse local), estica os braços, movimenta o pescoço para todos lados, um estalo feio soa pela cabana vazia. Dedos enrugados, pele áspera e uma mente brilhante, sem igual. Tudo o que os olhos azuis e cansados viram durante todas as estações torna-se poesia, histórias incríveis, contos fantásticos, pode até não haver importância em todos os atos e momentos, de fato, mas isso não importa agora, ele irá escrever a história de sua vida. Imaginação um pouco limitada, mas não há muito o que criar, apenas contar, pois os momentos estão ali, imóveis no infinito, na tarde em que à avistou pela primeira vez na estrada de chão Ah como ventava naquele dia - no seu ipê brilhando como o sol, era só seu em meio a muitos, e de beleza incomparável. Tudo estava no seu baú de tesouros, suas lembranças. Toma um longo gole de cerveja, solta um pequeno arroto e ri de si mesmo, ainda não decidiu quem citará nos agradecimentos, mas não tem problema, o papel ainda está em branco. Tem convicção de que deve começar contando as peripécias de sua juventude, mas não encontra nada que irá prender o leitor, apenas estudo e algumas farras, mas nada significativo. Talvez seus questionamentos quanto a existência resultassem num bom prólogo, mas acabaria tornando-se um livro de lamentações ininteligíveis, tendo em vista que hoje, já com aroma senil na pele, ainda não possuí uma opinião concreta quanto ao assunto. Decidiu então escrever sobre a vida adulta, trabalho, casamento, filhos tudo como deve ser, pois foi assim que chegou até onde está.
- Tudo como deve ser ? Perguntou para o nada.
Talvez a imagem que possuí de uma vida feliz e de sucesso não é de toda verídica, oculta esse pensamento da mente e dos olhos, mas está tão presente quanto sua barba branca. Ele não é e nunca foi feliz. "Não possuí talento algum", são essas as palavras que doem, mas nesse instante a verdade se põe soberana à sua frente, as lágrimas que caem são o reflexo do fracasso. Buscar inspiração na sua vida cotidiana de nada bastava, os elogios nunca foram verdadeiros, tem isso nítido em sua mente já que não consegue escrever mais nada sobre sua própria vida que vida ? pois o que viveu dia após dia foi apenas uma peça de teatro na qual interpretava a si mesmo um personagem feliz, mas que guardava mágoas das pessoas à sua volta, que não amava ninguém a não ser a si mesmo, e que sentia prazer na dor, no choro do próximo. Sentia prazer ao defrontar-se com o sofrimento alheio à sua realidade inequívoca. Os pensamentos lhe vêem à mente de maneira perturbadora, uma explosão dentro de si que se propaga de maneira violenta, em apenas alguns segundos a máquina de escrever se faz em pedaços. Sai da cabana com os papéis em branco nas mãos sua vida o céu está azul e não há nuvens, "perfeito", pensa consigo, respira fundo e caminha pela trilha que leva até o lago, seus ossos fracos já não lhe permitem muito esforço, mas há algo a ser feito. Ajoelha-se próximo ao lago, evita o reflexo do velho cansado que o desafia, as lágrimas em seus olhos prejudicam ainda mais sua visão debilitada e com um grito fraco, quase inaudível, joga todos os papéis para o alto os quais caem um a um na água e afundam lentamente. Levanta-se com dificuldades, caminha alguns passos rumo à cabana, para por alguns instantes e observa as árvores ao redor, o vento. Ele acaba de jogar sua vida fora, tudo o que ele possuía estava naqueles papéis, voltou-se de súbito, o brilho do lago o cegava, fechou os olhos e limpou as lágrimas, precisava buscar o que era seu. Reuniu todas as suas forças e correu... o salto não foi longo, na queda conseguiu apanhar uma folha em branco que afundava tristemente na água gelada, mas ainda haviam várias espalhadas, diversas já haviam afundado, ele decidiu juntá-las todas, mas já não havia força para isso. Ele não saiu do lago e as folhas continuaram em branco por toda a eternidade.
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17/07/2004 11:31:29
O ESTUPRO II - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Essa é a continuação do conto O estupro publicado em 08/05/2004 Esse conto gerou certa polêmica na época então achei que seria bacana mostrar os dois ângulos dessa tragédia, "divirtam-se".
O sorriso ainda estava em seus lábios quando atravessou a rua, esse fora o seu primeiro beijo, envergonhada que estava deixou transparecer isso ao menino, afinal, sua mão não parava de tremer. Mesmo assim não deixou de ser mágico, sentir a língua macia de um garoto junto à sua era sem dúvidas uma ótima experiência, ela tinha agora 13 anos e algumas de suas amigas de 14 ainda não possuíam tanta experiência nesses jogos de amor. Do primeiro olhar até aquele beijo foram-se três meses, falta-lhe coragem para tal atitude, mas tudo ocorrera da meneira que previu, ficaria lembrando desse beijo para o resto de sua vida. Perdida em seus devaneios amorosos, caminhou sozinha naquela noite de muito calor, o caminho para sua casa era longo e por isso resolveu passar pela estrada que atravessava o matagal, assim chegaria mais rápido e ligaria para suas amigas para contar o seu feito extraordinário. A estrava estava completamente vazia o que a amedrontou um pouco, só conseguia ouvir o barulho das folhagens ao vento e o ruído dos seus pés contra o cascalho, caminhou rapidamente, eram no máximo 200 metros. De súbito escutou um barulho atrás de si, deu uma breve olhada e viu um homem saíndo do matagal, ele a chamou, nesse instante o coração da menina parecia querer sair do peito, foi quando ela começou a correr, mas não foi possível ir muito longe, sentiu uma forte dor nas pernas e caiu no chão machucando suas mãos, em seguida levou um tapa na nuca e começou a ser puxada para dentro do mato. O homem cheirava à bebida e estava muito suado, forte que era, conseguiu segurá-la com muita facilidade, a menina gritava desesperada por socorro, seus olhos estavam injetados de pavor. Ele tirou sua roupa e ela sentiu um movimento forte em sua virilha, quase explodiu em dor, sentia como se uma faca fora cravada em seu ventre a qual deixava feridas enormes, aquele homem nojento não saía de cima dela e falava diversos palavrões em meio à muita saliva. Ela olhava para o céu e pedia para que algum milagre acontecesse naquele instante, que tudo aquilo fosse só um pesadelo, queria muito voltar para a vida normal, onde havia beijado um menino e sentia-se muito feliz, queria a vida onde a sua família a amava e estava segura nesse amor, ela queria ficar viva mas a dor que corroía seu corpo lutava contra isso. Foi agredida diversas vezes e em meio as lágrimas perdeu os sentidos, acordou alguns minutos depois e o homem não estava mais lá, sentiu um dor insuportável que parecia ir além de sua alma, havia muito sangue nas suas pernas, ficou de joelhos e procurou suas roupas, pela segunda vez naquele dia suas mãos tremiam, vestiu-se lentamente, tirou o capim que estava em seu cabelo e foi para sua casa, sentia-se suja. Não conseguiu olhar nos olhos de sua mãe naquela e noite e muitas outras madrugada insones que vieram, na verdade não conseguia olhar para ninguém, nem mesmo o menino que beijara, permanecia reclusa aos hábitos da sociedade e imaginou que seria assim pelo resto de sua vida, aquela dor em seu ventre não passaria nuca. Cerca de três meses após ser violentada, estava sentada em sua cama, muitas lágrimas escorriam pelo seu rosto e na sua mão estava um vidro de veneno para ratos, olhava para aquilo e lembrava-se daquela maldita noite, sua vida havia terminado depois de seu primeiro beijo, não fora somente sua inocência que havia sido roubada e sim sua essência como um todo. Tomou um longo gole do veneno e deitou-se na cama. Deus havia lhe ouvido naquela noite do estupro, pois se ela pediu um milagre naquele instante, de fato isso aconteceu, pois jogado no canto do quarto havia um teste de gravidez, o resultado era positivo.
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11/07/2004 09:53:44
UM POUCO DE COCAÍNA POR FAVOR !
Quando finalmente despertou sentiu uma forte dor na nuca, passou a mão no local e percebeu que havia algum líquido ali, era impossível saber se era sangue tal era a penumbra do local. Levou os dedos até a boca e houve a confirmação, de fato ela estava ferida, logo, percebeu também que estava toda suja e rasgada, só que havia um problema... ela não fazia idéia de como fora parar ali. Começou a entrar em pânico quando percebeu que o ambiente, que possuía um cheiro fétido, estava totalmente fechado, ficou tateando como cega desesperadamente e o que descobriu foram tijolos de uma parede muito úmida num pequeno espaço de um metro e meio no máximo. Sem dúvidas estava dentro de um poço, e buscava em vão algum tipo de saída, pois não conseguia entender o que estava acontecendo, se indagou se estava sendo seqüestrada, contudo, não havia motivos para tal tendo em vista que nunca possuiu muito dinheiro. Então começou a gritar com sua voz rouca em busca de ajuda mas não houve qualquer tipo de resposta, não havia na verdade som algum naquele lugar, talvez fosse o inferno, algum tipo de brincadeira ou até mesmo um sonho, mas a dor em sua nuca era um fragmento de realidade, tudo aquilo era muito insano. Não tinha noção de quanto tempo havia passado, já sentia uma cede insuportável quando, começou a passar a língua nas paredes tentando captar um pouco da umidade, mas sabia que logo sentiria fome e seria esse seu fim, passava a mão pelo seu corpo de maneira violenta puxando diversos fios de cabelo com muita força, aquela dor era um vestígio de vida. Não poderia morrer de fome e sede naquele lugar horrível, sem espaço, sem luz, o fato de não enxergar nada deixava seu desespero ainda maior, foi quando começou a jogar seu corpo contra a parede de forma muito agressiva, deu diversas cabeçadas contra os tijolos, enquanto se debatia e chorava, lembrava de sua família e amigos. Sua vida era sim medíocre, entretanto era o que possuía, não soube aproveitar tudo o que lhe foi proporcionado mas vagou por essa terra de dores e angústia com bravura, tudo o que era lúcido não à atraía pois as desesperanças eram deveras motivo para um suicídio, permaneceu como se entorpecida durante todos os seus dias para derrepente acordar em um poço, sem explicação alguma, era a primeira vez que gostaria de entender algo, de saber a verdade. O sangue escorria pelo seu ouvido quando perdeu a consciência Cerca de cinco horas depois começou a ouvir um barulho longínquo, balançou a cabeça e percebeu que estava toda machucada, seu nariz estava quebrado, o barulho aumentou. Eram diversas pessoas conversando, mas o som não era inteligível, ela começou a gritar pedindo socorro, foi então que o som extinguiu-se, ficando ela também em silêncio, seu coração batias descompassado. Havia uma pedra tapando o poço a qual foi retirada, a luz invadiu o local à cegando por alguns instantes, quando recuperou a visão viu um céu esverdeado e sem nuvens onde pássaros negros sobrevoavam calmamente, avistou algumas mãos acima do poço e clamou por ajuda, finalmente Deus havia ouvido alguma coisa, foi quando uma porção de terra caiu sobre seu rosto ferindo seus olhos, limpou com as costas das mãos e perguntou o que estava acontecendo, não houve resposta lá de cima, só percebia diversas pás que jogavam terra incessantemente. Ela começou a sorrir, seu sorriso logo se tornou uma gargalhada assustadora, deitou-se no chão gelado e a terra começou a cobrir seu corpo estava sendo enterrada viva.
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27/06/2004 18:12:47
CARTA DE UM SUICIDA
Sabe, muitas vezes escrevi para passar o tempo, para contar coisas da minha vida, meus segredos de forma implícita, para divagar sobre ambientes estranhos, escrevi para falar do vento no meu rosto e sobre imenso céu cinza sobre a minha cabeça, porém, dessa vez escrevo para dizer que é a última vez que vocês leram frases minhas, é o ponto final dessa prosa que foi minha vida.
Queria impressionar assim como fez Kurt, no seu discurso final, com uma despedida poética, mas esse tipo de dom não me convém, somente a fraqueza é que se iguala. Acho que quando se está no berçário nos seus primeiros instantes, já existe uma cobrança e uma meta a ser traçada, já no meu caso eu estava ausente no momento e nada foi estipulado para mim, essa busca incessante por objetivos trilharam o meu caminho até essas palavras que estás lendo.
A vida já não flui em minhas veias, não consigo encontrar motivos para ver um horizonte além dessas quatro paredes, tendo a luz do sol nenhum poder sobre meus anseios, não há nada além desse cômodo que me faça crer que algo ainda vale a pena. Eu tentei ... juro que tentei buscar os caminhos corretos, tomar as decisões certas e ser uma boa pessoa, fiz tudo isso e olho para mim e não vejo nada, somente a falta de esperança, sentimento dos tolos. Sei do mal que existe nessas madrugadas frias, dos demônios que existem dentro da mente humana, explicação para as brutalidades que por ai se espalham, mas que não me comovem mais.
Gostaria de ter agregado algo à vida de alguém, contudo, isso não foi possível, não me deram essa chance. Não há alguém para sentir minha falta, sabe, estar em um lugar distante, algum lugar de rara beleza e desejar com todas as suas forças para que você pudesse dividir aquilo com alguém. Me sinto triste por essas coisas, meu rosto magro e cansado é o outdoor da minha destruição. Vi que nada disso valeu a pena, nenhum esforço foi recompensado e nenhum amor correspondido, sendo esses comprimidos de grande valor nessa hora.
Não sei se ao terminar de escrever a coragem será a mesma, mas acho que comecei meu suicídio à muito tempo, quando revi minha vida, desde quando perdi a coragem de viver, não fui forte o bastante para esta batalha, isso explica o porque escrevo tão lentamente, estou me distanciando de tudo. Mas não quero causar tédio no leitor, seria a última impressão e não é o que pretendo deixar de legado. Não vou agradecer por todas as coisas que fizeram por mim, só vou pedir desculpes pelo o que não fiz por vocês, peço perdão por ser quem eu sou, minha mente me venceu.
Lucas 15 anos
DPOR FAVOR,DEIXEM SEU COMENTÁRIO NO MEU NOVO BLOG: www.devaneiosdocotidiano.zip.net
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19/06/2004 12:17:56
ESTOU ME MUDANDO
O blig venceu, limite de três comentários por dias foi a gota d'água, já postei esse conto no meu novo endereço que está em fase de construção, quem gostou desse conto e quiser comentar passa lá no:
www.devaneiosdocotidiano.zip.net
O HOMEM E A MOSCA
Há tanta nobreza nas batalhas... a história da humanidade foi traçada por meio de conquistas, muita bravura e sangue. Não sei dizer com precisão até onde cercam as fronteiras da resistência do homem, pois já venci cidades inteiras, exércitos inteiros e hoje perdi a batalha para uma mosca, presencio a minha degradação e nada posso fazer. É certo que já fui mais valente, contudo a idade me tirou alguns pontos nessa disputa infundada, na qual os valores disputados me tornaram um derrotado seja qual for o final, ele sempre será infeliz, portanto deixo as falsas esperanças para o romantismo.
Penso à todo instante numa corda, sabem, aquelas grossas cujo nó seria dado com grande destreza, não sei se isso é lamentável, entretanto, me sentiria feliz se pudesse amarrá-la no alto de um árvore e prende-la fortemente ao meu pescoço. Covardia ou não, ainda haveria certa dignidade nisso, eu ainda teria controle dessa vida de conquistas. Refugiei-me dessa podridão em minha mente, onde ainda sou um general, onde posso lutar sem nunca esmorecer, vejo muito sangue ao passo que vejo a aliança nos dedos de minha futura mulher, ainda posso ver o beijo do filho, o sofrimento dos amigos, lealdade.
Aqui onde tudo é triste e sem cor, onde não há sorrisos nem se quer menções de felicidade, só vejo um copo com água ao meu lado e uma cartela de comprimidos, meu Deus como eu queria tomar uma centena deles e me ver livre desse corpo. Mas o que posso fazer é aguardar, dias infinitos virão eu sei disso, só vejo um amanhã obscuro, busco a não-vida, vejo alegria nisso, pois o fato de deixar de existir propaga a certeza de que não haverá dor.
Venderia minha alma para que houvesse uma janela nesse quarto, de onde estou só vejo essa parede branca, esses lençóis brancos e mais nada. Gostaria muito de rever o céu e as estrelas que a muito desapareceram mas que deixaram o brilho para ser apreciado, acho que não deixei brilho algum para as pessoas, afinal aqui estou eu sozinho em um leito de hospital
Uma mosca pousou em meu rosto, que animal cruel ela é, será que não percebe que eu sou um tetraplégico ? ela caminha lentamente pelo meu lábio, queria comê-la, arrancar suas frágeis asas, gostaria muito de expulsá-la dali, assim como eu fazia na segunda guerra com meus inimigos, expulsava-os, contudo agora não posso fazer nada, ela passeia com suas patas asquerosas sobre meu corpo e estou estagnado, a única reação que me cabe já está acontecendo, as lágrimas escorrem pela minha face, mas não expulsam ela, seus olhos parecem sorrir para mim, afinal, ela é a vencedora.
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07/06/2004 17:38:06
13/06 TUDO TRAVADO
Não estou conseguindo postar o Blig está em manutenção.
Escrevi esse conto logo abaixo e a única maneira que encontrei para postá-lo foi editar o post anterior e apaga-lo. Que droga ! Espero que gostem do conto mesmo assim.
MEU PAI
Naquela madrugada fria e sem estrelas o menino jazia sentado em sua cama, abraçava as pernas com força e as lágrimas fluíam sem controle algum, contudo era um choro silencioso, ninguém poderia ouvir, somente seus olhos pequenos expressavam o medo que sentia. Não tinha medo do escuro, não teve pesadelo algum, mas quando ouviu o carro chegando seu coração disparou, as luzes na janela do seu quarto tornavam-se assustadoras.
Sob efeito do álcool seu pai encontrava dificuldades em abrir a porta e naquele dia resolveu quebrar o vidro da sala, resmungava diversos palavrões ao passo que sua mãe abria-lhe a porta. Cuspia palavras ininteligíveis misturadas ao um cheiro etílico e suor, esse cheiro marcaria a infância do menino para sempre, entrava acusando a esposa de adultério e negando a paternidade dos filhos, eram horas de muita tenção onde quase chegavam à um clímax de agressões. Dia após dia as cenas se repetiam, cada vez mais amargas, uma nuvem cinza manteve-se naquela casa durante toda a vida, tudo o que ocorresse dali por diante seriam conseqüência dessas madrugadas insones.
E o menino cresceu, cercado de incertezas e de dores que perduram nesses dias tristes, a certeza de que nunca recebeu nenhum tipo de carinho do pai nem reconhecimento de algo o magoa muito, é um passado que gosta de guardar em um baú empoeirado em cima do armário juntamente com os seus fracassos. Não teve um exemplo a ser seguido, mesmo assim caminhou com seus próprios pés na direção que julgou ser a melhor, mesmo achando que a vida poderia ter sido mais simples se a coisas não fossem postas desta maneira, mesmo achando ser injusto não ter um pai. Só que nem sempre a cabeça está erguida, e nesses outonos não são só as folhas que caem, nesses dias em que a garoa insiste em cair as dores e lembranças teimam em voltar, sendo impossível conter a tristeza. Não há ninguém na rua e ele chora, chora feito um garotinho sentado em sua cama, morrendo de medo, pois seu pai chegará alcoolizado em breve. A chuva cai levemente sobre seu rosto misturando-se às lágrimas.
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29/05/2004 15:33:22
AS SENHORAS DE CURITIBA
Todos estavam equivocados quando julgaram ser um assalto o fato de um menino todo sujo estar próximo àquela senhora. Dona Eleonor, no auge de seus 68 anos, adorava passear no centro da cidade, estava elegante como sempre com seu casaco marrom e seus óculos grandes, sempre observando as lojas mais caras. O menino ao seu lado se chamava Luiz, morou na rua durante praticamente todos os seus 13 anos de vida, naquele inverno ele não negaria qualquer proposta que lhe fosse imposta, desde que ficasse longe do frio e das madrugadas intermináveis. Quando aquela senhora grisalha apareceu ele concluiu que não desperdiçaria a chance, dialogaram por alguns instantes e saíram andando em meio ao calçadão um ao lado do outro.
Quando chegaram no apartamento, Luiz percebeu que naquele lugar estava mais frio do que na rua, não entrava vento algum, contudo era de fato muito triste e vazio. Os móveis todos muito antigos e na sua maioria apodrecidos foram talhados de maneira meticulosa em mogno, haviam vários lustres e peças de prata. Enquanto ela fechava a porta atrás de si, ele foi logo ao banheiro na terceira porta, trancou e ficou encostado por alguns instantes, era um banheiro muito bonito que possuía até banheira. Não havia espelhos, assim como na casa inteira, outrora Dona Eleonor fora uma grande modelo fotográfica e passou a vida inteira fazendo uso de sua imagem, agora, diversos outonos depois ela se recusava a enfrentá-la, pois havia percebido que assim como a beleza o seu talento se fora, se é que realmente existiu algum dia. Para Luiz nada importava na personalidade da velha, o que ele não podia era passar mais uma noite com os ossos congelados, no dia em que perdeu três dedos do pé percebeu que não suportaria por muito tempo essa situação, precisava do dinheiro que ganharia elas sempre pagam bem pensou consigo, assim poderia comprar algo para entorpecer os sentidos e ficar longe desse mundo inóspito.
Eloisa estava sentada no sofá contemplando o vazio de sua casa, já havia perdido a conta de quantos anos ficara ali fazendo a mesma coisa, dia após dia, envelhecendo lentamente ao passo que a solidão corroía sua vida. Quando o glamúr se foi, levou consigo a felicidade superficial, porém constante, que invadia os seus dias, acabaram-se as festas, foram-se as amizades, termiram-se os amores ocasionais. Sentia-se desprezível, vasculhava dentro de si algum tipo de valor, contudo a busca era vã, nada sobrou, somente os dias intermináveis e cansativos de ócio e infelicidade que à fazia recorrer à esse tipo de atitude a amargura agora era sua grande parceira.
Luiz saiu do banheiro e se aproximou do sofá, ela o fitava com um olhar falso de felicidade, ele lhe deu um beijo longo, sentiu um pouco de ânsia de vômito, se afastou passou a mão nos lábios então, calmamente, começou a se despir.
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25/05/2004 18:33:53
FELICIDADE SUPERFICIAL, POST SUPERFICIAL, NOVIDADES E FRASES DE EFEITO, NÃO EU NÃO ME VENDI AO SISTEMA,SÓ ESTOU UM POUCO CANSADO
Desculpem a ausência, não estou com nenhum tipo de bloqueio para escrever, só não estou muito afim mesmo, já estou com um conto existencialista em mente contudo não vou colocá-lo aqui por enquanto. Obrigado pelos comentário no último post, eu sei que ficou do tipo gigante mas foi algo que escrevi com certa dificuldade e exigiu bastante de mim, sendo que não é um gênero que escrevo com frequência, mas quem leu gostou e isso me deixou bastante feliz pois é um dos contos que tenho mais orgulho de ter escrito.
Nessa semana fui à uma daquelas palestras motivacionais (lavagem cerebral), apesar disso não funcionar muito comigo achei algumas coisas relevantes. O cara (um senhor do Rio de Janeiro grisalho e muito bem humorado) falou por cerca de hora e meia sobre a felicidade e as maneiras de alcança-la (para quem almeja é claro). Disse que muitas vezes deixamos que um fato isolado (geralmente alguém petulante)estrague nosso dia por alguma bobagem, algo que falou, alguma ofença enfim, coisas assim, e não paramos para refletir as outras coisas boas que aconteceram em nosso dia, que geralmente são a maioria e podem tornar um dia muito feliz, sem complicações, é só uma questão de calma e percepção, é necessário colocar tudo numa balança e avaliar se vale a pena estragar o seu dia por pouca coisa. Devemos sempre comemorar as pequenas conquistas do dia a dia.
Portanto estou comemorando o fato de que finalmente passei na porr... do teste do DETRAN, não errei nada e logo estarei com o porte da arma em mãos !! Quer dizer a carteira de motorista, o melhor é que nem precisei subornar ninguém. Fiquei com pena de uma senhora que estava comigo, reprovou pela quarta vez (ou terceira, sei lá), dessa vez ela deixou o carro morrer quatro vezes na baliza, mesmo assim ela saiu sorrindo e dizendo que iria tentar novamente.
Comemorem suas conquistas, suas alegrias, valorizem as pequenas coisas.
Achei isso bem bacana, ele também disse uma frase interessante:
Se você quer ser feliz, não se case. Se você quer fazer alguém feliz se case
(esqueci o nome do cara)
Achei profundo, tirem suas conclusões.
Visito à todos em breve.
Escreverei mais contos nessa semana ainda
MOMENTO ESQUISITO:
Eu não credito em tudo que escuto ... mas pode fazer bem à alguém ... só relato coisas ... não posso me tornar alguém negativista ... mas não posso me vender ao popular ... sou realista ... me tolerem ... assisti Troy e não gostei, isso faz de mim uma pessoa anormal ? ... estou trabalhando muito e não posso assitir o Bob esponja ... o salário mínimo é mais engraçado que piada de português ... vi as fotos das toturas no Iraque ... e ainda falam dos meus contos ... eu já falei que não sou um estuprador né ...
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15/05/2004 19:03:07
UMA HISTÓRIA SOBRE NIGUÉM
Girava o copo de whisky lentamente, os cubos de gelo refletiam diversas imagens destorcidas, que logo derreteriam e sumiriam dali, sempre achei esses copos um sinônimo de melancolia, pois o gosto amargo que rasga a garganta só é aceito pelo alívio psicológico gerado, mais uma fuga da realidade, tapando com um pano escuro toda uma existência sem significados. Meus dois colegas discutiam alguma coisa supérflua, enquanto fumavam seus cigarros baratos, soltavam várias gargalhadas e deixavam seus dentes amarelados à mostra ao passo que eu me limitava a lhes oferecer leves sorrisos e a falsa sensação de que demonstrava algum interesse no que diziam. Haviam diversas pessoas no estabelecimentos, as mesas estavam repletas de pessoas bem vestidas com seus diálogos descontraídos, a sua maioria era formada por advogados, os mesmos pseudo intelectuais, introspectivos cientes do vazio que os preenchem, das amarguras e tristezas que tomam conta de suas vidas, assim como eu, todos são iguais, criando assim uma imagem externa de aparências superficiais, são tantas gargalhadas que quando demasiadas demonstram o desespero que age por trás de tudo.
Quando admiti pra mim mesmo que minha vida foi um fracasso, que eu não soube utilizar das ferramentas que foram-me proporcionadas, ficou mais claro enxergar a vida, a aceitação foi deveras angustiante, contudo libertadora. Agora não espero nada ilusório, me cansei da obrigação de possuir um sonho, de almejar coisas que só nos fazem cair e perceber que somos incapazes, não quero mais isso para mim, não quero nada além da fronteiras seguras da minha capacidade. Quando me sento nessa mesa todas as sextas-feiras, percebo o quão grande são meus anseios e como é tão difícil me sentir sozinho entre tantos, a certeza de que mais pessoas sentem os mesmo de certa forma me abala.
Pedi licença e levantei-me, um deles falava sobre a política econômica de um país qualquer, mal perceberiam minha ausência, todo aquele ambiente estava me causando náuseas, resolvi me refugiar no banheiro. Aquele homem de terno preto e gravata torta refletido no espelho não se parecia comigo, com o que eu era, não conseguia me reconhecer em nada, se é que isso já aconteceu alguma vez. Estava em meio a esses devaneios quando meu sangue congelou de súbito, havia uma garota sentada no canto do banheiro, coloquei a mão na boca para não gritar e ela deu um sorriso quando viu minha cômica reação.
- Você costuma usar o banheiro masculino sempre ? Perguntei abrindo um sorriso amigável, meu coração estava disparado.
- Pra falar a verdade, procuro não ser previsível em minhas atitudes, convenhamos que estar aqui nesse instante não é algo que você esperava. Disse ela ajeitando seus cabelos negros. Na verdade costumo me esconder de mim mesma aqui, tenho tantos problemas em minha vida que preciso de refúgio para pensar, muitas vezes escolho lugares inusitados como esse.
- Refúgio...estranho, mas não há como não sentir empatia, também me escondo para me massacrar com auto questionamentos. Disse eu com certa tristeza no olhar.
- Prefiro não buscar respostas, assim sofro menos, o que faço é contar as mesmas histórias, conto somente para mim para rever tudo e deixar as coisas mais claras, mas não tenho o poder de mudar nada, deixo-as como estão, nada de questionamentos, se eu refletir sobre algumas coisas por cerca de dois minutos, terei motivos para chorar por uma existência, sendo assim desligo essa parte do meu cérebro.
- As vezes busco esse interruptor mas não encontro.
- E com certeza muita gente também não, bem... agora eu vou andando, chega de perturbar o banheiro dos homens, já deixei muitas lágrimas por aqui, até mais.
Me deu um beijo na boca e saiu sem dizer mais nada, fiquei imóvel por alguns instantes passando a mão nos lábios, sem dúvidas tudo aquilo foi muito estranho, me senti cansado, por um instante me senti morto, mas só quem vive realmente pode se dar esse luxo.
Saí do banheiro e questionei um homem que estava próximo a porta se havia visto a garota, ele afirmou que não viu ninguém sair por aquela porta, olhei para mesa em que meus amigos estavam e não havia mais ninguém, já haviam se retirado. Me senti mais sozinho do que nunca e saí do estabelecimento, andei pelas ruas escuras sem rumo aparente, percebi que tudo o que eu sentia era muito mais do que a solidão, que talvez a garota nunca tivesse existido contudo eu queria encontrá-la, mas quem iria me procurar ? quem sentiria minha falta ? a certeza de não existir me corroía, mas naquela noite aprendi a deixar as indagações de lado.
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11/05/2004 18:52:58
CALMA LÁ !!!
Aviso à quem for ler o conto "O estupro": Não, eu não sou um estuprador nem um psicopata, é apenas um conto em primeira pessoa que eu não imaginei que causaria essas reações, tem gente até achando que eu estuprei alguém Eu sei que é chocante, mas eu queria mostrar um crime visto por outro ângulo que não o da vítima, queria desvendar a mente doentia de um pessoa, aparentemente, comum. Só isso. Geralmente escrevo sob influência do que leio, sendo assim esse conto tem muito do livro "O diário do Farol" do Ubaldo Ribeiro, recomendo à quem gosta do gênero. Não quero transformar esse blog em algo desagradável de ler (acho que foi isso que aconteceu, pois está muito chocante) só quero que compartilhem da minha imaginação e no momento é que me cabe escrever, mas não descarto a possibilidade de caminhar por outros estilos ok !
Obs: Se até acharam que era tudo real, é um sinal de que eu não sou uma pessoa normal ? e se eu já matei alguém e agora não lembro ? Será que já desmembrei alguém na mesa da cozinha ? Acho que tem sangue de outra pessoa na minha roupa ! Vou mudar o nome do meu blog para "Devaneios de um Psicopata" heheh
Não me abandonem, eu sou normal
Enviado por: eder
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08/05/2004 17:13:35
O ESTUPRO
Ser visto como um "monstro" pela sociedade não me causa mal algum, sou rotulado de diversas formas, entretanto as pessoas não fazem idéia de quem eu sou e o que se passa comigo. Não tenho o mínimo interesse de saber quem irá ler esse relato, sendo assim se me julgarem de qualquer modo, saibam: vocês não são os primeiros e nem serão os últimos a me odiarem, as opiniões adversas causam pouco ou nenhum impacto sobre minha atitudes e o meu modo de agir, sou autêntico ? claro que não, tem milhares de bêbados e vagabundos que fazem o mesmo por aí, qualquer mulher passando sozinha por alguma rua pouco movimentada vira matéria prima de barbáries, meu diferencial é que tenho consciência do que faço. As pessoas perdem o seu tempo querendo buscar na mente de um psicótico como eu, o porquê de tais atitudes, reviram o passado da pessoa ou "animal" como queiram e descobrem que o cara foi abusado na infância, foi agredido e agora se rebela contra o sistema de maneira agressiva. Confesso, não tive uma infância invejável, o porco do meu pai fazia o que queria comigo e com minha a mãe, a qual morreu a pedradas na frente de casa (ela estava de olho no vizinho, segundo meu pai), vendo por esse ângulo, os percalços de minha infância podem ter gerado o "ser" que hoje sou, mas quem não tem problemas na família ? os estupros que cometo não são um cano de escape e sim a essência da minha existência, eu gosto do que faço e não culpo ninguém por isso.
Ontem foi um dia bem comum, por volta da 1 hora fui até o matagal próximo à estrada de chão, prefiro esse local pois não há iluminação, o lugar tem fama de ser perigoso mas as pessoas insistem e passar por ali para "cortar caminho". Levei uma garrafa de whisky barato, quando a mesma estava quase na metade vi a menina se aproximando, acho que ela deveria ter uns 14 anos, eu adoro as mais novinhas pois são mais fracas e exigem pouco esforço. Descuidada que é, estava caminhando sozinha, estava calor e uma leve brisa pairava no ar, as folhas do matagal se sacudiam lentamente, me abaixei e aguardei, ela olhava a todo instante para os lados, parecia um pouco apreensiva "elas parecem pressentir" pensei comigo. Assim que ela passou, atravessei a rua bruscamente ao passo que ela levou um susto e começou a caminhar mais rápido, comecei a chamá-la e ela correu, rapidamente alcancei-a e chutei suas pernas, ela caiu de bruço esfolando as mãos no cascalho, dei um tapa na sua nuca e a puxei para dentro do mato por cerca de oito metros, até fugir de vista de qualquer moribundo que estivesse passando pelo local. Quando comecei a tirar sua roupa ela já não agüentava mais gritar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto e aquilo me deixava eufórico, beijei ela diversas vezes e disse que a amava e que seria muito bom, ela era um vadia e iria gostar. Penetrei-a de maneira brusca e ela gritou de dor, logo pude ver o sangue em suas coxas, continuei com movimentos mais suaves enquanto seu corpo se debatia freneticamente, aquilo estava me irritando então lhe dei vários socos na face até acalmá-la, tirei sua camisa e belisquei seus mamilos com violência, sua expressão de pavor me alimentava, e assim foi por longos 20 minutos, ela olhava para o céu como se estivesse pedindo socorro, mas agora era tarde eu já tinha terminado, tinha sido muito bom. Geralmente esfaqueio ou sufoco as garotas para que eu seja o último homem delas, mas os olhos apavorados daquele menina me fizeram lembrar minha filha de mesma idade, portanto a deixei ali, com seu pavor, sua dor física e moral, todo aquele sangue nas pernas nuas, não sei de que maneira ela irá encarar a vida daqui para frente, se isso terá algum significado, talvez ela vire um pessoa desequilibrada, afinal, agora tem seus motivo. Quanto a mim posso afirmar que continuo levando minha vida pacata, quando sentir vontade farei tudo novamente, é muito bom sentir toda aquela adrenalina, toda a dor do mundo, minha vida seria um vazio sem isso, é a minha essência.
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02/05/2004 09:08:40
DOMINGO, DIA DE CHURRASCO NA CASA DO JOÃO
Faltava pouco para o meio-dia quando João saiu de casa em um bairro nobre de Curitiba, rumo ao açougue mais próximo, acendeu o Camel amassado que estava em seu bolso, pigarreou por um instante e continuou à fumar. Fazia um calor agradável naquele domingo, a ausência de nuvens no céu indicavam que haveria mais calor durante o dia, João adorava caminhar em dias assim, fazia questão de deixar seu Audi na garagem e "esticar um pouco as pernas", como costumava dizer. Cumprimentava à todos que via pela rua, sempre foi visto como um bom vizinho durante os trinta anos que morou no local, e possuía grande afinidade com os moradores mais antigos, sempre almoçava na casa de amigos e participava das diversas comemorações da chamada "Alta sociedade".
Trabalhou como Advogado durante praticamente toda sua vida, adquirindo um status invejado por muitos, nunca casou pois sempre teve que dedicar seu tempo à sua mãe doente, as pessoas o admiravam por isso, ele era forte e não demonstrava problema algum com relação à solidão.
Chegou no açougue, apagou o cigarro e cumprimentou o balconista, trocaram algumas palavras sobre o jogo do dia anterior, em seguida João comprou dois sacos de carvão e dirigiu-se para sua casa, fez o caminho de volta lentamente cantando algumas canções antigas, quando chegou, deu uma breve olhada para fora antes de fechar a porta, sem dúvidas seria um dia lindo. Colocou o carvão na churrasqueira e acendeu o fogo, ainda demoraria certo tempo para ficar no ponto ideal, sendo assim poderia terminar o serviço.
O corpo de sua mãe, uma senhora de 78 anos estava em cima da mesa da cozinha, completamente nu e ensangüentado, João havia utilizado um martelo no crânio da senhora para começar a preparar o almoço, foi até a pia cantando uma música animada, lavou as mãos, abaixou-se para pegar a faca na última gaveta, analisou o objeto e devolveu no local, foi até o armário do outro lado da cozinha e apanhou um cutelo, agora sim ficaria mais fácil. Se arrependeu de ter matado sua mãe na quarta-feira, afinal, o cheiro que o corpo exalava já poderia ser sentido na vizinhança toda e eles poderiam ficar intrigados com algo, contudo hoje seria dia de churrasco e tudo estaria terminado, empunhou o cutelo e começou a desmembrá-la.
Falando de outra coisa...
Eu não poderia deixar de agradecer à todos que visitam meu blog e deixam comentários magníficos, fico muito feliz de poder escrever para pessoas tão inteligentes e com opiniões tão legais (tá puxando o saco dos leitores né !) não, é só lerem os diversos comentários do ultimo post e verão que estou certo, são opiniões muito interessantes, sobre a realidade humana, pobreza e coisas do gênero. Gosto muito de provocar isso nas pessoas, por mais que não concordem com o que escrevo deixam sua opnião sobre o que eu escrevi e sobre seus pontos de vista, o que é muito bacana. Obrigado pelos 41 comentários, bati meu recorde com um post que ficou tão grande que eu pensei que ninguém iria ler, acho que subestimei à todos e você me surpreenderam. Valeu mesmo !
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24/04/2004 10:26:00
PASSEIO NO SHOPPING
Parou para descansar um pouco, enxugou o rosto com a manga da blusa rasgada, o suor já havia alcançado seus olhos que agora ardiam muito, o sol do meio dia já tinha se tornado algo insuportável, teria que ir para uma sombra. Olhando para o outro lado da rua viu um shopping center, várias senhoras bem vestidas saíam de lá com inúmeras sacolas nas mãos, jovens tomando sorvete e alguns seguranças na entrada.
Deixou seu carrinho próximo ao meio fio, naquele dia ela havia acordado as 4:30 h da madrugada, sempre acordava nesse horário para conseguir mais papel e quem sabe alguma coisinha para comer, segundo ela, os lixos dos grandes edifícios escondiam maravilhas para sua degustação. Certo dia encontrou até um pote de camarão ao molho que ainda nem estava apodrecido e jogaram fora, estava escuro e não podia ver nada direito, mesmo assim estava uma delícia, ficava espantada com quanta comida era desperdiçada, o mesmo acontecia nas feiras de frutas e verduras, sempre passava por lá quando todos já tinham ido e pegava alguns alimentos "bons" do chão.
Atravessou a rua e entrou no shopping sob o olhar desconfiado dos seguranças, haviam inúmeras pessoas lá dentro que, quando passavam próximo à ela, desviavam com certa aversão - na certa veio roubar alguma coisa ou pedir comida - comentavam alguns, contudo, ela não percebia tal aspereza, pois achava isso normal no ser humano, afinal ela sem dúvidas era inferior e se colocava no seu lugar, não contribuía de forma alguma para que o mundo fosse um lugar correto. As pessoas que nasceram nas famílias certas, conviveram com as pessoas certas, essas sim eram importantes para humanidade, e o que elas tinham de melhor ? oras, tinham nascido na família certa, e só, sem mais perguntas por favor.
Com o tempo se acostumou a ser vista como um animal sujo que rasteja pelas ruas em busca de sobrevivência, afinal era isso que ela era, não havia propósitos para sua existência, somente a sobrevivência. Viu um loja de cosméticos, algumas mulheres se maquiavam lá dentro, aqueles potes de cremes lhe davam água na boca. Percebeu que a maioria das lojas eram de coisas supérfluas, como podiam gastar dinheiro com tantas baboseiras sendo que havia tanta fome ?, no shopping só deveria ter comida, pensou consigo. Parou em frente a uma loja de vestidos, ficou durante dez minutos admirando um longo vestido prata, não tinha sonhos concretos na sua vida, mas gostaria muito de ser uma princesa, isso significava conforto e bajulações, entrou e pediu para provar o vestido. As vendedoras acharam aquilo uma ofensa, afinal, aquela mulher nunca teria dinheiro para pagar tal vestido, de fato ela não possuía o valor necessário, mas seu objetivo era somente provar, para que durante um minuto de sua vida se sentisse menos oprimida e um pouco feliz, daria até um sorriso, naquele minuto ela seria um princesa. Mesmo com grande insistência não atingiu seu objetivo e foi expulsa sem mais explicações, ela estava imunda e sujaria o vestido.
Logo as lágrimas vieram e sentiu grande tristeza, mas ela sabia que aquele era um sonho inatingível, continuou a caminha cabisbaixa, lembrou que deveria voltar para casa, as crianças já deveriam estar com fome, resolveu pegar um pouco de papel e latinhas das lixeiras do shopping, sentou no piso gelado, virou o lixo no chão e começou a separar o que era de seu interesse, as pessoas que circulavam pelo local ficaram horrorizadas e logo os seguranças foram acionados, ela tentou explicar que colocaria tudo no lugar mas já estava sendo arrastada para fora, todos achavam que ela havia roubado alguma coisa. Deixaram ela na rua e lhe disseram para não voltar mais. Eles estavam certos, afinal, aquele não era seu lugar, ela não pertencia aos "necessários para existência", se sentiu triste pois as pessoas que lhe olhavam com tanta repugnância eram tão vazias que mal poderiam refletir sobre seus próprios defeitos, os quais às tornariam realmente repugnantes.
Quando a chuva começou ela já estava quase chegando em casa, um barraco de dois cômodos feito de lona, estava muito cansada , os bebês já haviam dormido, sua filha mais velha de 10 anos veio lhe abraçar, ela soltou um suspiro e perguntou como havia sido o seu dia:
- Hoje eu fui passear no shopping minha filha.
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18/04/2004 18:44:12
CONTROLE REMOTO
Liga - Estamos sobrevoando o desabamento aqui na zona norte e...Bzzz...Olha aqui seu Ratinho ! a Marineusa não tinha nada com Joseclécio, o filho não é dele eu quero o exame de DN...Bzz... Quer pagar quanto ? aqui nas...Bzz...O presidente www.George Bush.com afirma que o objetivo é verificar a existência de armas químicas no Ir...Bzz...parte do corpo humano com duas letras, valendo mil reais...Bzz... ligue para 0800-8888 e doe a sua parte, ou você não se importa com o mundo ?...Bzz... assista Lágrimas da emoção, sua nova novela mexi...Bzzz...segundo Bush a existência de petróleo no local foi simples coincidência e...Bzz... as imagens mostram os traficantes atirando contra os polici...Bzz..
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21/01/2005 18:19:18
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Fernando Pessoa, 23-10-1931
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30/11/2004 17:55:46
ULTIMO POEMA
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(Manuel Bandeira)
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06/11/2004 14:25:23
O QUADRO
O sol todos os dias é o mesmo
Onipotente, esconde a lua e esquenta corações
Minha vida todos os dias é a mesma
Monotonia e nada de emoções
O sol dita as regras, o mundo acontece com a luz
Que regras dito em minha vida não sei
Dia após dia nada nessa vida me seduz
Vivo no passado,
Nostalgia
Relembrar me traz paz e alegria
Quando o sol se esconde lá no alto daquelas montanhas
Perto da árvore onde demos o primeiro beijo
Iniciais dentro de um coração
O tom alaranjado do céu
Iluminava todo gramado, com um verde quase vivo
O vento espalhando seus cabelos dourados
E o sorriso. Ah Deus, nunca vou esquecer aquele sorriso
Uma pintura, para ser emoldurada e guardada em um local seguro
Lamento o sol ir embora e deixar tudo no escuro
Mas o sol dita as regras
E aquele beijo foi o último
A escuridão expandiu-se dentro de mim
Todos os lados o vazio, o nada a falta de sentido
O sol se escondeu no horizonte e te levou de mim
A vida dá calafrios
O breu invade a alma
Sinto arrepios, perdi a calma
Como pode tudo desmoronar,
A árvore ainda está lá,
O relevo dos nomes gravado em seu tronco
Nem a chuva irá apagar
Meus dias agora são todos de pura monotonia
Mas o sol dita as regras
O dia nasce e se prolonga
A flor nasce e floresce
O amor nasce e permanece ,
Ele está lá na moldura esperando você
A obra de arte que você me fez viver
Estarei esperando o sol aparecer
Para completar as cores que faltam
Na aquarela das nossas vidas
Leia mais em: www.devaneiosdocotidiano.zip.net
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17/10/2004 14:19:12
FOTOS DE CORUPA (SANTA CATARINA)
Esse provavelmente é o lugar mais lindo que fui em toda a minha vida. São 14 cachoeiras belíssimas, para chegar à todas é necessário encarar uma trilhar escorregadia por cerca de três a quatro horas com paisagens impagáveis.
Resumo: Levei um tombão e esfolei meu joelho e quase morri pois escorreguei por alguns metros e havia um precipício não muito longe rsrs Bendita pedra que eu consegui me segurar.
O rapaz de shorts vermelho levou um tombo ainda pior e ficou cheio de barro o caminho todo rs
Pão, presunto e alface - ótima refeição para quem está morto de tanto andar...
Água da geladeira é um pouco mais quente que as encontradas naquelas cachoeiras...
Aquele com a camiseta escrito Vódka (sugestivo não ?!) sou eu...
No meio meu amigo anormal e companheiro de todas as horas Herick, na direita o rapaz que finge ser musculoso chama-se Márcio. Também estão aí a Mônica e a Gislaine com o boné "mamãe não me perca na cachoeira"
No fim do mês estamos lá novamente se Deus quiser
*Desculpem mas fiquei um tempão tentando virar a última foto na posição correta e não consegui. Favor enclinar a cabeça para a esquerda rs
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11/09/2004 11:46:02
VAI,ESCREVE A SUA HISTÓRIA
Puxa a cadeira e senta, o cigarro continua no canto direito da boca (os lábios já estão amarelados nesse local), estica os braços, movimenta o pescoço para todos lados, um estalo feio soa pela cabana vazia. Dedos enrugados, pele áspera e uma mente brilhante, sem igual. Tudo o que os olhos azuis e cansados viram durante todas as estações torna-se poesia, histórias incríveis, contos fantásticos, pode até não haver importância em todos os atos e momentos, de fato, mas isso não importa agora, ele irá escrever a história de sua vida. Imaginação um pouco limitada, mas não há muito o que criar, apenas contar, pois os momentos estão ali, imóveis no infinito, na tarde em que à avistou pela primeira vez na estrada de chão Ah como ventava naquele dia - no seu ipê brilhando como o sol, era só seu em meio a muitos, e de beleza incomparável. Tudo estava no seu baú de tesouros, suas lembranças. Toma um longo gole de cerveja, solta um pequeno arroto e ri de si mesmo, ainda não decidiu quem citará nos agradecimentos, mas não tem problema, o papel ainda está em branco. Tem convicção de que deve começar contando as peripécias de sua juventude, mas não encontra nada que irá prender o leitor, apenas estudo e algumas farras, mas nada significativo. Talvez seus questionamentos quanto a existência resultassem num bom prólogo, mas acabaria tornando-se um livro de lamentações ininteligíveis, tendo em vista que hoje, já com aroma senil na pele, ainda não possuí uma opinião concreta quanto ao assunto. Decidiu então escrever sobre a vida adulta, trabalho, casamento, filhos tudo como deve ser, pois foi assim que chegou até onde está.
- Tudo como deve ser ? Perguntou para o nada.
Talvez a imagem que possuí de uma vida feliz e de sucesso não é de toda verídica, oculta esse pensamento da mente e dos olhos, mas está tão presente quanto sua barba branca. Ele não é e nunca foi feliz. "Não possuí talento algum", são essas as palavras que doem, mas nesse instante a verdade se põe soberana à sua frente, as lágrimas que caem são o reflexo do fracasso. Buscar inspiração na sua vida cotidiana de nada bastava, os elogios nunca foram verdadeiros, tem isso nítido em sua mente já que não consegue escrever mais nada sobre sua própria vida que vida ? pois o que viveu dia após dia foi apenas uma peça de teatro na qual interpretava a si mesmo um personagem feliz, mas que guardava mágoas das pessoas à sua volta, que não amava ninguém a não ser a si mesmo, e que sentia prazer na dor, no choro do próximo. Sentia prazer ao defrontar-se com o sofrimento alheio à sua realidade inequívoca. Os pensamentos lhe vêem à mente de maneira perturbadora, uma explosão dentro de si que se propaga de maneira violenta, em apenas alguns segundos a máquina de escrever se faz em pedaços. Sai da cabana com os papéis em branco nas mãos sua vida o céu está azul e não há nuvens, "perfeito", pensa consigo, respira fundo e caminha pela trilha que leva até o lago, seus ossos fracos já não lhe permitem muito esforço, mas há algo a ser feito. Ajoelha-se próximo ao lago, evita o reflexo do velho cansado que o desafia, as lágrimas em seus olhos prejudicam ainda mais sua visão debilitada e com um grito fraco, quase inaudível, joga todos os papéis para o alto os quais caem um a um na água e afundam lentamente. Levanta-se com dificuldades, caminha alguns passos rumo à cabana, para por alguns instantes e observa as árvores ao redor, o vento. Ele acaba de jogar sua vida fora, tudo o que ele possuía estava naqueles papéis, voltou-se de súbito, o brilho do lago o cegava, fechou os olhos e limpou as lágrimas, precisava buscar o que era seu. Reuniu todas as suas forças e correu... o salto não foi longo, na queda conseguiu apanhar uma folha em branco que afundava tristemente na água gelada, mas ainda haviam várias espalhadas, diversas já haviam afundado, ele decidiu juntá-las todas, mas já não havia força para isso. Ele não saiu do lago e as folhas continuaram em branco por toda a eternidade.
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21/01/2005 18:19:18
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, restou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Fernando Pessoa, 23-10-1931
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enviada por eder
17/07/2004 11:31
O ESTUPRO II - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Essa é a continuação do conto O estupro publicado em 08/05/2004 Esse conto gerou certa polêmica na época então achei que seria bacana mostrar os dois ângulos dessa tragédia, "divirtam-se".
O sorriso ainda estava em seus lábios quando atravessou a rua, esse fora o seu primeiro beijo, envergonhada que estava deixou transparecer isso ao menino, afinal, sua mão não parava de tremer. Mesmo assim não deixou de ser mágico, sentir a língua macia de um garoto junto à sua era sem dúvidas uma ótima experiência, ela tinha agora 13 anos e algumas de suas amigas de 14 ainda não possuíam tanta experiência nesses jogos de amor. Do primeiro olhar até aquele beijo foram-se três meses, falta-lhe coragem para tal atitude, mas tudo ocorrera da meneira que previu, ficaria lembrando desse beijo para o resto de sua vida. Perdida em seus devaneios amorosos, caminhou sozinha naquela noite de muito calor, o caminho para sua casa era longo e por isso resolveu passar pela estrada que atravessava o matagal, assim chegaria mais rápido e ligaria para suas amigas para contar o seu feito extraordinário. A estrava estava completamente vazia o que a amedrontou um pouco, só conseguia ouvir o barulho das folhagens ao vento e o ruído dos seus pés contra o cascalho, caminhou rapidamente, eram no máximo 200 metros. De súbito escutou um barulho atrás de si, deu uma breve olhada e viu um homem saíndo do matagal, ele a chamou, nesse instante o coração da menina parecia querer sair do peito, foi quando ela começou a correr, mas não foi possível ir muito longe, sentiu uma forte dor nas pernas e caiu no chão machucando suas mãos, em seguida levou um tapa na nuca e começou a ser puxada para dentro do mato. O homem cheirava à bebida e estava muito suado, forte que era, conseguiu segurá-la com muita facilidade, a menina gritava desesperada por socorro, seus olhos estavam injetados de pavor. Ele tirou sua roupa e ela sentiu um movimento forte em sua virilha, quase explodiu em dor, sentia como se uma faca fora cravada em seu ventre a qual deixava feridas enormes, aquele homem nojento não saía de cima dela e falava diversos palavrões em meio à muita saliva. Ela olhava para o céu e pedia para que algum milagre acontecesse naquele instante, que tudo aquilo fosse só um pesadelo, queria muito voltar para a vida normal, onde havia beijado um menino e sentia-se muito feliz, queria a vida onde a sua família a amava e estava segura nesse amor, ela queria ficar viva mas a dor que corroía seu corpo lutava contra isso. Foi agredida diversas vezes e em meio as lágrimas perdeu os sentidos, acordou alguns minutos depois e o homem não estava mais lá, sentiu um dor insuportável que parecia ir além de sua alma, havia muito sangue nas suas pernas, ficou de joelhos e procurou suas roupas, pela segunda vez naquele dia suas mãos tremiam, vestiu-se lentamente, tirou o capim que estava em seu cabelo e foi para sua casa, sentia-se suja. Não conseguiu olhar nos olhos de sua mãe naquela e noite e muitas outras madrugada insones que vieram, na verdade não conseguia olhar para ninguém, nem mesmo o menino que beijara, permanecia reclusa aos hábitos da sociedade e imaginou que seria assim pelo resto de sua vida, aquela dor em seu ventre não passaria nuca. Cerca de três meses após ser violentada, estava sentada em sua cama, muitas lágrimas escorriam pelo seu rosto e na sua mão estava um vidro de veneno para ratos, olhava para aquilo e lembrava-se daquela maldita noite, sua vida havia terminado depois de seu primeiro beijo, não fora somente sua inocência que havia sido roubada e sim sua essência como um todo. Tomou um longo gole do veneno e deitou-se na cama. Deus havia lhe ouvido naquela noite do estupro, pois se ela pediu um milagre naquele instante, de fato isso aconteceu, pois jogado no canto do quarto havia um teste de gravidez, o resultado era positivo.
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enviada por eder
11/07/2004 09:53
UM POUCO DE COCAÍNA POR FAVOR !
Quando finalmente despertou sentiu uma forte dor na nuca, passou a mão no local e percebeu que havia algum líquido ali, era impossível saber se era sangue tal era a penumbra do local. Levou os dedos até a boca e houve a confirmação, de fato ela estava ferida, logo, percebeu também que estava toda suja e rasgada, só que havia um problema... ela não fazia idéia de como fora parar ali. Começou a entrar em pânico quando percebeu que o ambiente, que possuía um cheiro fétido, estava totalmente fechado, ficou tateando como cega desesperadamente e o que descobriu foram tijolos de uma parede muito úmida num pequeno espaço de um metro e meio no máximo. Sem dúvidas estava dentro de um poço, e buscava em vão algum tipo de saída, pois não conseguia entender o que estava acontecendo, se indagou se estava sendo seqüestrada, contudo, não havia motivos para tal tendo em vista que nunca possuiu muito dinheiro. Então começou a gritar com sua voz rouca em busca de ajuda mas não houve qualquer tipo de resposta, não havia na verdade som algum naquele lugar, talvez fosse o inferno, algum tipo de brincadeira ou até mesmo um sonho, mas a dor em sua nuca era um fragmento de realidade, tudo aquilo era muito insano. Não tinha noção de quanto tempo havia passado, já sentia uma cede insuportável quando, começou a passar a língua nas paredes tentando captar um pouco da umidade, mas sabia que logo sentiria fome e seria esse seu fim, passava a mão pelo seu corpo de maneira violenta puxando diversos fios de cabelo com muita força, aquela dor era um vestígio de vida. Não poderia morrer de fome e sede naquele lugar horrível, sem espaço, sem luz, o fato de não enxergar nada deixava seu desespero ainda maior, foi quando começou a jogar seu corpo contra a parede de forma muito agressiva, deu diversas cabeçadas contra os tijolos, enquanto se debatia e chorava, lembrava de sua família e amigos. Sua vida era sim medíocre, entretanto era o que possuía, não soube aproveitar tudo o que lhe foi proporcionado mas vagou por essa terra de dores e angústia com bravura, tudo o que era lúcido não à atraía pois as desesperanças eram deveras motivo para um suicídio, permaneceu como se entorpecida durante todos os seus dias para derrepente acordar em um poço, sem explicação alguma, era a primeira vez que gostaria de entender algo, de saber a verdade. O sangue escorria pelo seu ouvido quando perdeu a consciência Cerca de cinco horas depois começou a ouvir um barulho longínquo, balançou a cabeça e percebeu que estava toda machucada, seu nariz estava quebrado, o barulho aumentou. Eram diversas pessoas conversando, mas o som não era inteligível, ela começou a gritar pedindo socorro, foi então que o som extinguiu-se, ficando ela também em silêncio, seu coração batias descompassado. Havia uma pedra tapando o poço a qual foi retirada, a luz invadiu o local à cegando por alguns instantes, quando recuperou a visão viu um céu esverdeado e sem nuvens onde pássaros negros sobrevoavam calmamente, avistou algumas mãos acima do poço e clamou por ajuda, finalmente Deus havia ouvido alguma coisa, foi quando uma porção de terra caiu sobre seu rosto ferindo seus olhos, limpou com as costas das mãos e perguntou o que estava acontecendo, não houve resposta lá de cima, só percebia diversas pás que jogavam terra incessantemente. Ela começou a sorrir, seu sorriso logo se tornou uma gargalhada assustadora, deitou-se no chão gelado e a terra começou a cobrir seu corpo estava sendo enterrada viva.
www.devaneiosdocotidiano.zip.net
enviada por eder
27/06/2004 18:12
CARTA DE UM SUICIDA
Sabe, muitas vezes escrevi para passar o tempo, para contar coisas da minha vida, meus segredos de forma implícita, para divagar sobre ambientes estranhos, escrevi para falar do vento no meu rosto e sobre imenso céu cinza sobre a minha cabeça, porém, dessa vez escrevo para dizer que é a última vez que vocês leram frases minhas, é o ponto final dessa prosa que foi minha vida.
Queria impressionar assim como fez Kurt, no seu discurso final, com uma despedida poética, mas esse tipo de dom não me convém, somente a fraqueza é que se iguala. Acho que quando se está no berçário nos seus primeiros instantes, já existe uma cobrança e uma meta a ser traçada, já no meu caso eu estava ausente no momento e nada foi estipulado para mim, essa busca incessante por objetivos trilharam o meu caminho até essas palavras que estás lendo.
A vida já não flui em minhas veias, não consigo encontrar motivos para ver um horizonte além dessas quatro paredes, tendo a luz do sol nenhum poder sobre meus anseios, não há nada além desse cômodo que me faça crer que algo ainda vale a pena. Eu tentei ... juro que tentei buscar os caminhos corretos, tomar as decisões certas e ser uma boa pessoa, fiz tudo isso e olho para mim e não vejo nada, somente a falta de esperança, sentimento dos tolos. Sei do mal que existe nessas madrugadas frias, dos demônios que existem dentro da mente humana, explicação para as brutalidades que por ai se espalham, mas que não me comovem mais.
Gostaria de ter agregado algo à vida de alguém, contudo, isso não foi possível, não me deram essa chance. Não há alguém para sentir minha falta, sabe, estar em um lugar distante, algum lugar de rara beleza e desejar com todas as suas forças para que você pudesse dividir aquilo com alguém. Me sinto triste por essas coisas, meu rosto magro e cansado é o outdoor da minha destruição. Vi que nada disso valeu a pena, nenhum esforço foi recompensado e nenhum amor correspondido, sendo esses comprimidos de grande valor nessa hora.
Não sei se ao terminar de escrever a coragem será a mesma, mas acho que comecei meu suicídio à muito tempo, quando revi minha vida, desde quando perdi a coragem de viver, não fui forte o bastante para esta batalha, isso explica o porque escrevo tão lentamente, estou me distanciando de tudo. Mas não quero causar tédio no leitor, seria a última impressão e não é o que pretendo deixar de legado. Não vou agradecer por todas as coisas que fizeram por mim, só vou pedir desculpes pelo o que não fiz por vocês, peço perdão por ser quem eu sou, minha mente me venceu.
Lucas 15 anos
DPOR FAVOR,DEIXEM SEU COMENTÁRIO NO MEU NOVO BLOG: www.devaneiosdocotidiano.zip.net
enviada por eder
07/06/2004 17:38
13/06 TUDO TRAVADO
Não estou conseguindo postar o Blig está em manutenção.
Escrevi esse conto logo abaixo e a única maneira que encontrei para postá-lo foi editar o post anterior e apaga-lo. Que droga ! Espero que gostem do conto mesmo assim.
MEU PAI
Naquela madrugada fria e sem estrelas o menino jazia sentado em sua cama, abraçava as pernas com força e as lágrimas fluíam sem controle algum, contudo era um choro silencioso, ninguém poderia ouvir, somente seus olhos pequenos expressavam o medo que sentia. Não tinha medo do escuro, não teve pesadelo algum, mas quando ouviu o carro chegando seu coração disparou, as luzes na janela do seu quarto tornavam-se assustadoras.
Sob efeito do álcool seu pai encontrava dificuldades em abrir a porta e naquele dia resolveu quebrar o vidro da sala, resmungava diversos palavrões ao passo que sua mãe abria-lhe a porta. Cuspia palavras ininteligíveis misturadas ao um cheiro etílico e suor, esse cheiro marcaria a infância do menino para sempre, entrava acusando a esposa de adultério e negando a paternidade dos filhos, eram horas de muita tenção onde quase chegavam à um clímax de agressões. Dia após dia as cenas se repetiam, cada vez mais amargas, uma nuvem cinza manteve-se naquela casa durante toda a vida, tudo o que ocorresse dali por diante seriam conseqüência dessas madrugadas insones.
E o menino cresceu, cercado de incertezas e de dores que perduram nesses dias tristes, a certeza de que nunca recebeu nenhum tipo de carinho do pai nem reconhecimento de algo o magoa muito, é um passado que gosta de guardar em um baú empoeirado em cima do armário juntamente com os seus fracassos. Não teve um exemplo a ser seguido, mesmo assim caminhou com seus próprios pés na direção que julgou ser a melhor, mesmo achando que a vida poderia ter sido mais simples se a coisas não fossem postas desta maneira, mesmo achando ser injusto não ter um pai. Só que nem sempre a cabeça está erguida, e nesses outonos não são só as folhas que caem, nesses dias em que a garoa insiste em cair as dores e lembranças teimam em voltar, sendo impossível conter a tristeza. Não há ninguém na rua e ele chora, chora feito um garotinho sentado em sua cama, morrendo de medo, pois seu pai chegará alcoolizado em breve. A chuva cai levemente sobre seu rosto misturando-se às lágrimas.
enviada por eder
29/05/2004 15:33
AS SENHORAS DE CURITIBA
Todos estavam equivocados quando julgaram ser um assalto o fato de um menino todo sujo estar próximo àquela senhora. Dona Eleonor, no auge de seus 68 anos, adorava passear no centro da cidade, estava elegante como sempre com seu casaco marrom e seus óculos grandes, sempre observando as lojas mais caras. O menino ao seu lado se chamava Luiz, morou na rua durante praticamente todos os seus 13 anos de vida, naquele inverno ele não negaria qualquer proposta que lhe fosse imposta, desde que ficasse longe do frio e das madrugadas intermináveis. Quando aquela senhora grisalha apareceu ele concluiu que não desperdiçaria a chance, dialogaram por alguns instantes e saíram andando em meio ao calçadão um ao lado do outro.
Quando chegaram no apartamento, Luiz percebeu que naquele lugar estava mais frio do que na rua, não entrava vento algum, contudo era de fato muito triste e vazio. Os móveis todos muito antigos e na sua maioria apodrecidos foram talhados de maneira meticulosa em mogno, haviam vários lustres e peças de prata. Enquanto ela fechava a porta atrás de si, ele foi logo ao banheiro na terceira porta, trancou e ficou encostado por alguns instantes, era um banheiro muito bonito que possuía até banheira. Não havia espelhos, assim como na casa inteira, outrora Dona Eleonor fora uma grande modelo fotográfica e passou a vida inteira fazendo uso de sua imagem, agora, diversos outonos depois ela se recusava a enfrentá-la, pois havia percebido que assim como a beleza o seu talento se fora, se é que realmente existiu algum dia. Para Luiz nada importava na personalidade da velha, o que ele não podia era passar mais uma noite com os ossos congelados, no dia em que perdeu três dedos do pé percebeu que não suportaria por muito tempo essa situação, precisava do dinheiro que ganharia elas sempre pagam bem pensou consigo, assim poderia comprar algo para entorpecer os sentidos e ficar longe desse mundo inóspito.
Eloisa estava sentada no sofá contemplando o vazio de sua casa, já havia perdido a conta de quantos anos ficara ali fazendo a mesma coisa, dia após dia, envelhecendo lentamente ao passo que a solidão corroía sua vida. Quando o glamúr se foi, levou consigo a felicidade superficial, porém constante, que invadia os seus dias, acabaram-se as festas, foram-se as amizades, termiram-se os amores ocasionais. Sentia-se desprezível, vasculhava dentro de si algum tipo de valor, contudo a busca era vã, nada sobrou, somente os dias intermináveis e cansativos de ócio e infelicidade que à fazia recorrer à esse tipo de atitude a amargura agora era sua grande parceira.
Luiz saiu do banheiro e se aproximou do sofá, ela o fitava com um olhar falso de felicidade, ele lhe deu um beijo longo, sentiu um pouco de ânsia de vômito, se afastou passou a mão nos lábios então, calmamente, começou a se despir.
enviada por eder
25/05/2004 18:33
FELICIDADE SUPERFICIAL, POST SUPERFICIAL, NOVIDADES E FRASES DE EFEITO, NÃO EU NÃO ME VENDI AO SISTEMA,SÓ ESTOU UM POUCO CANSADO
Desculpem a ausência, não estou com nenhum tipo de bloqueio para escrever, só não estou muito afim mesmo, já estou com um conto existencialista em mente contudo não vou colocá-lo aqui por enquanto. Obrigado pelos comentário no último post, eu sei que ficou do tipo gigante mas foi algo que escrevi com certa dificuldade e exigiu bastante de mim, sendo que não é um gênero que escrevo com frequência, mas quem leu gostou e isso me deixou bastante feliz pois é um dos contos que tenho mais orgulho de ter escrito.
Nessa semana fui à uma daquelas palestras motivacionais (lavagem cerebral), apesar disso não funcionar muito comigo achei algumas coisas relevantes. O cara (um senhor do Rio de Janeiro grisalho e muito bem humorado) falou por cerca de hora e meia sobre a felicidade e as maneiras de alcança-la (para quem almeja é claro). Disse que muitas vezes deixamos que um fato isolado (geralmente alguém petulante)estrague nosso dia por alguma bobagem, algo que falou, alguma ofença enfim, coisas assim, e não paramos para refletir as outras coisas boas que aconteceram em nosso dia, que geralmente são a maioria e podem tornar um dia muito feliz, sem complicações, é só uma questão de calma e percepção, é necessário colocar tudo numa balança e avaliar se vale a pena estragar o seu dia por pouca coisa. Devemos sempre comemorar as pequenas conquistas do dia a dia.
Portanto estou comemorando o fato de que finalmente passei na porr... do teste do DETRAN, não errei nada e logo estarei com o porte da arma em mãos !! Quer dizer a carteira de motorista, o melhor é que nem precisei subornar ninguém. Fiquei com pena de uma senhora que estava comigo, reprovou pela quarta vez (ou terceira, sei lá), dessa vez ela deixou o carro morrer quatro vezes na baliza, mesmo assim ela saiu sorrindo e dizendo que iria tentar novamente.
Comemorem suas conquistas, suas alegrias, valorizem as pequenas coisas.
Achei isso bem bacana, ele também disse uma frase interessante:
Se você quer ser feliz, não se case. Se você quer fazer alguém feliz se case
(esqueci o nome do cara)
Achei profundo, tirem suas conclusões.
Visito à todos em breve.
Escreverei mais contos nessa semana ainda
MOMENTO ESQUISITO:
Eu não credito em tudo que escuto ... mas pode fazer bem à alguém ... só relato coisas ... não posso me tornar alguém negativista ... mas não posso me vender ao popular ... sou realista ... me tolerem ... assisti Troy e não gostei, isso faz de mim uma pessoa anormal ? ... estou trabalhando muito e não posso assitir o Bob esponja ... o salário mínimo é mais engraçado que piada de português ... vi as fotos das toturas no Iraque ... e ainda falam dos meus contos ... eu já falei que não sou um estuprador né ...
enviada por eder
15/05/2004 19:03
UMA HISTÓRIA SOBRE NIGUÉM
Girava o copo de whisky lentamente, os cubos de gelo refletiam diversas imagens destorcidas, que logo derreteriam e sumiriam dali, sempre achei esses copos um sinônimo de melancolia, pois o gosto amargo que rasga a garganta só é aceito pelo alívio psicológico gerado, mais uma fuga da realidade, tapando com um pano escuro toda uma existência sem significados. Meus dois colegas discutiam alguma coisa supérflua, enquanto fumavam seus cigarros baratos, soltavam várias gargalhadas e deixavam seus dentes amarelados à mostra ao passo que eu me limitava a lhes oferecer leves sorrisos e a falsa sensação de que demonstrava algum interesse no que diziam. Haviam diversas pessoas no estabelecimentos, as mesas estavam repletas de pessoas bem vestidas com seus diálogos descontraídos, a sua maioria era formada por advogados, os mesmos pseudo intelectuais, introspectivos cientes do vazio que os preenchem, das amarguras e tristezas que tomam conta de suas vidas, assim como eu, todos são iguais, criando assim uma imagem externa de aparências superficiais, são tantas gargalhadas que quando demasiadas demonstram o desespero que age por trás de tudo.
Quando admiti pra mim mesmo que minha vida foi um fracasso, que eu não soube utilizar das ferramentas que foram-me proporcionadas, ficou mais claro enxergar a vida, a aceitação foi deveras angustiante, contudo libertadora. Agora não espero nada ilusório, me cansei da obrigação de possuir um sonho, de almejar coisas que só nos fazem cair e perceber que somos incapazes, não quero mais isso para mim, não quero nada além da fronteiras seguras da minha capacidade. Quando me sento nessa mesa todas as sextas-feiras, percebo o quão grande são meus anseios e como é tão difícil me sentir sozinho entre tantos, a certeza de que mais pessoas sentem os mesmo de certa forma me abala.
Pedi licença e levantei-me, um deles falava sobre a política econômica de um país qualquer, mal perceberiam minha ausência, todo aquele ambiente estava me causando náuseas, resolvi me refugiar no banheiro. Aquele homem de terno preto e gravata torta refletido no espelho não se parecia comigo, com o que eu era, não conseguia me reconhecer em nada, se é que isso já aconteceu alguma vez. Estava em meio a esses devaneios quando meu sangue congelou de súbito, havia uma garota sentada no canto do banheiro, coloquei a mão na boca para não gritar e ela deu um sorriso quando viu minha cômica reação.
- Você costuma usar o banheiro masculino sempre ? Perguntei abrindo um sorriso amigável, meu coração estava disparado.
- Pra falar a verdade, procuro não ser previsível em minhas atitudes, convenhamos que estar aqui nesse instante não é algo que você esperava. Disse ela ajeitando seus cabelos negros. Na verdade costumo me esconder de mim mesma aqui, tenho tantos problemas em minha vida que preciso de refúgio para pensar, muitas vezes escolho lugares inusitados como esse.
- Refúgio...estranho, mas não há como não sentir empatia, também me escondo para me massacrar com auto questionamentos. Disse eu com certa tristeza no olhar.
- Prefiro não buscar respostas, assim sofro menos, o que faço é contar as mesmas histórias, conto somente para mim para rever tudo e deixar as coisas mais claras, mas não tenho o poder de mudar nada, deixo-as como estão, nada de questionamentos, se eu refletir sobre algumas coisas por cerca de dois minutos, terei motivos para chorar por uma existência, sendo assim desligo essa parte do meu cérebro.
- As vezes busco esse interruptor mas não encontro.
- E com certeza muita gente também não, bem... agora eu vou andando, chega de perturbar o banheiro dos homens, já deixei muitas lágrimas por aqui, até mais.
Me deu um beijo na boca e saiu sem dizer mais nada, fiquei imóvel por alguns instantes passando a mão nos lábios, sem dúvidas tudo aquilo foi muito estranho, me senti cansado, por um instante me senti morto, mas só quem vive realmente pode se dar esse luxo.
Saí do banheiro e questionei um homem que estava próximo a porta se havia visto a garota, ele afirmou que não viu ninguém sair por aquela porta, olhei para mesa em que meus amigos estavam e não havia mais ninguém, já haviam se retirado. Me senti mais sozinho do que nunca e saí do estabelecimento, andei pelas ruas escuras sem rumo aparente, percebi que tudo o que eu sentia era muito mais do que a solidão, que talvez a garota nunca tivesse existido contudo eu queria encontrá-la, mas quem iria me procurar ? quem sentiria minha falta ? a certeza de não existir me corroía, mas naquela noite aprendi a deixar as indagações de lado.
enviada por eder
11/05/2004 18:52
CALMA LÁ !!!
Aviso à quem for ler o conto "O estupro": Não, eu não sou um estuprador nem um psicopata, é apenas um conto em primeira pessoa que eu não imaginei que causaria essas reações, tem gente até achando que eu estuprei alguém Eu sei que é chocante, mas eu queria mostrar um crime visto por outro ângulo que não o da vítima, queria desvendar a mente doentia de um pessoa, aparentemente, comum. Só isso. Geralmente escrevo sob influência do que leio, sendo assim esse conto tem muito do livro "O diário do Farol" do Ubaldo Ribeiro, recomendo à quem gosta do gênero. Não quero transformar esse blog em algo desagradável de ler (acho que foi isso que aconteceu, pois está muito chocante) só quero que compartilhem da minha imaginação e no momento é que me cabe escrever, mas não descarto a possibilidade de caminhar por outros estilos ok !
Obs: Se até acharam que era tudo real, é um sinal de que eu não sou uma pessoa normal ? e se eu já matei alguém e agora não lembro ? Será que já desmembrei alguém na mesa da cozinha ? Acho que tem sangue de outra pessoa na minha roupa ! Vou mudar o nome do meu blog para "Devaneios de um Psicopata" heheh
Não me abandonem, eu sou normal
enviada por eder
08/05/2004 17:13
O ESTUPRO
Ser visto como um "monstro" pela sociedade não me causa mal algum, sou rotulado de diversas formas, entretanto as pessoas não fazem idéia de quem eu sou e o que se passa comigo. Não tenho o mínimo interesse de saber quem irá ler esse relato, sendo assim se me julgarem de qualquer modo, saibam: vocês não são os primeiros e nem serão os últimos a me odiarem, as opiniões adversas causam pouco ou nenhum impacto sobre minha atitudes e o meu modo de agir, sou autêntico ? claro que não, tem milhares de bêbados e vagabundos que fazem o mesmo por aí, qualquer mulher passando sozinha por alguma rua pouco movimentada vira matéria prima de barbáries, meu diferencial é que tenho consciência do que faço. As pessoas perdem o seu tempo querendo buscar na mente de um psicótico como eu, o porquê de tais atitudes, reviram o passado da pessoa ou "animal" como queiram e descobrem que o cara foi abusado na infância, foi agredido e agora se rebela contra o sistema de maneira agressiva. Confesso, não tive uma infância invejável, o porco do meu pai fazia o que queria comigo e com minha a mãe, a qual morreu a pedradas na frente de casa (ela estava de olho no vizinho, segundo meu pai), vendo por esse ângulo, os percalços de minha infância podem ter gerado o "ser" que hoje sou, mas quem não tem problemas na família ? os estupros que cometo não são um cano de escape e sim a essência da minha existência, eu gosto do que faço e não culpo ninguém por isso.
Ontem foi um dia bem comum, por volta da 1 hora fui até o matagal próximo à estrada de chão, prefiro esse local pois não há iluminação, o lugar tem fama de ser perigoso mas as pessoas insistem e passar por ali para "cortar caminho". Levei uma garrafa de whisky barato, quando a mesma estava quase na metade vi a menina se aproximando, acho que ela deveria ter uns 14 anos, eu adoro as mais novinhas pois são mais fracas e exigem pouco esforço. Descuidada que é, estava caminhando sozinha, estava calor e uma leve brisa pairava no ar, as folhas do matagal se sacudiam lentamente, me abaixei e aguardei, ela olhava a todo instante para os lados, parecia um pouco apreensiva "elas parecem pressentir" pensei comigo. Assim que ela passou, atravessei a rua bruscamente ao passo que ela levou um susto e começou a caminhar mais rápido, comecei a chamá-la e ela correu, rapidamente alcancei-a e chutei suas pernas, ela caiu de bruço esfolando as mãos no cascalho, dei um tapa na sua nuca e a puxei para dentro do mato por cerca de oito metros, até fugir de vista de qualquer moribundo que estivesse passando pelo local. Quando comecei a tirar sua roupa ela já não agüentava mais gritar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto e aquilo me deixava eufórico, beijei ela diversas vezes e disse que a amava e que seria muito bom, ela era um vadia e iria gostar. Penetrei-a de maneira brusca e ela gritou de dor, logo pude ver o sangue em suas coxas, continuei com movimentos mais suaves enquanto seu corpo se debatia freneticamente, aquilo estava me irritando então lhe dei vários socos na face até acalmá-la, tirei sua camisa e belisquei seus mamilos com violência, sua expressão de pavor me alimentava, e assim foi por longos 20 minutos, ela olhava para o céu como se estivesse pedindo socorro, mas agora era tarde eu já tinha terminado, tinha sido muito bom. Geralmente esfaqueio ou sufoco as garotas para que eu seja o último homem delas, mas os olhos apavorados daquele menina me fizeram lembrar minha filha de mesma idade, portanto a deixei ali, com seu pavor, sua dor física e moral, todo aquele sangue nas pernas nuas, não sei de que maneira ela irá encarar a vida daqui para frente, se isso terá algum significado, talvez ela vire um pessoa desequilibrada, afinal, agora tem seus motivo. Quanto a mim posso afirmar que continuo levando minha vida pacata, quando sentir vontade farei tudo novamente, é muito bom sentir toda aquela adrenalina, toda a dor do mundo, minha vida seria um vazio sem isso, é a minha essência.
enviada por eder
02/05/2004 09:08
DOMINGO, DIA DE CHURRASCO NA CASA DO JOÃO
Faltava pouco para o meio-dia quando João saiu de casa em um bairro nobre de Curitiba, rumo ao açougue mais próximo, acendeu o Camel amassado que estava em seu bolso, pigarreou por um instante e continuou à fumar. Fazia um calor agradável naquele domingo, a ausência de nuvens no céu indicavam que haveria mais calor durante o dia, João adorava caminhar em dias assim, fazia questão de deixar seu Audi na garagem e "esticar um pouco as pernas", como costumava dizer. Cumprimentava à todos que via pela rua, sempre foi visto como um bom vizinho durante os trinta anos que morou no local, e possuía grande afinidade com os moradores mais antigos, sempre almoçava na casa de amigos e participava das diversas comemorações da chamada "Alta sociedade".
Trabalhou como Advogado durante praticamente toda sua vida, adquirindo um status invejado por muitos, nunca casou pois sempre teve que dedicar seu tempo à sua mãe doente, as pessoas o admiravam por isso, ele era forte e não demonstrava problema algum com relação à solidão.
Chegou no açougue, apagou o cigarro e cumprimentou o balconista, trocaram algumas palavras sobre o jogo do dia anterior, em seguida João comprou dois sacos de carvão e dirigiu-se para sua casa, fez o caminho de volta lentamente cantando algumas canções antigas, quando chegou, deu uma breve olhada para fora antes de fechar a porta, sem dúvidas seria um dia lindo. Colocou o carvão na churrasqueira e acendeu o fogo, ainda demoraria certo tempo para ficar no ponto ideal, sendo assim poderia terminar o serviço.
O corpo de sua mãe, uma senhora de 78 anos estava em cima da mesa da cozinha, completamente nu e ensangüentado, João havia utilizado um martelo no crânio da senhora para começar a preparar o almoço, foi até a pia cantando uma música animada, lavou as mãos, abaixou-se para pegar a faca na última gaveta, analisou o objeto e devolveu no local, foi até o armário do outro lado da cozinha e apanhou um cutelo, agora sim ficaria mais fácil. Se arrependeu de ter matado sua mãe na quarta-feira, afinal, o cheiro que o corpo exalava já poderia ser sentido na vizinhança toda e eles poderiam ficar intrigados com algo, contudo hoje seria dia de churrasco e tudo estaria terminado, empunhou o cutelo e começou a desmembrá-la.
Falando de outra coisa...
Eu não poderia deixar de agradecer à todos que visitam meu blog e deixam comentários magníficos, fico muito feliz de poder escrever para pessoas tão inteligentes e com opiniões tão legais (tá puxando o saco dos leitores né !) não, é só lerem os diversos comentários do ultimo post e verão que estou certo, são opiniões muito interessantes, sobre a realidade humana, pobreza e coisas do gênero. Gosto muito de provocar isso nas pessoas, por mais que não concordem com o que escrevo deixam sua opnião sobre o que eu escrevi e sobre seus pontos de vista, o que é muito bacana. Obrigado pelos 41 comentários, bati meu recorde com um post que ficou tão grande que eu pensei que ninguém iria ler, acho que subestimei à todos e você me surpreenderam. Valeu mesmo !
enviada por eder
24/04/2004 10:26
PASSEIO NO SHOPPING
Parou para descansar um pouco, enxugou o rosto com a manga da blusa rasgada, o suor já havia alcançado seus olhos que agora ardiam muito, o sol do meio dia já tinha se tornado algo insuportável, teria que ir para uma sombra. Olhando para o outro lado da rua viu um shopping center, várias senhoras bem vestidas saíam de lá com inúmeras sacolas nas mãos, jovens tomando sorvete e alguns seguranças na entrada.
Deixou seu carrinho próximo ao meio fio, naquele dia ela havia acordado as 4:30 h da madrugada, sempre acordava nesse horário para conseguir mais papel e quem sabe alguma coisinha para comer, segundo ela, os lixos dos grandes edifícios escondiam maravilhas para sua degustação. Certo dia encontrou até um pote de camarão ao molho que ainda nem estava apodrecido e jogaram fora, estava escuro e não podia ver nada direito, mesmo assim estava uma delícia, ficava espantada com quanta comida era desperdiçada, o mesmo acontecia nas feiras de frutas e verduras, sempre passava por lá quando todos já tinham ido e pegava alguns alimentos "bons" do chão.
Atravessou a rua e entrou no shopping sob o olhar desconfiado dos seguranças, haviam inúmeras pessoas lá dentro que, quando passavam próximo à ela, desviavam com certa aversão - na certa veio roubar alguma coisa ou pedir comida - comentavam alguns, contudo, ela não percebia tal aspereza, pois achava isso normal no ser humano, afinal ela sem dúvidas era inferior e se colocava no seu lugar, não contribuía de forma alguma para que o mundo fosse um lugar correto. As pessoas que nasceram nas famílias certas, conviveram com as pessoas certas, essas sim eram importantes para humanidade, e o que elas tinham de melhor ? oras, tinham nascido na família certa, e só, sem mais perguntas por favor.
Com o tempo se acostumou a ser vista como um animal sujo que rasteja pelas ruas em busca de sobrevivência, afinal era isso que ela era, não havia propósitos para sua existência, somente a sobrevivência. Viu um loja de cosméticos, algumas mulheres se maquiavam lá dentro, aqueles potes de cremes lhe davam água na boca. Percebeu que a maioria das lojas eram de coisas supérfluas, como podiam gastar dinheiro com tantas baboseiras sendo que havia tanta fome ?, no shopping só deveria ter comida, pensou consigo. Parou em frente a uma loja de vestidos, ficou durante dez minutos admirando um longo vestido prata, não tinha sonhos concretos na sua vida, mas gostaria muito de ser uma princesa, isso significava conforto e bajulações, entrou e pediu para provar o vestido. As vendedoras acharam aquilo uma ofensa, afinal, aquela mulher nunca teria dinheiro para pagar tal vestido, de fato ela não possuía o valor necessário, mas seu objetivo era somente provar, para que durante um minuto de sua vida se sentisse menos oprimida e um pouco feliz, daria até um sorriso, naquele minuto ela seria um princesa. Mesmo com grande insistência não atingiu seu objetivo e foi expulsa sem mais explicações, ela estava imunda e sujaria o vestido.
Logo as lágrimas vieram e sentiu grande tristeza, mas ela sabia que aquele era um sonho inatingível, continuou a caminha cabisbaixa, lembrou que deveria voltar para casa, as crianças já deveriam estar com fome, resolveu pegar um pouco de papel e latinhas das lixeiras do shopping, sentou no piso gelado, virou o lixo no chão e começou a separar o que era de seu interesse, as pessoas que circulavam pelo local ficaram horrorizadas e logo os seguranças foram acionados, ela tentou explicar que colocaria tudo no lugar mas já estava sendo arrastada para fora, todos achavam que ela havia roubado alguma coisa. Deixaram ela na rua e lhe disseram para não voltar mais. Eles estavam certos, afinal, aquele não era seu lugar, ela não pertencia aos "necessários para existência", se sentiu triste pois as pessoas que lhe olhavam com tanta repugnância eram tão vazias que mal poderiam refletir sobre seus próprios defeitos, os quais às tornariam realmente repugnantes.
Quando a chuva começou ela já estava quase chegando em casa, um barraco de dois cômodos feito de lona, estava muito cansada , os bebês já haviam dormido, sua filha mais velha de 10 anos veio lhe abraçar, ela soltou um suspiro e perguntou como havia sido o seu dia:
- Hoje eu fui passear no shopping minha filha.
enviada por eder
18/04/2004 18:44
CONTROLE REMOTO
Liga - Estamos sobrevoando o desabamento aqui na zona norte e...Bzzz...Olha aqui seu Ratinho ! a Marineusa não tinha nada com Joseclécio, o filho não é dele eu quero o exame de DN...Bzz... Quer pagar quanto ? aqui nas...Bzz...O presidente www.George Bush.com afirma que o objetivo é verificar a existência de armas químicas no Ir...Bzz...parte do corpo humano com duas letras, valendo mil reais...Bzz... ligue para 0800-8888 e doe a sua parte, ou você não se importa com o mundo ?...Bzz... assista Lágrimas da emoção, sua nova novela mexi...Bzzz...segundo Bush a existência de petróleo no local foi simples coincidência e...Bzz... as imagens mostram os traficantes atirando contra os polici...Bzz.. não são fogos de artifícios, são rajadas de metralhadora e a população está em pânico Daten...Bzz...com apenas dois minutos de exercícios por dia você perderá 40 quilos...Bzz.. olhou levou ! aqui nas Casas B..Bzz... Quer pag... Bzz ... veremos então uma reportagem especial sobre a reprodução dos orangotangos ... Bzz ... com você Felipe Dylons ao viv... Bzz ... pegue 4 xícaras de farinha, 2 ovos... Bzz ... o presidente americano afirma não ter envolvimento no escândalos da ... Bzzz ... com certeza ele teve um caso com o bombeiro, ele apagou o fogo dela e ela não quis desfilar ... Bzz ...Quer pagar quanto ?... Bzz ... Não Homer, você não tem cérebro ... Bzz ... I'am king the world... Bzz ... Oh yes Ohh... Bzz ... a vítima foi encontrada sem os membros superiores ...Bzz ... a todos os meus baixinhos um grande beijo e ... Bzz ... começa agora o horário eleitoral... - desliga.
Sugestão do dia: Viva melhor, quebre sua Tv
enviada por eder
14/04/2004 19:57
AS VEZES SOU UM CARA MEIO CHATO...NEM SEMPRE
Meu humor não está dos melhores nos últimos tempo eu sei, talvez os contos que escrevo reflitam meu estado de espírito, por isso essa certa amargura que tem chocado um pouco. O problema é que as vezes a história aparece pronta na minha cabeça. Tive certa relutância em aceitar o conto "Uma certa páscoa", acho que ele foi meio Cidade de Deus misturado com A paixão de Cristo, sei que não tem nada de novidade e foi um pouco piegas, mas entendam, era impossível não postá-lo, mesmo sendo de qualidade duvidosa para muitos, é algo que faz parte dos meus dias, me inspirei tanto no filme quanto no que está acontecendo na Rocinha, eu necessitava fazer essa analogia, a minha versão da história ! que, queiram ou não, não tem nada de cor-de-rosa, meu objetivo aqui é incomodar, quero que se sintam desconfortados enquanto lêem. Ë claro que nem sempre estou assim, vide contos como "As nuvens" e "Uma menina na janela", não tenho preferências no que escrevo, mas esses me deixaram orgulhoso por se tratar de algo que domina meu interior e consegui transpor para o papel da melhora maneira que pude. Enfim não serei falso moralista escrevendo histórias que transmitam paz e harmonia, só para conseguir mais visitas ou comentários, isso não faz parte da minha índole, não é essa a minha maneira de escrever, a não ser é claro, que eu esteja passando por dias incríveis, que tudo no mundo seja ótimo e todos sejam felizes, até chegar esse dia vocês ainda leram um pouco de realismo por aqui, espero agradar a todas à minha maneira, prendendo a sua atenção por algo interessante e com certo conteúdo, quero que fechem a tela desse blog com um pouco de acréscimo às suas vidas e idéias, afinal sempre levamos conosco um pouco dos blogs que lemos.
Comecei a ler "O Senho dos Anéis", li umas 50 páginas e já estou fascinado pelo livro.
Assistam "A deusa de 1967", é uma produção japonesa (eu acho) que ganhou prêmios de melhor direção e fotografia em Cannes, é um filme ótimo.
Assisti "Um amor para recordar", tinha tudo para ser um filme teen qualquer, mas é surpreendentemente belo, recomendo a todos, é impossível não se sentir melhor após assistir, é uma história de amor belíssima, chorei um monte, o filme fala sobre aceitar as diferenças das pessoas, conflitos entre pais e filhos e coisas assim, tem um roteiro bem interessante.
enviada por eder
10/04/2004 10:53
UMA CERTA PÁSCOA
Quando viu aquele garoto de 12 anos levar um tiro no ouvido no meio da rua, percebeu que não poderia continuar neutro com relação a sua realidade, naquele instante seu destino mudaria completamente, alguma atitude deveria ser tomada. Dois papelotes de maconha foram o motivo da brutalidade, o garoto deveria fazer a entrega na favela vizinha entretanto foi abordado antes que pudesse concluir o trabalho, não disse nada e entregou a mercadoria, mesmo sem reação levou o tiro mortal. Souza sabia que aquele não era um caso isolado e que os cadáveres nas esquinas e becos estavam se tornando cada vez mais comuns. Enfrentar qualquer traficante que fosse seria suicídio, então ele decidiu que poderia fazer algo pela comunidade, as crianças deveriam ter uma melhor orientação para que não seguissem aquele destino, de certa forma, inevitável. Com a ajuda de alguns políticos conhecidos, levantou fundos para criar uma oficina de artes no meio da favela, lá, jovens e crianças ocupariam seu tempo usando de sua criatividade, muitos talentos foram revelados, a idéia fez tanto sucesso que foi copiada por diversas entidades. Conseguiu alguns sócios, 12 ao todo, para ampliar seu trabalho, todos eram admiradores de suas idéias e queriam seguir o exemplo. Criaram então diversos programas de ajudas as famílias carentes, doações de alimentos e geração de empregos, fazendo com que a criminalidade na favela diminuísse de maneira significativa, pois com algumas reivindicações conseguiriam até um melhor policiamento.
Contudo, os líderes das facções marginais estavam se sentindo agredidos por tais mudanças na favela, perceberam que o controle da mesma já não era total, alguns moradores já se rebelavam contra os bandidos, não obedeciam mais as ordens, então eles, os traficantes, resolveram consumar tudo. Souza foi surpreendido em uma das vielas, três homens encapuzados apontavam-lhe armas de grosso calibre.
- Então você é o tal do Souza que está querendo criar uma revolução né, o que você ta querendo ? tá achando que é um Jesus qualquer é ? Disse o homem de capuz vermelho e calça caqui.
- É isso ai ! ele acha que é Jesus e tá tentando revolucionar as coisas por aqui ! Esbravejou o rapaz que impunha uma doze e tremia muito.
- Na verdade, o que procuro e tentar ajudar as pessoas daqui sem prejudicar o trabalho de vocês, por favor não façam nada, não fiz mal nenhum a vocês porque me agridem ? Souza disse essas palavras com lágrimas nos olhos, sentia muito medo.
De nada adiantou suas palavras, foi levado para um galpão abandonado, foi estuprado diversas vezes, deram diversos chutes no seu rosto, até não sobrar nenhum dente intacto, o amarraram em uma cadeira e lhe deram inúmeros choques elétricos, uma espuma branca escorria pelo canto de sua boca quando colocaram agulhas embaixo de suas unhas, uma a uma eram cravadas na carne. Quando ele parecia não suportar mais um dos agressores teve a idéia mais brutal:
- Ele não se acha o "tal do Jesus", então vamo crucificar o cara !
Todos adoraram a idéia, começaram a rir descontroladamente, um deles urinou em cima de Souza. Menos de quinze minutos depois, ele foi obrigado a caminhar pelo meio da favela com um caibro com cerca de 3 metros nas costas, os moradores ficaram horrorizados com a cena, o homem que havia revolucionado tudo e trazido esperança para aquele povo, agora estava sendo açoitado pelos traficantes, hematomas cobriam totalmente o seu corpo.
No alto da favela Souza foi obrigado a deitar com os braços estendidos sobre o caibro, haviam inúmeras pessoas em volta, muitas delas chorando, nada podiam fazer para impedir aquele horror. O líder dos traficantes, um sujeito conhecido como O Rei, ergueu as mãos, em uma delas havia uma marreta e na outra diversos pregos enormes, então gritou;
- Que isso sirva de exemplo para quem tentar impor suas idéias nesse local, a nossa lei é única, não queremos revolucionário que atrapalhe nosso trabalho.
Desceu a marreta violentamente contra os joelhos de Souza que gritava muito, seus olhos estavam injetados de pavor, nada tinha feito de mal, sabia o quanto estava sofrendo mas não se arrependia de nada que tivesse feito, pode ajudar muitas pessoas e isso não podiam lhe tirar, ele tinha aberto uma nova expectativa para as pessoas, vida nova, esperança. Pregaram seus braços na madeira e o deixaram ali no chão, deram tiros para cima e ameaçaram de morte quem tentasse ajudar, ele ficou lá até não suportar mais, toda a dor do mundo havia lhe tirado a vida, não só física mas moral. Certo tempo depois O Rei voltou e lhe deu um tiro no peito para garantir que o trabalho fora concluído.
No dia seguinte, ninguém ressuscitou.
FELIZ PÁSCOA A TODOS
enviada por eder
07/04/2004 12:56
O ESPANCAMENTO (QUER DIZER, A PAIXÃO DE CRISTO)
Acendem-se as luzes do cinema, olho para os lados, todo mundo enxugando as lágrimas, alguns estão com o rosto inchado de tanto chorar. A música tocando e as pessoas saindo em silêncio, alguns arriscam um "Meu Deus !" ou "Que forte né !". Quando eu filme acabou eu já estava com dor de cabeça, pensei que não iria chorar mas foi inevitável, realmente as cenas são fortíssimas fazendo com que o espectador fique se contraindo na poltrona a cada chibatada. Me senti assistindo algum filme como o "Faces da Morte" com a diferença que o personagem principal demora mais para morrer, sai da sala pesado e cansado, acho que todo mundo saiu assim. Não sei ao certo o propósito de assistir um filmes desses, pois o que se vê são duas horas de puro sofrimento, acho que é para nos sentirmos um pouco culpados. Mel Gibson acertou em cheio se o objetivo dele era demonstrar o lado mais humano de Jesus, o lado de quem sente realmente a dor, o filme não se aprofunda nos ensinamentos de Jesus ou na vida dele, o que vemos são pequenos flashbacks, no mais é sangue e lágrimas para todos os lados, creio que nesse sentido o filme foi fiel as escrituras, dizem por ai que o sofrimento foi maior ainda, eu não imagino que alguém possa suportar mais que aquilo, é muito cruel. Em suma gostei muito do filme, sai um pouco abalado, mas feliz por finalmente ter assistido o "tal filme", tecnicamente não é lá grandes coisas, a fotografia é bem básica e a trilha sonora idem, porém, gostei da atuação de todos, principalmente de Maria, acho incrível quanto sofrimento pode ser transmitido em um só olhar. Palmas para o demônio (não, não é um tipo de evocação) é que gostei do personagem, um ser andrógino que sempre está por perto nos momentos de sofrimento, às vezes com uma criança bizarra no colo ou somente circulando no meio do povo, se quiserem saber mais sobre ele perguntem para Judas.
FALANDO EM TRABALHO...
Não estou escrevendo nos últimos dias pois estou trabalhando muito, o hospital que eu trabalho possui a ISO 9001-2000, sendo assim, tenho que ficar o dia inteiro colocando um monte de documentos em ordem e fazer um bilhão de gráficos. Desculpem a ausência, porém fiquem certo de que retribuirei todas as visitas Ok.
TRAGÉDIA NO DETRAN !
Reprovei na droga do teste, depois de te ido bem no teste de moto acabei por reprovar no de carro, deixei o carro morrer (3 pontos mortais), agora tem aquela coisa de marcar re-teste e pagar R$ 50,00, que absurdo ! eu nem queria mesmo...
ATÉ LOGO !
enviada por eder
04/04/2004 10:57
ESGOTADO
Calmaria nas ruas
Cotidiano vivido, cotidiano aturado
Opiniões diversas que atacam e dilaceram
Fazem a diferença
Digerindo-as ou não
Da clareza dos pensamentos
Á prisão do egocentrismo.
Triste, uma ilha distante do arquipélago
Tudo poderia ser mais simples
Triste e insistente, tudo por vontade própria
Simples ?
A contradição está nos fatos.
A calmaria se abriga nas ruas ou
Na própria vida, só que, somente quando admirada ao longe,
Realidade ignorada
Como acreditar em tudo isso ?
Auto ilusão
Conflitos internos que se propagam
Devoram o que há no externo
Derrotá-los é preciso,
Passar por cima disso. Ileso por um campo minado
Coragem e valentia...entretanto,
A coragem é menor que a fé, sendo o esforço vão
Pois nada se resolve sozinho
Faz-se vítima do cansaço, da desistência ou
Do próprio destino
Ele sempre tem uma nova estória para contar
Muitas vezes um bom drama
Lamentações e lágrimas
E você é a personagem principal
Gostaria de mudar o gênero mas não consigo
Outra fase está por vir
Acabaram-se os encantos, o roteiro estava errado
Vou morrer dentro de mim
E, sobreviver no que há de supérfluo
É preciso culpar alguém
Então olhe para o espelho do banheiro e verás
Mesmo embaçado pelo seu egoísmo
Ele estará no fundo dos seus olhos
Você não soube conduzir suas estórias
enviada por eder
29/03/2004 19:28
MAIS DO MESMO 2 - AS DUAS TORRES
Esse é um post que achei que valia a pena ser reproduzido já que muitos não tiveram a oportunidade de ler, é sobre algumas conspirações esquisitas...
ALGUÉM VIU MEU GUARDA-CHUVA ?
Ontem tive um dia difícil aqui no hospital, várias tarefas, muitos problemas ao mesmo tempo, já estou atendendo o telefone assim casa da salada, qual o pepino ? sendo que nem vejo o dia passar, pois se eu parar para ver levo mijada , estou psicologicamente cansado, quando fui embora ontem, mesmo garoando tive a capacidade de esquecer o guarda-chuva dentro do ônibus, fiquei furioso comigo mesmo, mas passou, depois de uma breve análise decidi escrever o que se segue...
À alguns dias atrás, estava lendo uma revista especial da Super Interessante, aquelas edições que são só de curiosidades, fiquei folheando meio por cima até que vi algo que me chamou atenção, foi na seção de conspirações, havia especulações sobre o caso Kennedy, sobre o ET de Vargínia, afirmações de que o Elvis era realmente um Et que apenas voltou para casa ao invés da sua suposta morte, por outro lado fiquei sabendo que tem uma conspiração que garante que o Beatle Paul Macartney está morto e aquele que ainda canta por ai não passa de um clone. Achei bem legal os "absurdos" impostos ali, foi então que lembrei uma coisa que alguém uma vez me disse, não sei o quem foi, portanto me permitam plagiar. Sobre a conspiração dos guarda-chuvas, sério mesmo, após um estudo aprofundado das evidências posso afirmar com toda certeza que existe essa "conspiração-de-pobre", se acham absurdo, analisem os fatos:
- Quem nunca esqueceu um guarda-chuva dentro do ônibus ? Em porcentagem seria 90 % das pessoas.
- E quem já achou um maldito guarda-chuva no ônibus ? Não seria nem 0,1 %, pois não é todo dia que você dorme no ônibus e acorda com um no colo.
- Mas se ninguém acha, para onde vão os guarda-chuvas do mundo todo ? Como eles desaparecem ?
Por isso existe sim uma conspiração de guarda-chuvas, que são aparelhos de tecnologia extra-terrestre, nada mais nada menos que pequenas parabólicas portáteis que servem para os Marcianos nos vigiarem, (vai dizer que não parece um pouco) daí quando não precisam mais de informação implantam chips em nossos cérebros (quando estamos dormindo) para deixar a memória lenta e esquecer o guarda-chuva-parabólica no ônibus. Sei disso porque já fui abduzido e consegui fugir, eu não assisto Arquivo-X demais, é só coincidência, falando nisso... acho que vi um homem verde passando na janela, eles sabem que eu estou repassando essas informações secretas tenho que parar de escr...
Foto do Et, que eu vi na janela, é que eu estava com uma câmera digital na hora, que sorte né !, não dá pra perceber que é verde por causa da iluminação, desculpe a falha mas na hora fiquei nervoso
enviada por eder
27/03/2004 11:38
COMO PERDER UM HOMEM EM 10 DIAS
Esse foi o tipo de filme que acabei assistindo por insistência de terceiros, no meu trabalho todo mundo ficava comentando sobre o filme e dizendo para eu assistir até que finalmente aluguei. Antes, é claro, andei lendo as críticas, que foram bem cruéis por sinal, mas como nem sempre acho que eles tem razão, não é que gostei mesmo do filme. Não é do tipo "meu Deus que filme bom", mas me agradou, para resumir em miúdos, a história começa quando um jornalista de uma revista feminina (aquelas que só falam de estética, argh !) resolver escrever sobre os erros cometidos no relacionamento que acabam por afastar o cônjuge - adivinhem o nome da matéria (o título do filme ! surpreendente hein !) - para escrever tal matéria ela irá se relacionar com algum homem e cometer todos os erros possíveis para que ela seja abandonada em 10 dias. No outro lado da história há um publicitário que faz uma aposta inusitada para conseguir um grande investimento: fazer com que uma mulher se apaixone realmente por ele em 10 dias, nem preciso dizer qual é a mulher escolhida, daí por diante é só se prepara e para muitas risadas com situações absurdas do cotidiano do casal.
O NOVATO
Estrelado pelo astro da vez Colin Farrell (Por um fio) e o sempre competente Al Pacino (Advogado do Diabo) em um trama surpreendente sobre espionagem, o filme retrata o recrutamento feito pela CIA para os que almejam serem futuros agentes secreto, mostrando os testes desgastantes realizados em uma "fazenda", onde nada parece ser real. As coisas pegam fogo quando James Clayton (Colin) é recrutado para espionar uma de suas colegas suspeita de roubar informações do prédio da CIA, ao passo que ele também está sendo espionado por ela. Gostei muito desse filme pelas reviravoltas que ocorrem o tempo todo, não é possível confiar em ninguém sendo que o espectador fica sem saber se o que está acontecendo é realidade ou apenas mais um dos testes.
O CRIME DO PADRE AMARO
O melhor dos três na minha opinião, esse polêmico filme mexicano fez muito sucesso e concorreu ao Globo de Ouro juntamente com "Fale com ela" e o nosso "Cidade de Deus". Gael Garcia Bernal (Amores brutos) é Amaro, um padre enviado ao povoado de Los Reyes para treinamento pois em breve se tornará sacerdote. Seus problemas iniciam quando se sente atraído pela bela Amélia, uma jovem da localidade, o que no começo parecia uma simples atração acaba por tomar proporções inesperadas, levando à discussão sobre o celibato. Ao mesmo tempo o filme faz certas denúncias sobre o envolvimento da igreja com o tráfico de drogas e aborda de maneira um pouco chocante a questão do aborto. O problema do filme para mim, é que ele discute vários problemas interessante mas não se aprofunda o suficiente em nenhum deles, ficando um pouco vago, mas nada que tire o brilho dessa bela produção estrangeira que eu recomendo a todos.
NO MAIS...
Após aulas e mais aulas de moto, fazendo 400 vezes os mesmos movimentos com o risco de pegar LER, passei no teste do Detran, quando vi que não derrubei nenhum cone quase pulei da moto para comemorar, mas não o fiz pois poderia me arrebentar inteiro e ainda reprovar. Então está tudo resolvido ? Não, ainda falta o teste de carro, ai Meus Deus !
EM BREVE !
Estou lendo "As quatro estações" do Stephen King e em breve farei um post caprichado sobre o livro
E mais contos é claro
enviada por eder
23/03/2004 19:13
AS NUVENS
- É um leão, tenho certeza !
- Claro que não, parece mais um cachorro. Disse ele sorrindo.
Naquele final de tarde os dois jaziam deitados naquele gramado imenso, o sol que à pouco produzira um calor intenso agora fornecia uma leve brisa agradável, o cheiro de grama cortada era um tanto quanto nostálgico, trazia lembranças de verões inesquecíveis, quantos e quantos dias permaneceram ali, simplesmente olhando para as nuvens e decifrando navios, casas e flores, a paz reinava naquele local e em seus corações. Luan não conseguia conter o amor que tinha pela irmã, lágrimas escorriam pelo seu rosto até chegar ao ouvido, se sentia feliz, seu sorriso denunciava isso.
- Porque choras ? Perguntou Ana se levantando com um pouco de grama preso aos seus cabelos dourados.
- Porque tenho a melhor irmã do mundo.
Ela retribuiu o sorriso e lhe deu um beijo no rosto, naquele instante pensou no quanto era bom ter ela ao seu lado, fazia com que ele se sentisse mais vivo. Sempre se deram muito bem, as vezes Luan se perguntava como haviam irmãos que brigavam tanto, seus vizinho eram assim, certo dia viu um deles com uma grande cicatriz na testa, descobriu depois que fora uma pedrada do irmão mais velho. Com Ana e ele as coisas eram diferente, eram cúmplices em todos atos, sempre que um arrumava algum tipo de confusão o outro encobria. Saíam todas as tardes para andar de bicicleta, nadavam no riacho e tomavam sorvete de morango. Nos dias de chuva alugavam um bom filme e ficavam embaixo das cobertas com um grande pote de pipoca, gostavam principalmente de comédias, quando não assistiam filmes jogavam xadrez, havia sempre uma partida em continuidade, a cada dia um fazia um lance.
E assim levavam a vida em harmonia, era claro a necessidade que um tinha do outro, não haveria existência sem esse amor, pois era ele que movimentava tudo, as nuvens estavam lá por causa desse amor que um sentiam um pelo outro, caso contrário, o céu seria uma imensidão cinza, sem vida.
Ele se levantou e com ajuda de Ana limpou as costas cheia de grama, ele fitou aqueles olhos azuis tão cheios de vida e suspirou. Deram as mãos e caminharam pelo parque em direção a sua casa.
As pessoas que viam aquele rapaz falando sozinho, achavam muito estranho, eles não sabiam que Ana havia morrido dois meses antes em um acidente de carro, o mundo parecia ter desabado para toda a família em especial para Luan que a amava tanto. Ele sabia que a irmã não tomaria mais sorvete de morango em uma tarde de sol, mas as vezes ela parecia tão próxima... continuou caminhando.
enviada por eder
21/03/2004 11:58
FUTILIDADES...
No último post escrevi sobre o Machado de Assis pois gosto muito dos livros dele, na verdade até hoje só li três (Dom Casmurro, Memórias Póstumas e Quincas Borba), gosto muito dessa fase do Realismo. A dúvida que fica ao final do Dom Casmurro é algo discutido e muito nos meios literários, para falar a verdade eu li esse livro só para ver se a Capitu traíu ou não, daí me apaixonei pelo estilo, Como sou do lado dos que acham que ela traiu, fiz essa pequena brincadeira no último post, confesso que me diverti bastante escrevendo, afinal tive que ficar revirando o livro para ser o mais fiél possível, para quem leu (poucos rsrs) espero que tenham gostado, quem ainda não leu fica aqui meu pedido para quando tiverem um tempinho darem uma conferida.
Assisti Lisbela e o Prisioneiro. É com esse tipo de filme que fica claro para qualquer um como o marketing pode fazer a diferença nas bilheterias, pois o filme foi um sucesso e quando assisti me senti muito decepcionado. Nem parece muito com cinema, está mais para uma série de tv adaptada, pois tudo acontece de maneira desenfreada e com pouco nexo, o que salva o filme de ser uma bomba, são as boas atuações, excluínco a Débora Falabella, que como disse meu irmão da até vontade de bater naquela guría , ele parece mais uma retardada do que sensível.
Em breve mais Contos para vocês... Estou achando bem legal o retorno que estou tendo, um comentário melhor do que o outro (das pessoa que realmente lêem, é claro), tenho por objetivo proporcionar um entreterimento de conteúdo, nada vazio, algo que incomode e faça refletir, poor isso as vezes sou um pouco amargo no que escrevo, é lógico que não sou assim o tempo todo.
Me pediram para colocar fotos minhas aqui, mas não tenho Scanner, nem cämera digital, sinto muito. Mesmo que eu tivesse acho que não colocaria, sou muito tímido rs
Aqui também tem comentários brilhantes do tipo: "oi, gostei do seu blog, passa no meu tá, tchau", nossa ! quanto conteúdo hein !
Gostaria de agradecer publicamente a homenagem feita pela Pri do http://soparacuriosos.blig.ig.com.br, muito obrigado pelas suas palavras incríveis, isso revigora minha vontade de escrever, espero sempre corresponder a espectativa de todos
Por hoje é só, fiquem com Deus
enviada por eder
18/03/2004 23:30
MEMÓRIAS PÓSTUMAS E COIBIDAS
Sinto-me um refugiado nessa página, sei que esse espaço a mim não pertence, entretanto nessa fuga enlouquecida acabei por vir parar aqui, vou utilizar o espaço. Caro leitor, você pode achar muito insano mas tenho que relatar o que vi agora, pois em vida isso me foi negado. Há um mundo dentro dos livros que vai muito além do imaginário do escritor, que por hora é o nosso Deus, como personagem que sou sei da existência dessa vida que há em todas as obras, sei do poder do pensamento de um escritor, quando ele desiste de um personagem, amassa a folha e a joga no lixo, com essa folha se vão sonhos, esperanças e toda uma existência. Me chamo João Alvares, não sou ninguém importante só um personagem secundário de uma obra do século XIX, o que tenho a relatar, sim, é algo muito importante, algo que mudaria o rumo de um dos livros de Machado de Assis, o meu Deus, e poria fim às indagações.
Durante muito tempo fui amigo de Bentinho, carinhosamente apelidado por mim e por outros colegas de Dom Casmurro, por causa do seus hábitos reclusos, tivemos uma juventude muito harmoniosa, estávamos sempre juntos no colégio e eu era sempre convidado para o desjejum em sua casa. Vários dias ficamos conversando ao pé de um cajueiro até anoitecer, depois entrávamos para fazer os deveres e falar sobre meninas. Toda harmonia teve seu fim quando nos tornamos adultos, Bentinho acabou por casar com a moça dos olhos oblíquos e dissimulados, Capitu, ela que causou toda a ruína em sua vida, como irei relatar.
Eu desconfiava de todas as atitudes dela, sem dúvidas era muito suspeita, nos jantares eu percebia os olhares que ela trocava com Escobar, um grande amigo da família. Naquele dia de chuva me pus a esperar em frente a casa de Escobar, algo dentro de mim dizia que a verdade seria revelada em breve. Como supus, uma charrete parou próxima ao portão de entrada e de dentro saiu uma moça com um grande chapéu branco e um vestido longo, era Capitu. Depois pulei o muro para dentro da propriedade, cuidando para não ser visto e me dirigi até a janela do quarto, meu coração parecia que iria pular do meu peito, o que se passou posso relatar a vocês que foram tórridas cenas de sexo. Não me demorei a contar tudo para Bentinho que no início duvidou de mim e até me expulsou de sua casa, mas o tempo passou e seu filho nasceu, todos diziam que não havia dúvida, o menino Ezequiel era a cara de Escobar. No velório do mesmo, depois de um certo tempo, Dom Casmurro pode verificar a veracidade da minha denúncia, afinal sua amada olhava apaixonadamente para o defunto e derrubou algumas lágrimas que se apressou em limpa-las rapidamente quando viu o olhar acusador do marido.
É claro que ela negou, muitas pessoas ficaram imparciais, assim como muitos achavam que não haviam provas para incriminá-la até os dias de hoje. Machado de Assis fez seu papel de Deus e me tirou de toda a história, levando consigo todos os meus valores e o meu testemunho, deve ter rescrito o livro centenas de vezes, para que a duvida persistisse por vários séculos, contudo, minhas memórias vazaram por vários livros até que cheguei aqui e poder dizer a pleno pulmões:
- Eu estive lá e afirmo, ela traiu sim !

enviada por eder
15/03/2004 19:57
O CHEFE
Enquanto fumo esse cigarro, meus colegas de cela elaboram mais alguma tentativa frustrada de fuga. Não vejo motivos para ir para o outro lado do muro, depois do que fiz, a sociedade não me aceitaria de forma passiva. Mesmo se tratando de algo desumano, faria tudo novamente, afinal, ele merecia. Um ano se passou e ainda tenho as imagens nítidas em minha mente, o choro, o barulho o sangue.
Motivos tive vários, mas todo o desespero começou realmente naquele dia em que ele e chamou para um café na sua sala, o Sr. Geraldo, chefe da empresa, era um velho que não parava de fumar seu cachimbo fedorento, me falou um monte de asneiras, sobre sentir muito e disse que eu seria despedido, por cortes de custos. Logo eu, um empregado exemplar que dediquei 6 anos da minha vida para aquele escritório, para depois ser jogado na lama sem propósito convincente. Só de pensar nisso, sinto meu sangue ferver, corte de custos ! ele iria ter o que merecia, sim, serio o correto.
Todas as manhãs eu saía em busca de um emprego, enfrentava filas imensas contudo era tudo em vão, não conseguiria tão logo, a cada vez que fechavam a por na minha cara eu lembrava do velho estúpido com seu cachimbo. Me doía muito ver meu filho em casa sem nada para comer. A virada de mesa começou quanto um ex colega de serviço me forneceu uma pistola automática dentro de um saco de compras, ele disse que fazia aquilo por compaixão, pois considerava uma tremenda injustiça tudo o que havia acontecido. As vezes me perguntava se eu mataria alguém com aquela arma ou atiraria na minha própria boca, minha lucidez tinha me abandonado, fui tomado por tal ira que não posso descrever.
Sr. Geraldo chegou em sua casa por volta das 19:40 h, eu já estava lá a tarde toda, ficou assustado quando viu que eu apontava a arma para sua testa, pestanejou alguma coisa inaudível e começou a implorar que eu não o mata-se, mas é claro que eu não faria isso, poderia fazer pior. Minhas mãos estavam tremendo e eu não conseguia conter as lágrimas, em meio a soluços , ordenei que me acompanha-se até a cozinha. Sua mulher e filhas estavam amarradas nas cadeiras com fios de nailon, que comprei no mercado em frente a sua casa, ambas estavam com amordaças com panos úmidos, se debatiam freneticamente.
- Olhe aqui seu filho da puta, você tem que me pagar por tudo o que fez, toda a injustiça, seu porco capitalista.
Ele chorava como uma criança, falava o nome de todos os santos que conhecia, dizia que eu iria ser preso por aquilo, mas para mim nada mais importava. Engatilhei a arma bem devagar e coloquei na cabeça da filha, ele implorava e eu me sentia bem, puxei o gatilho e os pedaços do cérebro da garota voaram para todos os lados. Não imaginava tamanha potência, então gritei:
- Você acabou com minha vida me tirando aquele emprego, quem sofreu mais com tudo isso foi meu filho, sendo assim, você carregará nas costas o peso da morte da sua família !
Dessa vez atirei no peito da mulher três vezes para não fazer tanta sujeira, ele abraçava os corpos ensangüentados e aquilo me fez sentir repulsa, havia um pedaço de massa encefálica na parede. Acendi um cigarro e coloquei a arma sobre a mesa, então disse:
- A arma está ai, fiz o que eu tinha que fazer, nossas vidas tomam rumos inesperados, mas nós somos os responsáveis por tais rumos, sejam bons ou ruins, nessa vida não vejo nada muito esperançoso. Nesse momento meu filho está em casa com dores no estômago, não... não está doente, seu estômago está digerindo ele próprio. Não há mais o que dizer, a decisão é sua, a arma está carregada, pode vingar sua família agora.
Como podem imaginar ele não pegou aquela arma, preferiu me ver apodrecendo aqui na cadeia e não poder fazer nada pelo meu filho. Recebi a notícia à dois dias, ele foi morto em um tiroteio, estava envolvido com o tráfico de drogas. Acho que o Sr. Geraldo tomou a decisão correta, não haveria maneira melhor de destruir minha vida, mas eu lhe dei essa opção, porque ? Covardia, essa palavra define o que senti, pois no instante que vi meu filho passando fome, percebi que a esperança era algo muito distante, não pude alcança-la .
enviada por eder
11/03/2004 19:56
UMA MENINA NA JANELA
As folhas caídas no chão anunciavam a chegada do outono, naquela casa haviam muitas árvores que em outras épocas estariam fartas de frutos e flores, as grades enormes do quintal à muito estavam enferrujadas davam um certa aparência de casa abandonada, havia um cheiro de fuligem no ar. Como de costume Mariana estava sentada na mesma cadeira, enfrente a mesma janela onde passava todos os dias, era muito observadora e nada comunicativa, depois de certo tempo em sua vida descobriu que não havia necessidade de manter contato com seres humanos, não queria participar de toda aquela podridão, era muito jovem mesmo assim não lembrava com exatidão de sua família, talvez sua bisavó, contudo nada concreto. Com exceção da cadeira, não haviam móveis naquela casa, o assoalho apodrecido contrastava com as paredes sujas de musgo, sem dúvidas era uma casa inabitável. Era assim que Mariana gostava, tranqüilidade, com sua maneira atípica de lidar com a vida, afastava tudo e a todos, esse era seu ideal, as vezes ficava confusa se odiava as pessoas ou a si mesma, na verdade seu problema era o simples fato de existir, se não foi consultada para tal ação era inegável a vontade de que tudo fosse consumado. Contudo, algo valia a pena, a visão que tinha daquela janela, ali onde a vida acontecia realmente, adorava os dias de chuva, nesses dias tudo se tornava mais triste e belo, seus olhos se enchiam de lágrimas ao ver o vôo melancólicos dos pássaros, como eles não sabem o propósito de existir tudo fica mais fácil, as árvores secas balançando à força do vento pareciam pessoas pedindo socorro com os braços erguidos, as montanhas lá no fundo, tão distante quanto ela nunca estaria, sempre imponentes com seus cumes obstruídos pelas nuvens densas. Tudo aquilo era a vida real por sim dizer, aquilo que possuía um pouco de valor, significado, importância. Abaixou a cabeça e chorou...gostaria de ser um pássaro.
Assisti Fale com Ela do Almodovar, simplesmente brilhante, fazia muito tempo que não via um roteiro tão bem construído, uma melancolia que me abalou um pouco, quase chorei hehe, mas a solidão é tratada de uma maneira bem diferente nesse filme, com pessoas em coma e tudo mais, enfim, é o primeiro filme que assisti dele (que vergonha) mas com certeza vou correr atrás dos outros para conferir
Muitíssimo obrigado pelos elogios no último post, fiquei até surpreso com tantos, vários comentários ótimos, sugestões produtivas e opiniões inteligentes, cada vez vejo que vale mais a pena continuar com esse blog com certeza visitarei a todos logo, fiquem com Deus.
enviada por eder
09/03/2004 12:10
ESCLARECIMENTO
No meu ultimo post algumas pessoas comentaram que o conto era algo meio bizarro, alguns acharam legal, outros fizeream bons cometários, outros não entenderam e muitos não leram nada, que pena, não acho legal ficar explicando essas coisas, pois é melhor que concluam o que convier à suas idéias e imaginação. Mas naquele conto em especial meu único objetivo foi demonstrar até onde o fanatismo religioso pode chegar, as atitudes que, pessoas desequilibradas e sem base familiar, podem tomar podendo assim chocar uma sociedade com ações que para elas são coisas naturais.
Eu percebi que colocar contos no blog não rende muitos comentários, afinal nem todos tem tempo disponível para ler paginas e mais páginas, sem nenhuma foto para tornar menos cansativo. Mas acredito que tenho que me manter fiel a meus ideais, do que gosto realmente na escrita, sendo assim, continuarei postanto alguns contos para não me sentir vendido, espero que gostem e não me abandonem, continuarei escrevendo sobre o cotidiano e cultura, só estou tomando novos ares agora.
Escrevi esse texto para um amigo meu Herick a pedido de sua mãe para ser entregue como um trabalho no colégio dela, tinha por objetivo fazer uma análise sobre o passado 2004 fazendo-se passar por alguém que vive no ano de 2124, destacando as evoluções da sociedade.
TEMPOS ATRÁS
Cheguei no meu apartamento agora, acabei de tirar minha máscara de oxigênio, sinto grande alívio pois esse cilindro pendurado nas minhas costas incomoda muito, o ano é 2124, não temos mais oxigênio natural, novas técnicas na medicina aumentaram a expectativa de vida do ser humano para cerca de 150 anos. Instalaram à pouco tempo o sistema de oxigênio na minha casa, enquanto parafusavam toda aquela tubulação fiquei relembrando o ano de 2004, quando ainda havia a camada de ozônio em nosso planeta, nem sei se posso chamar isso aqui de planeta, para mim parece mais um depósito de lixo colossal.
Tudo isso ocorreu por causa da terceira guerra mundial, que teve início em 2006 e só terminou em 2010, devastando todo o planeta. A guerra biológica foi pior que o esperado, passamos por grandes problemas com a alimentação, não temos mais carnes nem cereais, somente capsulas de comprimidos coloridas, lembro com humor quando antigamente as pessoas ficam preocupadas com fenômenos como a vaca-louca ou a gripe do frango, tudo aquilo ira insignificante perto da peste que invadiu o mundo em 2007.
Um carro acabou de passar voando pela minha janela, isso me fez lembrar o tempo em que os carros ainda utilizavam as ruas, hoje em dia isso seria impossível, eliminaram as rodas mas não a poluição. Quando olha para o espelho me acho estranha, toda essa roupa com proteção contra raios ultra violetas me deixam como uma astronauta, gostava daquelas roupas de quanto era jovem, naquele ano, acho que era 2004 todo mundo usava a roupa que quisessem não haviam padrões preestabelecidos. Quando escuto as músicas daquela época me dá muita saudade, adorava MPB, haviam grandes compositores, já hoje em dia não me atrevo à ouvir coisas atuais, a música eletrônica tomou conta de tudo, nunca mais ouvi falar em compositores, os computadores fazem tudo. Uma das poucas diferenças para melhor que ocorreram nesses últimos anos foi a grande evolução do cinema, quando conto para as crianças que antigamente o filme ficava preso à tela elas não acreditam, é difícil acreditar mesmo pois agora o cinema 3D é a grande moda, todas as poltronas se movimentam e os personagens, carros, animais enfim tudo passa pertinho de você, é quase palpável. Como o livro A invenção de Morel agora podemos sentir o cheiro das coisas.
Aposto que quem viveu no ano de 2004 não imaginava que tudo seria tão diferente como é agora, o comportamento de todos mudou muito, pois como sempre a televisão ditou a regra na vida das pessoas, e essas regras se tornaram cada vez mais violentas, hoje 80 % da população morre de maneira violenta, são estupros, assassinatos e espancamentos. Quase não há mais doenças pois a medicina evoluiu de maneira espantosa, mesmo assim tempos grande problemas de superpopulação. Todo o meio ambiente mudou, o mundo como um todo, somente um problema continuou intacto a todas as revoluções, esse com certeza será enterrado com o último homem da terra, falo do preconceito, esse permaneceu o mesmo, quase não existem mais negros no mundo e os homossexuais foram banidos da raça humana à muito tempo. Chego a conclusão de que pode esse mundo acabar, mas a ignorância permanecerá em algum lugar no vazio até um próximo ser humano surgir.
New York no futuro. Cena do filme Just Imagine USA, Fox, 1930.
Abrigado a todos que chegaram até aqui, muito obrigado pelos cometários, em breve retribuirei.
enviada por eder
07/03/2004 10:23
DO ALTO DE UM PRÉDIO
Estou aqui à quase 15 minutos, sem dúvidas é muito alto, a cidade vista desse ângulo tem um certo charme, luzes para todos os lados, tudo muito lento, pessoas que vem e vão sem um propósito apropriado, vidas vãs que possuem pouco ou nenhum significado. Eu não, sou uma exceção, assim como todos discípulos da Igreja Poder de Deus, para muitos o que fiz foi errado, mas não me importo com opiniões pagãs, o sacrifício deveria ser feito, estava escrito. À cerca de um mês atrás quando levava minha vidinha medíocre não imaginava que estaria agora no parapeito do meu apartamento prestes a me suicidar para glorificar ao Senhor, enfim achei o sentido da vida.
O estalar de dedos para que tudo começasse foi quando meu ex marido Willian me acertou com o ferro de passar roupas, naquele dia ele fedia feito um gambá, a garrafa de Vódica jazia sobre a mesa, estava vazia. Até o momento não entendo os motivos das agressões, talvez merecesse por ser pecadora, fiquei desacordada por cerca de uma hora. Julio me acordou, estava com lágrimas nos olhos, uma criança de 9 anos apavorada por ter um pai impiedoso, ficamos ali no chão abraçados por muito tempo. Willian nunca voltou, suponho que essas horas já deve estar morto em alguma rua vazia. Toda aquela amargura de 10 anos de casamento, toda aquela submissão me levaram a buscar uma força maior, nunca tinha colocado o pé na igreja, mas acreditava muito em Deus, principalmente quando estava sendo agredida, aquelas botas eram duras e meus estômago fraco, precisava me apegar alguma coisa para me manter lúcida. Assisti à um culto na Igreja do Poder de Deus e vi que minha vida mudaria dali por diante, ficava impressionada quando espíritos eram expulsos das pessoas em pleno altar, toda aquela maldade se esvaindo, indo para longe... ou não ? Freqüentava a igreja todos os dias acompanhada de meu filho, que achava tudo aquilo burrice, mas ele não entendia nada de fé, eu me sentia cada vez mais próxima de Deus e precisava ser escolhida para que tirassem os espíritos ruins da minha vida, e não demorou. Na terceira semana o pastor me chamou no altar, meu coração estremeceu e subi vacilando um pouco, ele segurou minha cabeça e disse para ter muita fé e que o demônio que invadira minha vida sairia dali, todos na igreja gritavam contra o demônio, eu podia sentir a libertação, toda aquela dor na minha cabeça estava sumindo, palavras saíam de minha boca sem meu consentimento, era uma língua estranha, talvez Aramaico não sei ao certo.
Naquela noite, antes de dormir tive a visão que mudaria tudo, foi muito nítido à meus olhos, vi Abraão levando seu filho para o sacrifício, aquela era a prova de seu amor incondicional por Deus, eu sabia o que tudo aquilo significava. No dia seguinte, peguei a chave do carro e chamei Julio para um passeio, ele achou estranho pois nunca fizemos isso, mesmo assim me acompanhou sem muitas perguntas. Enquanto guiava o carro lágrimas percorriam meu rosto, era muito difícil, entretanto tinha que ser feito, precisava demonstrar minha devoção Chegamos à pedreira por volta do meio dia, sai do carro e ele me perguntou o que eu iria fazer, não respondi, fui até a beira do penhasco e dei uma breve olhado, o sol refletindo na água tornava tudo muito lindo. Entrei no carro e dei um beijo em seu rosto, ele me perguntou o que estava acontecendo e só lhe disse que Deus estava pedindo isso, minhas mãos tremiam, travei os vidros soltei o freio de mão e saí do carro, fechando a porta atrás de mim, por causa do declive do local não tive dificuldades para empurrar o carro.
Agora estou aqui nesse parapeito, à cerca de 120 metros de altitude, ainda vejo os olhos apavorados do meu filho enquanto o carro despencava, caiu bruscamente na água e afundou rapidamente Tudo aconteceu para provar o meu amor, mesmo assim, tenho dificuldades para viver com isso, sei que toda essa dor, toda angústia, que não é de agora e sim de toda minha existência, sei que tudo isso acabará, a mão protetora do senhor me salvará.
Está ventando muito, faz frio aqui em cima, como estará lá em baixo ? em breve saberei. Deus precisa de mais um sacrifício, esse filho dentro de mim alegrará ao senhor, vou soltar minhas mãos, toda essa loucura terá seu fim, o chão ficará mais próximo, sinto alegria em meu coração.
enviada por eder
04/03/2004 17:07
CENAS DO DIA A DIA
Voltando do trabalho ontem a noite, presenciei uma cena um tanto quanto triste no terminal de ônibus. Já estava sentado lendo um livro quando vi pela janela uma senhora tentando em vão segurar um rapaz que estava tendo um princípio de ataque epiléptico. Com muita dificuldade ela o deitou no piso, as pessoas a sua volta se afastavam com espanto e a mulher olhava para cima com um olhar triste, pedindo ajuda, havia algumas enfermeiras que estavam próximas entretanto nada fizeram. Depois que o rapaz parou de se debater, os seguranças do terminal ajudaram ele a se levantar e o levaram para o ônibus, aquela senhora era mãe dele e sentou do seu lado, ainda escorria um líquido branco da boca do rapaz. A mulher disse que tem medo de ficar doente e morrer e deixar seu filho sozinho, pois seu marido morreu à algum tempo, ele não conseguiria viver sem ela pois é totalmente dependente, toma 13 comprimidos e meio por dia e tem ataques freqüentes. A vontade de ajudar é grande, mas quando vi as pessoas se afastando percebi que falar é mais fácil do que agir propriamente dito, pois fica difícil raciocinar em uma hora dessas, é tudo muito rápido. Tanto sofrimento, tanta dor e amargura por ai e eu ainda reclamo da minha vida, que vergonha.
enviada por eder
01/03/2004 18:55
Mais do mesmo
Quando comecei esse blog não sabia ao certo qual o propósito de mantê-lo por um determindado tempo, para ser sincero ainda não sei, acho que é algo que passa a fazer parte da vida de fato, para mim virou um compromisso, colocar algo com (o mínimo pelo menos) de qualidade para que outras pessoas possam ler. Pessoas essas que nunca vi na vida e talvez nunca verei de fato, mas que com retribuição de visitas passaram a ser, de certo modo minhas amigas, pela maneira de escrever de cada pessoa é possível analizar certos traços da personalidade, por isso faço questão de ler os blogs das pessoas que passam por aqui, é algo viciante. Como no começo eu escrevia basicamente para as paredes, tinha no máximo dois cometários cada post, e como quase ninguém lê os históriocos dos blogs, alguns textos que escrevi à algum tempo passaram batido, então resolvi postá-los novamente, lá vai um pouco mais do mesmo...
Breve análise nostálgica
Eu era feliz e não sabia, essa é a máxima utilizada por muitos para se lamentar da amargura ou talvez mesmice da vida. Já me peguei inúmeras vezes fazendo uso da mesma, acredito que todas as pessoas já pensaram assim alguma vez na vida, afinal quem, em dias de trabalho muito agitado, cheio de afazeres, compromissos inadiáveis e inoportunos, responsabilidades de tirar o sono, não pensou um pouco na infância. Vai dizer que não era o máximo acordar 7 horas só para ver a Xuxa cantando a música do café da manhã, com aquela mesa cheia de frutas e doces e você lá no pão com margarina e um copo de leite em frente a Tv esperando para se deliciar com He-Man ou os Smarfs, as pessoas falam mal mas já fizeram isso ou algo próximo dependendo da geração, nos últimos dias tenho me achado meio véio antecipado. Não importa quanto a gente reclame da atualidade, se você parar para analisar, sempre lembramos de histórias do passado e pensamos como era bom aquela época, mesmo havendo uma constante procura de uma vida melhor ou a busca da felicidade, o passado sempre tem algo bom, na verdade o problema está nas pessoa quererem apressar muito as coisas, tentando de maneira desesperada trazer o mais próximo o além, o futuro distante seja lá como for, fazendo isso parece que todos ficam entorpecidos e esquecem do agora, do chamado momento, chega a ser um pouco piegas e um tanto quanto repetitivo, mas para fugir disso me dou ao luxo de ser então contraditório, ser por um lado acredito nessa coisa de viver um dia de cada vez, não fujo da idéia de um amanhã melhor, pois o futuro é meu e não vou deixar a Deus dará, portanto coisas importantes do dia-a-dia são atropeladas e passam despercebidas, as mais importantes delas são as pessoas, é sempre bom prestar atenção nelas e corresponder a expectativa sempre imposta, mas estou longe de ser algum exemplo para alguém, então chego aqui (a lugar nenhum), satisfeito por não ter todas as repostas, senão não teria graça nenhuma...
Tem um blog sobre filmes que acho muito legal www.umolharsobreocinema.blig.ig.com.br, quem puder passe por lá, tem uma seleção de filmes bem interessante.
Falando em cinema, ontem demos adeus ao oscar, acredito que essa foi a maior chance o que o cinema nacional teve na história de conquistar a estatueta da tal academia de velhacos, esse ano a eleição foi transferida do asilo para o manicômio, infelizmente Cidade Deus foi esmagado pelos elfos e robbits, e como dizem os perdedores "quem sabe na próxima".
Comentário: Injustiça ? Temos que analizar a qualidade dos outros filmes, e sem dúvidas o oscar para o Senhor do anéis foi um prêmio para toda a triologia com um todo, a qual é fantástica sem dúvidas, sendo assim a suposta injustiça talvez não me abale tanto.
Cometário chulo: Porra que injustiça! mas que merda nem o oscar de edição que bos...
Segue a lista de vencedores para quem não viu ainda:
OSCAR 2004
* MELHOR FILME
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR DIRETOR
Peter Jackson -- "O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR ATOR
Sean Penn -- "Sobre Meninos e Lobos"
* MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tim Robbins -- "Sobre Menino e Lobos"
* MELHOR ATRIZ
Charlize Theron -- "Monster"
* MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Renée Zellweger -- "Cold Mountain"
* MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
"Procurando Nemo"
* MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Encontros e Desencontros"
* MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR FOTOGRAFIA
"O Mestre dos Mares -- O Lado Mais Distante do Mundo"
* MELHOR FIGURINO
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR DOCUMENTÁRIO
"The Fog of War"
* MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO
"Chernobyl Heart"
* MELHOR EDIÇÃO
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"As Invasões Bárbaras" -- Canadá
* MELHOR MAQUIAGEM
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR TRILHA SONORA
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR CANÇÃO
"Into the West" -- "O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
(Fran Walsh, Howard Shore, Annie Lennox)
* MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMADO
"Harvie Krumpet" *
MELHOR CURTA-METRAGEM
"Two Soldiers"
* MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Mestre dos Mares -- O Lado Mais Distante do Mundo"
* MELHOR SOM
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
* MELHOR EFEITOS ESPECIAIS
"O Senhor dos Anéis -- O Retorno do Rei"
Fico grato pelas visitas, obrigado a todos que lêem os textos realmente, eu sei que nem todo mundo tem tempo pra ler aqueles posts enormes, mas é que as vezes fica difícil escrever pouco...
Meu Deus o tamanho do post ! voltei algumas linhas atrás e vi que ficou "meio gigante", mas tudo bem, se puderem comentar sobre todos os assuntos tratados faram de mim um blogueiro feliz.
Fui !!!!
enviada por eder
26/02/2004 08:22
"SEGUNDA-FEIRA" DE CINZAS
Já estava saindo quando sua mãe perguntou-lhe se não iria tomar café, deu uma desculpa qualquer e saiu. Esse era o grande dia. A chuva do dia anterior havia alagado todo o bairro, dobrou a calça até os joelhos e passou pela água podre à tempo de ver um rato boiando com a barriga para cima, deu um breve sorriso desdentado. Quando chegou perto da ponte deu uma olhada em volta, só viu uma família tentando tira, em vão, um sofá de dentro da casa inundada, se abaixou rapidamente e vasculhou a moita, a faca ainda estava ali, enfiou-a nas calças e saiu andando todo desengonçado. Sentiu o estômago doer lá pelas 15 h, era o segundo dia que não comia, preferia deixar para sua mãe, o sustento não era o bastante para os dois, ninguém trabalhava na casa desde que seu pai foi morto pelos PMs naquele tiroteio, tudo bem, ele tinha uma idéia e isso seria resolvido em breve. Acendeu o cigarro velho e esperou, estava em frente ao posto, como previsto não havia muito movimento no horário, haviam dois frentistas e um gerente no balcão, o caixa era desbloqueado e não haveria problemas. Um dos frentistas foi ao banheiro, então com que se despertado, atravessou a rua e seguiu caminhando passos rápidos, não houve tempo para perguntas, seus olhos estavam vidrados, sentiu o cheiro do medo, com um movimento rápido, atingiu o rosto do gerente com violência, o mesmo caiu no chão agonizando e o caixa foi esvaziado rapidamente, quando o segundo frentista foi perguntar o que estava acontecendo levou uma facada no estômago. Correu durante 40 minutos sem olhar para trás, parou próximo a favela e se escondeu no mato, verificou o fruto do assalto, R$ 223,00, uma fortuna sem dúvidas, ficou ali até parar de tremer, agora não sabia se era adrenalina ou fome mesmo. Quando anoiteceu saiu da tocaia e se dirigiu para quadra, havia muita confusão em sua cabeça, não sabia como usar todo aquele dinheiro, no meio do caminho um jovem de 16 anos atropelou um trabalhador que morava perto da sua casa, foi um grande barulho que o assustou, logo percebeu que o menino estava alcoolizado, havia muito sangue e ele gemia. Se aproximou bem devagar, o carro não amaçou muito, esticou o braço pelo vidro quebrado e abriu o porta luvas, caíram de lá camisinhas e documentos, nada de dinheiro, o jovem pediu ajuda, saiu dali bem rápido antes que desse algum problema. Começo a ouvir o barulho da bateria, era domingo de carnaval, o desfile seria em breve, então lembrou quando Wilson lhe disse a fantasia custa 220 real meu irmão, se quer disfilá, tem que comprá pois não sustento vagabundo, seus olhos encheram de lágrimas, lembrou de sua mãe, hesitou por um breve momento e entrou, havia conseguido o dinheiro iria desfilar isso que importava, haviam muitas pessoas na quadra da escola de samba, as mulatas rebolavam freneticamente, entregou o dinheiro e pegou a fantasia de Jibóia, começou a ficar eufórico, uma breve dor o aturdiu, estava com fome, sobraram 3 reais, não pensou duas vezes e foi para o boteco do Lauro para tomar uma branquinha e firmar o pulso, quando estava atravessando deu de frente com Claudio o frentista que havia ido ao banheiro, viu a fúria em seus olhos, soltou a fantasia no chão e começou a correr, sua vida ou melhor sua existência passou pelos seus olhos naquele instante, só ouviu o barulho dos tiros que perfuraram seu pulmão.
Chuva... muita chuva estava caindo, pelo jeito iria alagar tudo novamente, o povo estava cansado, e assim continuariam por muito tempo, na rua, muita confusão um rapaz acabara de levar alguns tiros nas costas, era um bom rapaz, é uma pena pois esse ano ele não vai desfilar na Sapucaí, enfim, "todo carnaval tem seu fim".
Todo Carnaval Tem Seu Fim (Marcelo Camelo)
Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
Mas o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo...
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
É o fim, é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
enviada por eder
18/02/2004 19:18
"NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA..."
As livrarias são um ótimo lugar para passar o tempo, lá tem tudo que o que gosto que posso utilizar sem pagar nada, assim suponho, afinal nunca me chamaram atenção por estar folheando alguma revista ou livro. Todos os dias na hora do almoço estou lá com alguma edição interessante nas mãos e que provavelmente não vou ter dinheiro para pagar, solução: ler ali mesmo, o clima é tão agradável, é parecido com um café (só que não tem café), onde pode-se ficar sentado e ler qualquer coisa. Como vou religiosamente todos os dias vario o percurso para não enjoar, num dia leio as revistas da semana, não todas é claro dou uma folheada meio por cima e se algo me chamar atenção eu compro, geralmente leio a Set veja e a super interessante em outro dia leio alguns trecho de livros, mais vendidos, clássicos ou qualquer um que o título chame atenção. Hoje mesmo achei algo bem interessante, Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Prost, só que em quadrinhos, eu tinha lido no jornal sobre ele e achei muito interessante, segundo a crítica o autor conseguiu transpor para os quadrinhos toda complexidade de Prost (e bota complexidade), sendo assim ficou mais fácil para leigos (como eu) entender a obra, já li até a metade e vou lendo cada dia um pouco pra não precisar comprar, custa em média R$ 35,00, um pouco salgado mas é válido. Depois alguns do Luiz Fernando Veríssimo que sempre está nos mais vendidos e outras obras que aparecem por lá, Nora Roberths, Jom Chrisman e outros que não lembro os autores. Quando canso de ler, vou na seção de cds e dvds, escolho algum que me interessa e fico lá curtindo e cantando meio alto, com as pessoas olhando meio de canto, até o vendedores já me conhecem, cumprimento alguns e me escondo de outros e assim vou levando, me divirto e não gasto um centavo, de vez em quando compro algum livro para disfarçar um pouco. Hoje ouvi o cd 10 de dezembro da cassia eller, muito legal, segue a música que gostei mais:
No Recreio
Quer saber, quando te olhei na piscina
Se apoiando com as mãos na borda
Fervendo a água que não era tão fria
E um azulejo se partiu porque a porta
No nosso amor estava se abrindo
E os pés que irão por esse caminho
Vão terminar no altar
Eu só queria me casar com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
Então, quero mudar de lugar
Eu quero estar no lugar da sala pra te receber
Na cor do esmalte que você vai escolher
Só para as unhas pintar
Quando é que você vai sacar
Que o vão que fazem suas mãos
É só porque não está comigo?
Só é possível te amar
Seus pés se espalham em fivela e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo, charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão morder?
Vem me ensinar a falar, vem me ensinar ter você
Na minha boca, agora mora o teu nome
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar, nem descansar e adormecer
Não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
Olhar pro sol, só ver janela e cortina
No meu coração fiz um lar
O meu coração é o teu lar
E de que adianta tanta mobília se você não está comigo?
Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor!
Só é possível te amar
Escorre aos litros, o amor
Artista: Cássia Éller
Álbum: 10 de dezembro
Letra: Nando Reis
Assisti A Liga extraordinária, se vocês verem esse filme na locadora saiam correndo desesperadamente, nem vale a pena comentar a história, é uma bomba...
Obrigado pelas visitas, vou responder a todos em breve
enviada por eder
13/02/2004 19:35
Música para (parar de) pensar
Na minha opinião há certas músicas que são feitas para o público das hortaliças e não seres humanos, esses últimos no sentido de Seres humanos pensantes ou simplesmente aquelas pessoas que tem noção do ridículo, pois há tanta porcaria por ai que fica difícil achar algum propósito da existência das mesmas, somente uma abóbora para gostar dessas obras primas do pop. Se para achar vários ratos juntos é só erguer a tampa de um bueiro no caso da música ruim a tática é quase a mesma, muito simples, ligue a Tv, com o controle remoto você pode passar por maravilhas como Sabadaço e curtir o Mc Serginho e seu travesti dançarino
(o que lembra uma lombriga), falando em Gilberto Barros (ele é o rei do trash) podemos acompanhar todos os dias o Boa Noite Brasil só com entrevistas e matérias sérias como a da revelação que a Antonela ex BBB era dançarina de boate ou aprender a fazer estripe-tease para levantar o casamento. Mas falando em música ruimparavender , o auge, o Monte Olimpo do bizarro está o querido e amado Jovens Tardes (Por favor Matem a Marlene Mattos), lá podemos encontrar todos os filhos de famosos sem talento e que querem ficar famosos, se não são apresentadores são convidados, só para citar alguns: Os dubles de cantores Pedro e Thiago, como todos, gostam de um Play-Back, várias versões para músicas em inglês (Nota: versões, não traduções pois na maioria das músicas o significado muda totalmente), além de fazerem caras e bocas de quem está tendo um orgasmo no palco. No mesmo programa (programa ? onde ?) a garota da franja, Vanessa Camargo da o ar da sua graça com suas músicas de letras melosas e entediantes com rimas bem fáceis para os fãs (eles não conseguem gravar muita coisa eu acho) decorarem e ficar esgoelando por ai, isso faz até esquecermos dos namoros conturbados da garota que volta e meia dá um chilique e aparece em todas as revistas. Sem falar no trio KLB (Kaco, Lambe, Bos...), creio que dispensam comentários né caros leitores, é só ouvir um trecho cada dez palavras que eu falo onze é você, é de chorar sem dúvidas, o programa também tem a filha do deputado, me pergunto o que a tal da Magalhães tá fazendo lá ? acredito que os critérios para entrar no programa devem ser algo como, alfabetizado sim [ ] não [ ] e só, talento ? para que ? a gente aprende durante o programa, sim com aquelas falas mais do que mecânicas fica claro a desenvoltura dos Jovens Talentosos. Poderia ficar horas escrevendo sobre o assunto, mas para não ficar um post muito gigante só vou citando ok: Preta Gil Sou filha do ministro e posso ficar pelada para mostrar meu talento, mas é pra modelo ou cantora ? nem um nem outro, Kelly Kye e Latino (casal perfeito, pena que se separaram), Felipe Dylon, Broz e qualquer grupo de Axé com suas músicas que só falam de partes do corpo ou de sexo, sim deixem seus cérebros em casa e vamos nos divertir, e assim vão as citações infinitamente pois o fato é que todos os dias vai aparecer um artistapior.
Nota: Aquela foto da Lacraia tirei de um site chamado Saiti da Lacraia ou algo assim, possivelmente uma fã né !
Nota 2 a vingança: Respeito todos os tipos de música e acredito que todos tem seus espaço, sendo assim não estou com a consciência pesada pois o que critiquei não se trata de música de verdade hahaha.
Nota 3 o resgate: Desculpem pelas fotos bizarras, elas seram incineradas em breve.
enviada por eder
10/02/2004 19:45
MÚSICA PARA PENSAR
Houve uma época em minha vida em que só ouvia Legião Urbana, foi quando aprendi a pensar por mim mesmo, como se estalassem o dedo e dissessem Acorda, a vida não é um mar de rosas, daí você se dá conta do real, percebe que há muito problemas em toda sociedade e dentro de você mesmo, conflitos internos que são nossa bagagem e que marca nossa personalidade. Depois dessas descobertas fui mudando um pouco o gosto musical, comecei a ouvir coisas que me faziam refletir sobre a vida, daí veio Cassia Eller com suas interpretações insuperáveis, gostei muito do acústico, Nando Reis que é um dos grandes poetas da geração, com letras inteligentes e românticas, Ira , Engenheiros entre outros, fiquei ouvindo essas músicas uns 5 anos (e continuo é óbvio), depois veio um certo amadurecimento, claro que ainda curto essas bandas, mas passei à ouvir também Zé Ramalho, Maria Rita, Marcelo D2 e o principal que foi Los Hermanos. Eles ficaram uma eternidade taxados como a banda da Ana Júlia que é para mim a pior música deles, como de praxe só temos acesso ao que a imprensa divulga fica difícil saber o quanto é bom o trabalho dos caras. Certo dia lendo a Veja li uma reportagem em que o Caetano Veloso se desfazia em elogios aos Los Hermanos, depois vi vários comentários de que o Marcelo Camelo (vocalista) era um dos melhores compositores do Brasil, sem falar nas suas letras inundadas por certa melancolia e inteligência contagiante. Comprei o último cd deles (Ventura) e vi que era aquilo que eu gostava enfim, música cabeça, as letras são até meio complicadas que fazem você refletir sobre diversos aspectos, muito bom. Para quem houve o segundo cd deles o Bloco do eu sozinho é claro o fato de que eles realmente evoluíram da Anna Júlia a qual segundo os integrantes, tocavam por ordens da gravadora. Ë isso ai, os caras trocaram de gravadora e estão mostrando que são bons e fazem um rock de qualidade, do qual nos vemos carentes hoje em dia.
Essa é uma música do cd Ventura que eu acho ótima, quando ouvi a primeira vez não entendi direito, depois li uma entrevista do Marcelo em que ele falava que essa música fala de um casal de velhinhos que morava em um apartamento que estava para ser demolido e mesmo com as pessoas batendo na porta pra eles saírem, eles continuaram lá dentro.
CONVERSA DE BOTAS BATIDAS
- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- a gente só queria o amor...
- Deus às vezes parece se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar
- Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora esta de bem
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Diz quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além. Vão dizer
que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
vai cair
Recomendo o blog do Bruno, tecladista dos Hermanos, o cara escreve coisas bem engraças e interessantes www.instanteanterior.blogger.com.br
Enfim a música nacional tem coisas muito boas, por isso sempre defendo as daqui e não os enlatados, Salve o Rock Nacional !
enviada por eder
08/02/2004 09:37
O HORROR É LEGAL
Estava lendo o prefácio de um dos livros do Stephen King, onde ele divaga sobre o medo e o horror, e achei bem interessante, o que me leva ao plágio que se segue. As pessoas sempre questionam sobre medos e fobias, medo da violência, de aranha, de barata, de ser atropelado entre outras desgraças do cotidiano, mas o fato é que o medo está muito próximo, ele atinge com mais voracidade as crianças, pois a imaginação delas é mais ampla no sentido de que acreditam facilmente em qualquer coisa, qualquer monstro horroroso no armário ou até mesmo uma boneca de plástico ganhando vida, sem dúvidas elas são mais vulneráveis. Quando você está na cama, é de costume, verificar que seus pés estão totalmente cobertos, não que uma mão gelada sairá debaixo da cama e à agarrará, é como se fosse um simples cuidado, só para garantir. À muito tempo que o medo atrai as pessoas ao passo que causa repulsa, isso fica claro na literatura e no cinema, Brain Stocker foi um dos principais com seu Drácula,
que fez tanto sucesso e serve de referência até os dias de hoje, assim como Meryl Sheley entre outros. Contudo, porque ler literatura de horror ?, Stephen King dá a resposta Quem gosta desse tipo de literatura é mesmo tipo de pessoa que para olhar um acidente na rua, quem vê as sirenes ligadas e um aglomerado de pessoa e já fica imaginando o sangue e as ferragens, sim o horror e a repulsa caminham lado a lado, é aquele frio na barriga de ver um corpo sob um lençol branco, o papel do escritor é segurar a sua mão e encostá-la nesse corpo, ele mostrará o caminho.
Leio várias coisas mas meu xodó é o horror, recomendo:
CINEMA
Psicose
Os outros
Sexto sentido
It uma obra prima do medo
Massacra da Serra Elétrica
Sexta-feira 13 (Todos menos o Jason X)
A hora do Pesadelo
Pânico
Vertigo (Um corpo que cai)
Colheita Maldita
A profecia
O Exorcista
Halloween
E mais um monte que não lembro agora.
LITERATURA
Para começar esses que são os melhores na minha opinião.
A coisa
O Exorcista
Cemitério
O Iluminado
Carrie, A estranha
Christine O carro Assassino
Falando nisso... Obrigado pelas visitas e comentários, que aumentaram de maneira considerável, continuem visitando o "Devaneios do Cotidiano" que eu vou me dedicando à melhorias contínuas.
enviada por eder
04/02/2004 00:54
O TRISTE FIM DA MAMATA
Adeus sessão da tarde, até mais Bom dia e Cia (com aqueles dois apresentadores mirins e retardados), até logo madrugadas no computador e filmes à qualquer hora. É com pesar que informo: Já eram minhas férias ! No próximo dia 6 começa tudo novamente, estou meio chocado com a situação, não consigo acreditar que passou tão rápido, algumas pessoas dizem que não agüentam ficar muito tempo em casa sem nada para fazer, daí eu digo "Vocês cheiraram cueca", é o máximo acordar e saber que não tem compromisso algum a não ser com a Bruxa Keka (sério, se você não assistir ela puxa seu pé a noite ), livre de telefonemas importunos e chefes mal humoradas. Ë claro que não sou um vagabundo de alma e coração, mas se houvesse remuneração para tal, não haveria problema algum em ser um adepto da profissão, é claro que o trabalho não é de todo ruim afinal, "o trabalho dignifica o homem", é a melhor maneira de se sentir parte ativa da sociedade como um todo, pois cada tem a sua parte, umas mais significantes que as outras, mas acredito que indispensável, desde que honesto. É bom rever os colegas de trabalho, os supostos "amigos", mas sei que essa "vontade"de ver todos passará já no segundo dia, quando o cotidiano saturado toma conta de tudo, é só olhar para os lados, alguns diálogos banais e ver que nada mudou, tudo vai estar no mesmo lugar, isso que me entristece pois sei que o mal humor da minha chefe vai estar lá no mesmo lugar também, fazer o quê né, não fui para o BBB4 então tenho que trabalhar. O legal lá do hospital é ter acesso a Internet o dia todo com uma velocidade que deixaria meu computar em depressão de tão humilhado, sendo assim vou ver se escrevo algo de maior qualidade nos próximos dias, pois quando estou em casa me sinto um alface, só vegeto e me cérebro acompanha o rítimo (comentário do cérebro: Rítimo ? Vegetar ? o que é isso? É hora de dormir novamente), de lá do meu querido trabalho terei mais tempo (nos fins de semana é claro) de procurar algumas fotos para ilustrar melhor os textos.
MUDANDO DE ASSUNTO...
Descobri que sou uma pessoa normal, pelo menos em tese, após enfrentar uma psicóloga de meio metro e psicopata nas horas vagas (oh mulherzinha invocada aquela) e uma bateria de testes eu incluíam colocar o rabo que estava faltando no desenho do cavalo (sim, descobri que os rabos de cavalos não pertencem somente as meninas) entre outros passei no teste psicotécnico do Detran, nem acredito vou ganhar o certificado de "Eu sou normal". Agora o próximo desafio nessa aventura de conseguir um porte de arma (quer dizer, carteira de habilitação) é o teste teórico onde colocarei em prática meus conhecimentos de legislação... O que é Cruz de Santo André mesmo ?
Essa poesia ai embaixo é uma daquelas que achei no baú empoeirado dos Meus Documentos que escrevi à alguns anos, não é pra dar risada, como diria Renato Russo no acústico "Ela não é bonitinha ?"
enviada por eder
04/02/2004 00:09
O QUADRO
O sol todos os dias é o mesmo
Onipotente, esconde a lua e esquenta corações
Minha vida todos os dias é a mesma
Monotonia e nada de emoções
O sol dita as regras, o mundo acontece com a luz
Que regras dito em minha vida não sei
Dia após dia nada nessa vida me seduz
Vivo no passado,
Nostalgia
Relembrar me traz paz e alegria
Quando o sol se esconde lá no alto daquelas montanhas
Perto da árvore onde demos o primeiro beijo
Iniciais dentro de um coração
O tom alaranjado do céu
Iluminava todo gramado, com um verde quase vivo
O vento espalhando seus cabelos dourados
E o sorriso. Ah Deus, nunca vou esquecer aquele sorriso
Uma pintura, para ser emoldurada e guardada em um local seguro
Lamento o sol ir embora e deixar tudo no escuro
Mas o sol dita as regras
E aquele beijo foi o último
A escuridão expandiu-se dentro de mim
Todos os lados o vazio, o nada a falta de sentido
O sol se escondeu no horizonte e te levou de mim
A vida dá calafrios
O breu invade a alma
Sinto arrepios, perdi a calma
Como pode tudo desmoronar,
A árvore ainda está lá,
O relevo dos nomes gravado em seu tronco
Nem a chuva irá apagar
Meus dias agora são todos de pura monotonia
Mas o sol dita as regras
O dia nasce e se prolonga
A flor nasce e floresce
O amor nasce e permanece ,
Ele está lá na moldura esperando você
A obra de arte que você me fez viver
Estarei esperando o sol aparecer
Para completar as cores que faltam
Na aquarela das nossas vidas
enviada por eder
31/01/2004 16:01
O caso da calcinha vermelha
Fato verídico (com pequenas alterações é claro) publicado no Jornal Gazeta do Povo
O árbitro de futebol João Alfredo Ferro, 31 anos, foi responsável por uma cena, digamos inusitada. Em um jogo entre Armanã (uma cidade próxima à Manaus) e um combinado de funcionários públicos da região (percebam que era um jogo importantíssimo da nonagésima divisão local). Na ocasião Ferro foi expulsar um zagueiro do Armnã Rogério Coice (nome sugestivo não ?), só que quando foi retirar o cartão vermelho do bolso, tirou uma calcinha de mesma cor. Aturdido, João disse não saber como a calcinha vermelha foi parar no local. O fato é que também não conseguiu convencer sua esposa e que a calcinha era um presente para sua filha adolescente, sendo expulso de casa pela mesma. No final das contas quem levou cartão vermelho foi ele.
Poderia ser pior: Difícil seria explicar um cuecão vermelho no lugar da calcinha, menos mal.
enviada por eder
27/01/2004 13:06
25 horas de São Paulo 450 anos
Praticamente não conheço a cidade de São Paulo, fui para lá umas 4 vezes, mas só de passagem, entretanto foi o suficiente para perceber o caos que é aquilo, tudo é muito grandioso, prédios, parques e avenidas. Discordo de que seja aclamada como "a cidade que não para", se há veracidade nisso, onde é que entram os quilômetros de engarrafamento, que não são um fato inusitado e sim parte do cotidiano, talvez a cidade não pare efetivamente, sendo assim poderia ser chamada de "a cidade de quem não para, em casa", se haver dificuldade em encontrar alguém, não se preocupe, ela está presa no trânsito. Ë claro que é tudo brincadeira, não há como negar a importância dessa cidade é conhecida como o coração do Brasil. Sem mais delongas o que me leva a escrever esse post é o fato de haverem tantas comemorações durante o dia todo, para quem ficou em casa, era só ligar a TV e ver alguém gritando "Parabéns São Paulooo", afinal são 450 com corpinho de 300 desta imensa cidade, segue um balanço do melhor e o pior que rolou na telinha, assisti tudo junto com uma abóbora. A abóbora disse que gostou muito.
+ Reportagens sobre a cidade de São Paulo (Achei muito interessante, em especial aquela sobre os Urbenautas)
- A BBB Tatiana sendo vaiada por centenas de pessoa ao vivo (Alguém ficou com pena da BB (Boxeadora Boçal ) ?
+ Show da Maria Rita ao vivo (em horário nobre o que é raro)
- Show da Maria Rita ao vivo (Ela cantou só 3 músicas, era bom demais...)
+ Esportes Urbanos (Radical)
- Angélica com o rabo da Cuca (O que a loira foi fazer no meio da galera do Sítio do Pica-pau amarelo ?)
+ CPM22 (Os caras já estão quase virando astros globais, fizeram um monte de shows)
- Brasil dá adeus ao sonho olímpico (Mas nem como o Robinho...)
+ Rita Lee "o que destaca São Paulo das outras cidades é o fato de ser a única cidade com rio de merda", (da-lhe Tietê).
- Imprensa Paulista fazendo especulações de que Rita Lee não gosta de São Paulo (Correção - Rita Lee é São Paulo)
+ Congestionamento só de pessoas finalmente (Paulistanos se viram longe dos carros e lotaram as ruas da cidade à pé mesmo)
- Aquela fita vermelha ridícula no nova prefeitura de São Paulo (Para que tanto exagero, parece até Natal).
+ Jô Soares faz de sua máquina de escrever um instrumento musical (Surpreendente)
- Felipe Dylon (Me pergunto as vezes o porque certas pessoas existem, não vejo um propósito sano...)
E foi assim, a abóbora foi às lágrimas com o Playbackão do Felipe Dylon e suas rimas forçadas desprovidas de inteligência, já eu concluí que entre assistir os especiais de aniversário e o jogo do Brasil, fico mais com um bom livro. Fui !
enviada por eder
24/01/2004 01:43
Aqui também temos poesia !
Vasculhando meus arquivos, encontrei algumas "relíquias" que a muito não lia, trata-se de algumas poesias que escrevi à cerca de 2 ou 3 anos, sim, eu sujava algumas folhas com vários rabiscos, expressando todas minhas alegrias ou tristezas (essas eram a maioria) em versos. Faz um bom tempo, sendo assim um bom tanto do que é tratado nelas já não faz parte do atual "contexto" de vida que levo atualmente, mas não deixam de ter relevância afinal foi um tempo produtivo em termos de escrita, volta e meia eu me pegava com uma caneta rabiscando as últimas folhas do caderno, principalmente nas aulas insuportáveis de matemática. Então seguem duas, as quais são bem distintas, como feijão e arroz, uma de alegria outra de tristeza.
A minha queda por melancolia nas palavras devo muito a Manoel Bandeira, do qual sou fã incondicional, em meio a tuberculoses e lágrimas os versos que tanto comovem e incomodam.
Lá vai, ingênuas mas autênticas, infantis mas coerentes no que diz respeito à realidade vivida e absorvida em sua essência, afinal o que importa...
Da Janela
Da janela o mundo continua
O frio de uma manhã de inverno
Vento que gela os lábios
Que faz tocar a música...
Música para as árvores dançarem
O sol, mesmo que tímido
Da o ar da sua graça
Sensação de prazer nos olhos
Na mente a nostalgia
Lembrança, lembranças...
Voltar no tempo não preciso
Pois de uma manhã como essa
Aflora o desejo
Desejo do infinito
Da continuidade
Da incerteza
Do caminho
E é ai que está a graça de tudo
Viver
Pois a cada dia tenho uma certeza
A certeza de que
Da janela o mundo continua
Sempre...
Suicídio Entorpecido
Vou beber a amargura
Vomitar a dor que dilacera
Lâminas e cordas vêm a mente
As lágrimas tem o peso do mundo
No fundo do copo as atitudes
Uma dor que perfura, vai fundo
Amor! Porque me confundes?
Na mente embaralhada
O consciência questiona
Como jogar na vida?
Superficialidade estúpida
Mas ao longe, no fundo,
onde a luz se mostra ausente
Não existe a sorte
Ela está escondida
Seja bem vinda
Morte
enviada por eder
15/01/2004 23:25
O Sam é o máximo !!!
Espetacular ! estou até agora meio baqueado com o filme, o atrasadinho aqui finalmente foi assistir "O senhor do Anéis – O Retorno do Rei".
Primeiro o cinema:
Fui no cinema novo do shopping Barigui (CINEMARK), achei muito bom, o melhor da cidade sem dúvidas, tem um visual muito legal a decoração lembra um teatro, o som 3D digital é surpreendente parece até que aqueles dragões estão sobre nossas cabeças, sem falar que as poltronas são muito confortáveis, não fica aquele típico "cabeção" na sua frente (exceto pessoas com mais de 2 metros e meio).
O filme
Ë sem dúvida o melhor da triologia, parece que o diretor deixou tudo que havia de melhor para o final, não sei como é o livro (pois dizem que difere um pouco), mas fiquei satisfeito com o desfecho que vi. Ë impossível não sentir a emoção percorrer seu corpo durante as 3 horas e meia (quase imperceptíveis) de duração, pois são cenas que ficaram para sempre marcadas na memória e na história do cinema. Tudo é muito grandioso, é bem o tipo de filme para se assistir no cinema, com paisagens espetaculares e batalhas idem, acredito que vai demorar muito tempo para algum filme chegar próximo no que diz respeito à cenas de batalhas, pois você é convidado a passear em meio a centenas de orcs e humanos em uma batalha sangrenta e brutal que possui um realismo incrível, os efeitos especiais estão cada vez mais próximos da perfeição. O desfecho foi compatível com a grandiosidade da obra, não deixando nenhuma lacuna, o que fica é sensação de melancolia de que ano que vem não haverá um outro Senhor do Anéis.
Humor
O elfo Légolas e o Anão (esqueci o nome) são os responsáveis pelas cenas mais hilárias do filme, há novamente a disputa de quem mata mais orcs, impagável.
A frase
"Não posso levar o Anel, mas posso levar o senhor Mrs. Frodo" – Frase dita por Sam ,quase chorei nessa parte, é uma lição de perceverança

enviada por eder
15/01/2004 23:23
Apertem os cintos II - A vingança da Legislação
Confluência à esquerda, Aclive acentuado, Junções sucessivas...quanta informação !!!
Tenho que admitir, subestimei esse curso, depois das aulas de primeiros socorros um tanto quanto óbvias, achei que o prosseguimento do curso seria o mesmo, ai o equívoco, me surpreendi com aula de Legislação, Meu Deus como é chato tudo aquilo, até os apitos dos guardas tem que estudar macete para decorar, sem falar no monte de faixas que servem para todo tipo de coisa, de óbvio só as placas mesmo, só que nesse quesito ainda posso ter problemas com a grafia do nome dado à elas, como nos citados acima entre outros. É, essas aulas só estão deixando minhas férias cansativas, o consolo que tenho é que acabam na próxima Quarta-feira. Ah, no dia 22 tenho teste psicotécnico marcado, vou descobrir se sou louco ou não, se reprovar nesse vou ficar deprimido...
enviada por eder
11/01/2004 11:30
Apertem os cintos !!
Fiquei me perguntando quanto tempo um ser humano consegue dormir de uma só vez, meu recorde nessas férias foram 13 horas interruptas, o objetivo é superar essa marca nos próximos dias. Enfim, limpei minha escrivaninha, tirei os pacotes de salgadinho, os copos de requeijão com restos de refrigerante, pedaços de bolos e coisas do gênero, até que encontrei meu teclado e resolvi escrever um pouco, pensei que escreveria bem mais nas férias mas cheguei a conclusão que quanto mais você fica sem fazer nada mais você quer permanecer assim, só de barriga pra cima assistindo sessão da tarde, todavia com o intuito de não atrofiar o cérebro, o aspirante a repórter aqui, resolveu postar essas poucas linhas com o objetivo de informar minha nova investida nesses dias vagos, após vinte décadas de existência resolvi tirar (ou pelo menos tentar) a carteira de motorista (ou porte de arma como quiserem), como dizem que é a maior lenga lenga aquela coisa de aulas teóricas, mais conhecidas como lavagem cerebral, resolvi utilizar desse tempo precioso em que me disponha a fazer nada o dia todo para ficar lá na cadeirinha, tipo universitária que não dá pra apoiar nada direito, pois fica ou suas canetas e lápis ou seu caderno ou ainda se braço, decida-se, ficarei lá assistindo aos vídeos mais incríveis do mundo, sim é das auto escolas que eles tiram aquilo, coisas como "Aquela senhora precisa chegar ao outro lado da rua o que ela deveria fazer ? atravessar no meio da rua mesmo ? ou ir até esquina na faixa de pedestres onde tudo é mais seguro e ninguém morre esmagado por um caminhão ?" lamentável e pelo que me falaram tem coisa pior, como chegar à um cruzamento e sinal estar vermelho...parem tudo ! Meu Deus o sinal está vermelho o que devemos fazer, vou acelerar mais ??? as vezes até parece meio engraçado tudo isso, mas aprendi que o que é óbvio pra você pode não ser para as outras pessoas, até mesmo vice versa, então vou ficar bem quietinho equilibrando meu material naquelas cadeiras minúsculas e não argumentar quando quando algo absurdo aparecer, afinal tenho 30 horas desse mundo bizarro pela frente, vou ver se aprendo alguma coisa.
enviada por eder
06/01/2004 16:42
Metas-Férias
Comer muita batata-frita
Dormir até não agüentar mais
Terminar de ler A coisa
Começar a ler Frankstein de Meryl blá blá (Esqueci o nome da mulher)
Terminar de ler A maldição do ciganodo Stephen king
Ler algum livro do Machado de Assis, Érico Veríssimo ou Luiz Fernando Veríssimo
Se sobrar tempo ler mais algum de cultura útil e outro do SK (diversão hehe)
Quanto à filmes, vou alugar todos que já estão atrasados no meu currículo (A promessa, Um amor para recordar, Possessão, Cidade dos sonhos e mais um monte que eu nem lembro o nome agora.
A prioridade é claro é assistir finalmente o Senhor dos Anéis O retorno do Rei, mas quero assistir mais alguns que estiverem em cartaz.
Vou ler jornal todos os dias, incluindo as partes chatas pois tenho que me adaptar a coisas mais densas e me atualizar em tudo.
Outra meta é ouvir todos os meus Cds, com calma e prestando atenção nas letras, pois nos últimos tempos não fiz nem um nem outro, vou ouvir Los hermanos e Maria Rita até fazer um buraco no meio do cd hehe
Brincar com minhas sobrinhas
Dar mais atenção à minha família
Cortar grama
Assistir muita Tv, até porcaria, pois faz tempo que não o faço.
Ufa ! Se eu conseguir fazer metade disso tudo já estou bem
Um abraço à todos, estou indo que minhas férias estão ai, estou postando do meu trabalho, de hoje em diante vai ser só da minha casa de madrugada, isso se meu computador funcionar hehe
enviada por eder
05/01/2004 19:08

enviada por eder
05/01/2004 19:05
.Divagações sobre um futuro promissor
Após trabalhar feito um escravo durante todo o ano, dias e dias de tarefas árduas, fins de semana enclausurado em uma sala enorme de 2 x 2, irei para o Quilombo das Férias, será uma fuga do tédio se livrando das garras do stress, estufo e peito e grito MINHAS FÉRIAS CHEGARAM !!! Para falar a verdade o sofrimento nem foi tanto assim como minha empolgarão para o descanso, é que não tenho nada programado nem vou viajar, daí não fico naquela ansiedade absurda do tipo Olha pessoal, só faltam 48:30 h e 31 segundos para minhas férias - mas o fato de que terei 30 dias pela frente sem nadinha pra fazer é muito bom. Como não tenho programação definida, o objetivo por hora é assistir tantos filmes forem possíveis, deixar toda minha leitura em dia (tenho uns 4 livros para ler) e a parte mais importante, dormir e comer muito, é claro que vou me divertir com o pessoal no final de semana e ficar até tarde acordado assistindo tv (na madrugada passa vários filmes bons) enfim coisas básicas do cotidiano que deixei de lado por causa do trabalho. Galera finalmente vou poder ler o jornal todo dia, atualizado faz tempo que estou por fora de tudo, sinto até um vazio, que horror. Falando em jornal, nos últimos tempos tive sérias dificuldades para decidir, enfim, o que vou fazer da vida ano que vem, sabe que sem meta eu não faço porr... nenhuma né, segundo o que se passa pela minha cabeça no momento após vários diálogos, troca de informações, opiniões diversas, cheguei a conclusão que para eu passar em faculdade pública é praticamente impossível (eu sei que se a pessoa de dedicar consegue sim, que é necessário muito esforço, dedicação blá, blá), o fato é que é muito, mas muito difícil mesmo passar nessas provas, então o que fará Eder do seu futuro ? Por enquanto a idéias é fazer jornalismo (acreditem, já pensei em Informática, Biologia, Letras e até curso técnico em radiologia), definitivamente eu sou muito indeciso, mas indo em busca do que mais gosto, que é essa coisa de escrever de ler, acredito que a área de comunicação é a mais viável e que possui mais áreas (Imaginem eu um editor de jornal, sonhar é de graça né), hoje pesquisei alguns sites e vi que o curso está na base de uns 700 reais mensais, para minha realidade econômica é quase um absurdo, mas vou tentar dar meus pulos, correr atrás de bolsas e tudo mais, acredito que consiga alguma coisa que facilite e toque em frente esse objetivo (sonho), cara ! tem até aula de cinema, muito legal, veremos o que acontece, com o tempo vou atualizando a todos sobre o assunto OK
enviada por eder
03/01/2004 17:46
Só para exclarecer que também não estou consiguindo colocar fotos (que merda !) por isso tá meio massante o negócio, mas não me abandonem continuem lendo e comentando, por favor !!!
enviada por eder
02/01/2004 12:37
Post em partes
Só para explicar, considerem os 6 post seguintes como um só, fiz isso pelo fato de não conseguir postar textos mais extensos, fragmentei e fui postando por parágrafos, então segue as reflexões sobre o ano que passou em partes.
enviada por eder
02/01/2004 12:35
Retrospectiva 2003
Chega de lenga-lenga, está terminando o ano em que várias mudanças ocorreram na minha vida, gosto de chamar de evoluções, por muito tempo reclamava de mim pra mim mesmo, se é que me entendem, pelo fato de nenhuma mudança significativa ocorrer, de não tomar um rumo definitivo pra minha vida, de seguir algo, ir até o fim, essas coisas que pessoas como eu ficam remoendo (não sou sadomazoquista sentimental, fique claro) , mas se ouve uma constante em minha vida, foi a busca de melhorias, fuga do cotidiano maçante, enfim nunca quis que minha vida fosse um saco.
enviada por eder
02/01/2004 12:34
Pra falar a verdade nem sei se fui feliz nessas tentativas, várias coisa boas ocorreram, assim como o inverso também, mas no geral tudo o que passei nesses últimos anos me acrescentou e muito, é fácil agora perceber meu amadurecimento como pessoa, coloquei minha cabeça em ordem, afastei pensamentos que não me ajudavam em nada, deixei de lado um bom tanto da minha melancolia e solidão, companheira de longa data em meio a multidões e mesmo meu quarto vazio ao som de Legião Urbana, sinceramente parecia que aquelas letras eram feitas pra mim (digo dos cds Tempestade e Uma outras Estação), pois a identificação, a projeção era um fato, eu me via nelas, era minha vida.
enviada por eder
02/01/2004 12:33
Quando olho pra trás, não acho que tudo tenha sido bobagem de uma adolescente problemático, suponho que a complexidade da minha mente vá além disso, na verdade era todo o meu interior se expressando, fazia grande parte de mim, tristeza ou melancolia, seja como for, fazia com que eu pensasse, refletisse e questionasse as coisa da vida, não que eu não faça mais isso, mas achei outras formas para tal (escrever é uma delas).
enviada por eder
02/01/2004 12:33
Daí veio 2003, trabalhei muito durante o ano todo (falando nisso daqui uma semana pego minhas merecidas férias), subi de cargo, minhas responsabilidades triplicaram e fiquei muito feliz com isso, pois era o que eu buscava, um melhor reconhecimento profissional, é claro que quero mais do que simplesmente isso, mas é bom se viver de pequenas vitórias. Finalmente achei a pessoa certa para ficar ao meu lado, após alguns tropeços, mancadas e sofrimento, vi na Mônica mais do que uma potencial melhor amiga, graças a Deus começou com uma amizade muito forte, pois o diálogo, a cabeça é que me atraiu, os atrativos físicos vieram de brinde, o fato é que na velhice você precisa de uma companheira com quem possa conversar, pois será a única coisa que irá fazer, sendo assim a escolha certa tem que ser fita antes que seja tarde.
enviada por eder
02/01/2004 12:33
Pois é, o amor finalmente invadiu minha vida e levou com ele as nuvens cinzas dos meus pensamentos, sendo que me sinto muito melhor agora, consigo perceber a profundidade dos sentimentos com maior clareza agora, ficou mais fácil viver digamos assim, pois as coisas simples do cotidiano se tornaram mais significativas do que nunca, são pequenas brechas, que quando estamos na fase de dor, de questionamento, infelicidade, essas coisas obscurecem a vida, que quando vista com outros olhos, não há como negar, é incrível...
Que todos tenha um ótimo 2004, cheio de mudanças e coisas boas, muitas felicidades e Deus no coração.
enviada por eder
02/01/2004 12:19
porque é impossível postar mais que umas 6 linhas ???
que droga, tenho um monte de coisa salva que não consigo postar...
ps:desculpem a revolta
enviada por eder
29/12/2003 12:35
Pois bem, esse é o último post do ano, tive alguns problemas nos últimos dias com o blig (nossa que surpresa !) sendo essa a causa da falta de atualizações, acho que quando chega o fim de ano ninguém está se preocupando com nada, só tem na mente a meia noite do dia trinta e um, espero que ano que vem eu consiga postar normalmente.
Feliz ano novo, muito obrigado pelas visitas, fiquem com Deus
enviada por eder
26/12/2003 09:29
Resumão de Natal e a Rolha assassina
Deveria ser proibido trabalhar em vésperas de Natal, o fato de você ter esse tipo de compromisso no dia de tantas comemorações faz com que tudo nem tenha tanta graça. Todas as pessoas já estão em clima de Natal, trocando presentes, se abraçando, falando alto pois faz um tempão que estão bebendo, daí você chega no meio da festa, trajando uniforme, segurando a mala e com o rosto cansado, o único pensamento que vem a cabeça é vou tomar banho e entrar em coma na minha cama, mas não se pode fazer isso num dia desses, só a parte do banho é claro. Após o banho o ânimo é renovado, depois vem a missa, está virando tradição todo ano estou lá, vou com intuito de renovar minha fé, de trazer mais paz ao coração, mais a canseira é tanta que quase durmo no meio da homilia, tudo bem não chega a ser uma blasfêmia, tem o desconto do dia trabalhado. Logo mais a noite, hora de curtir a família, abraços em todo mundo e comida, muita comida, era meia-noite e eu comendo carne assada, meu estômago tem algum tipo de proteção de titânio pois não passei nem um pouco mal. Me empanturrei e fui para o momento de glória da noite, estourar a cidra (champanhe, para quem não é pobre), todo mundo me olhando, tirei aquele monte de lacre, chacoalhei...chacoalhei, pressionei a tampa e... nada, repeti o gesto e nada, que vergonha, acho que estava muito gelada, então afrouxei a tampa com os dentes mesmo, com muito medo de estourar e engolir tudo (champanhe e a tampa do champanhe), não, felizmente isso não ocorreu, finalmente pressionei a tampa, dessa vez com os dedos, e estourou, a tampa (ou rolha como queiram) bateu no forro com um barulho ensurdecedor e rebateu bem no frango assado no meio da mesa, para enfim cair no chão. Dei uma risadinha sem graça, daí todo mundo começou a rir nossa imagine se pega em alguém haha- cai na risada junto e ficou tudo bem, até que deu uma animada na noite, o ruim foi que fiquei olhando o incrível trajeto da rolha e enquanto isso a champanhe vazou quase que pela metade, sujou toda a mesa e o chão, mas minha mãe nem brigou, no Natal todos estão mais serenos.
enviada por eder
26/12/2003 08:09
Advogados e Roteiristas
Assisti ontem à dois filmes, fazia um tempão que eu não alugava nada, daí toda aquela chuva, céu cinzento dia meio triste, nada como ficar embaixo das cobertas, comer um monte e assistir. Primeiro foi Amor à segunda vista, comédia romântica estrelada por Hug Grant (sei lá como escrever, aquele do Quatro casamento e um Funeral nove meses entre outras comédias românticas) e Sandra Bullock (sei lá como escreve, aquela do Miss Simpatia, Velocidade Máxima I e II, Cálculo Mortal, enfim todo mundo conhece, se não conhece sinto muito), não achei nossa que filme maravilhoso nem nossa esse filme é um bosta, para ficar mais claro é do tipo bonitinho com a história fraca, quem nunca viu uma história pelo menos parecida: O cara é muito rico, ela nem tanto, ela trabalha pra ele, o mesmo mal à percebe no início (como mulher) mas considera uma excelente profissional, depois de um tempo eles se envolvem mais ainda, daí entra uma terceira pessoa (nossa nunca vi isso !), que vai trabalhar no lugar da Sandra, ele tem um quase caso com a moça nova, a Sandra descobre e fica com ciúmes, ele percebe isso e vê que ela é a mulher da sua vida e não a terceira peça do triângulo (falando nisso, porque toda mulher que atrapalha o relacionamento do casal principal, é bonita, vulgar e burra, já é um clichê), deixa pra lá, continuando, ele corre atrás da moça (a Sandra) e pede desculpas e ela com o orgulho ferido pela cena chocante (ela pega ele só de meia com a outra) não aceita as desculpas, ele vai embora magoado, ele se arrepende vai atrás dele na rua, pede desculpas e eles ficam felizes, pelo menos nos últimos cinco minutos, daí o resto da vida deles não sei, ótimo para sessão da tarde.
O outro filme que assisti, Adaptação recomendo pra todo mundo que gosta de uma boa história, nada comum, que foge dos padrões holyhoodianos, o filme é bem louco, não tem uma ordem cronológica certa (adoro isso), quem faz o papel principal é Nicolas Cage, na minha opinião em uma de suas melhores atuações, ao lado dele está Meryl Streepy (sei lá como se escreve, aquela do As pontes do rio Medson, As horas entre outros) e Chris Hooper (sei lá como se escreve e não lembro que filme ele fez, desculpe, nesse filme ele interpreta um caçador de orquídeas). O filme conta como é complicada a vida de um roteirista, como é confusa a sua mente e as dificuldades que ele tem para adaptar um livro, não conseguindo transpor para o roteiro, Nicolas faz dois personagens, dois roteiristas irmãos gêmeos, o principal tem várias crises de identidade, pessimista, uma grande dificuldade de se relacionar com os seres humanos, já o outro faz as coisas sem se preocupar muito com o que vão pensar, desligado da vida enfim, isso gera algumas cenas hilárias ao mesmo tempo que é um drama que te faz refletir sobre sua vida e suas ações, é um filme bem profundo e um pouco complexo, reflete um pouco da natureza humana, da mente humana enfim, incertezas e inseguranças, muito bom. Também tem duas cenas de batidas de carros, que na minha opinião são as mais bem feitas que já vi, parece até que as realmente morreu alguém nas filmagens. Confiram é um filme que acrescenta algo, recomendo.

enviada por eder
24/12/2003 16:43
Faz um tempão que eu não consigo escrever pois estou com problemas no blig, vários erros na hora de postar, enfim vou tentar arrumar isso em breve, daqui um tempo escrevo algo de qualidade tudo bem!
Que todos tenham um ótimo Natal, não comam de mais nem fiquem alcolizados, só levemente bobos e que ocorra tudo bem para quem vai viajar, se cuidem nas estradas, aproveitem o feriado e até mais...
enviada por eder
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